27/09/2017

EU ESCREVI ISSO EM 2005???

Escrevi sim. Estou entre me achar "o premonitor", "o Nostradamus" tupiniquim, ou desiludido quanto a possibilidade de um dia as coisas mudarem para melhor, mesmo que minimamente. 

O texto foi publicado na seção Cartas do Leitor, no jornal Propaganda e Marketing, em Agosto de 2005 em reação a algumas opiniões sobre corrupção (era a época do Mensalão). Republico porque poderia ter escrito hoje o mesmo, sem qualquer retoque.



BOTANDO A COLHER

Ora, bolas! Eu também quero meus centímetros-colunas de espaço. Vejo todo mundo dando sugestão de como acabar com a corrupção, como deve ser uma nova legislação eleitoral, como diminuir os custos das campanhas políticas e como evitar desvios de recursos. Quero aproveitar este momento em que a sociedade parece estar querendo ouvir o que os publicitários, protagonistas cada vez mais centrais, têm a dizer.

Pois eu digo que não existe lei que acabe com a corrupção, não importa tipo, local e tamanho. Sobreviver é uma tarefa natural do ser humano e, características pessoais à parte, a corrupção, ativa ou passiva, é uma poderosa arma na selva da competição meritocrática universal.

Não somos, como povo, diferente de qualquer outro. A diferença é que, por exemplo, lá naquele grande país do norte, o sujeito pego na falcatrua corruptiva não tem coragem de voltar para casa e e enfrentar os filhos.

Aqui, ele vai à CPI, sob os holofotes e câmeras da TV Senado, espiar seus pecados e... chorar. Ele sabe que o tempo passa e a justiça brasileira cuida de cozinhar os processos em fogo baixo até que tudo tenha se evaporado no tempo. A corrupção só tem fim com o fim da humanidade e, se tal é, há que nos conscientizarmos que porta de galinheiro aberta é convite para raposa banquetear. Isto quer dizer que precisamos investir em constrangimento (polícia) e punição (justiça), as únicas ferramentas eficazes à disposição da sociedade.

Em crime de colarinho branco, polícia significa Receita Federal combinada com Polícia Federal. E o Brasil tem hoje um dos melhores sistemas de controle de origem e destino de recursos financeiros do mundo. Falta usá-los para dar o recado.

Em minha opinião, portanto, qualquer outra discussão só tem como consequência desviar a atenção e manter o famoso status quo.

E, por favor, querer que acreditemos em uma reforma eleitoral que nos fará votar em uma "lista" de fantasmas (*) é nos imaginar completos imbecis.

(*) Mas eles continuam tentando.




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