quarta-feira, agosto 18, 2021

INCONVENIENT NEWS

Me inspiro em Al Gore[1] para vir propor uma correção na atribuição de uma expressão usada para notícias que, publicadas nas redes sociais[2], são denominadas de “fake news” (na tradução literal “notícias falsas”).

Em primeiro lugar, o que é uma notícia falsa? Se alguém reproduz para outro uma informação (sentido amplo) qualquer e omite, intencional ou não intencionalmente, alguma parte que possa provocar alguma alteração na conclusão final que dela se tire, é algo que se possa considerar crime?

Em segundo lugar, quem é esta suprema autoridade capaz de determinar se uma informação é falsa ou não a partir unicamente de sua individual percepção[3]. Onde está a falsidade de um médico que, por exemplo, aconselha o uso do tratamento precoce de qualquer doença, indicando qualquer medicamento sobre o qual ele coloca sua confiança e esperança, fruto de seus conhecimentos e experiências empíricas?[4]

Em terceiro lugar, não vou analisar as razões dos dois pesos e duas medidas dependendo de que lado você está, independente do que você diga, ou melhor, as razões do “duplipensar” como enunciou George Orwell[5]. A razão, é simples, eu não gosto do que você diz, então eu o ataco em tudo o que você disser. Simples assim.

Em quarto lugar, e é o que mais me assusta, é o crescimento geométrico do arbítrio do STF a partir de uma postura ativa de descarte da Constituição, sem que haja qualquer instituição ou ação de indivíduo ou organização no sentido de interromper e/ou anular tais absurdos. Ok, sabemos que no andar de cima todos estão comprometidos com todos. Você finge não sentir o cheiro das minhas merdas que eu finjo não sentir o cheiro das suas. Ok, também sabemos que existem organizações de vários teores que estão raivosos por terem perdido aquilo que os sustentava, sejam privilegiados/benesses de toda a espécie e níveis de valor, quanto de recebimento de receitas/verbas gordas, impróprias, e comprometidas com uma determinada aparência pública. Não fui claro? Tente entender nas entrelinhas

Dito isto, vou aos “finalmentes”. Os socinistas encontraram na expressão “fake news” uma arma para acusar os adversários políticos de tudo o que eles consideram não lhes ser favorável. Neste sentido, a expressão que precisa ser proclamada é “Inconvenient News”.

Senhores e senhoras das redes sociais libertárias e conservadoras, por favor, passem a utilizar somente a expressão “Inconvenient News”, como proposto pelo vice citado , ou, até mais adequadamente, “Inconvenient truths”.

Para encerrar, relato essas coincidências que insistem em acontecer comigo, ou para mim. Resolvi eu nesta semana, ler um livro que carrego comigo desde que sai da casa de meu pai. Na verdade o tomo II de uma coleção publicada pela Abril Cultural em 1972, titulada ”Os Pensadores”. Nela, há a reprodução de um texto de Xenofonte, escrito há dois mil e quinhentos anos atrás, onde reproduz um diálogo entre o jovem Alcibíades e seu tutor Péricles sobre o que é uma lei. Eis:

“- Diz-me, Péricles, podes ensinar-me o que é uma lei?

- Ensina-me então, em nome dos deuses – tornou Alcibíades. – Pois ouço elogiarem certos homens por seu respeito às leis e me parece que sem saber o que seja uma lei jamais se poderia merecer tal encômio[6].

- Se é isso o que desejas saber, fácil é satisfazer-te, Alcibíades – disse Péricles. Chama-se lei toda deliberação em virtude da qual o povo reunido decreta o que se deve fazer ou não.

- E que ordena ele que se faça, o bem ou o mal?

- O bem, rapaz, por Júpiter! E nunca o mal.

- E qiando em lugar do povo, é, como numa oligarquia, uma reunião de algumas pessoas que decreta o que se deva fazer, como se chama isso?

- Tudo o que após deliberação ordena o poder que dirige um Estado se chama lei.

- Mas se um tirano que governa um Estado ordena aos cidadãos fazer tal ou qual coisa, trata-se ainda de lei?

- Sim, tudo o que ordem um tirano que detém o poder se chama lei.

- Que é então, Péricles, a violência e a ilegalidade? Não é o ato pelo qual o mais forte, em vez de persuadir o mais fraco, constrange-o a fazer o que lhe apraz?

- Essa a minha opinião – conveio Péricles.

- Portanto, toda vez que, em lugar de usar da persuasão, um tirano força os cidadãos por um decreto, será ilegalidade?

- Assim o creio. Errei, pois, dizendo sejam leis as ordens de um tirano que não emprega a persuasão.

- E quando a minoria não usa da persuasão junto à multidão, mas agusa de seu poder para forjar decretos, chamaremos a isso violência ou não?

- Tudo o que se exige de alguém sem empregar a persuasão, trate-se ou não de um decreto, parece-me antes violência que lei.”

E aí, você acha que chegaremos a um final feliz?

Como dizem os blogueiros: deixe seu comentário aqui.



[1] Al Gore, o vice-pilantra de Clinton, cheio de intere$$e$ financeiros em explorar a temática do aquecimento global, produziu um vídeo cujo título foi “Inconvenient Truth” (Verdade inconveniente).

[2] Só nas redes sociais, pois nos veículos de mídia impressa e eletrônica (majoritariamente dominados por esquerdopatas) podem publicar o que bem entenderem sem serem incomodados.

[3] Veja este parágrafo do artigo do PGR Augusto Aras publicado na “falha” de São Paulo em 17/8/21: “É preciso sobriedade e sabedoria para retomarmos, superando o luto vivido por milhões de famílias e o drama do desemprego sem abrir mão da democracia, que foi por décadas ansiada e buscada. Temos de nos apegar ao combate de problemas reais e ao cuidado para não apagar fogo com gasolina. O Brasil vive um momento onde todas as cordas estão esticadas. E cabe a nós, do Ministério Público, guiar-nos sempre contra o excesso de ativismo para evitar injustiças irreversíveis.”

[4] Mas a hipocrisia política dos que querem o poder pelo phoder, não pede comprovação “científica” e provas de duplo cego da homeopatia, ou dos medicamentos e chás caseiros.

[5] Duplipensar, para Orwell, é o ato de aceitar simultaneamente duas crenças mutuamente contraditórias como corretas

[6] Encômio: fala ou discurso em louvor de alguém; elogio.







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