08/04/2020

NO DIA DEPOIS... - 2

Nos dias depois, quando pudermos voltar, de alguma maneira, a um jeito de viver minimamente produtivo sócio-economicamente considerado, muita coisa será diferente, muitas atividades desaparecerão, ou serão negativamente afetadas, ou levarão muito tempo para atingir um patamar que valha a pena mantê-la. A lista que começo a construir aqui - e agradeço contribuições -, é um exercício sobre o futuro de muitos setores de negócios e de hábitos da vida cotidiana. Para muitas situações, só tenho perguntas e nenhuma ideia de como será! O horizonte de tempo a considerar depende de quando cada um de 3 fatores se tornará uma realidade em nível mundial de cobertura próximo a 100% da população: 1) existência de kits para testar a presença do vírus 2) tratamento farmacológico comprovadamente eficaz; 3) uma vacina preventiva. Posto isto, convido você a fazer uma avaliação de cada item listado a seguir, estabelecendo um prazo para a recuperação total, parcial, ou morte, de cada um deles (junto a cada uma eu coloco a minha previsão). O objetivo é cada um construir uma perspectiva do dia depois de amanhã que, com absoluta certeza, não será mais como o dia de antes de ontem. Este exercício nos ajudará a tomar melhores decisões hoje quanto a uma provável realidade futura, seja no âmbito pessoal e familiar, seja quanto à proteção do patrimônio (quem ainda o tem), seja quanto a que caminho tomar para manter um nível mínimo de renda (independente da fonte), seja, por fim, que decisões de governo devemos cobrar e apoiar.


- O peso de cada nação no cenário mundial do comércio sofrerá alterações radicais. Estados Unidos já anunciaram que envidarão esforços para reduzir fortemente a dependência de produtos chineses. Uma consequência provável será o incentivo a nações parceiras para produção substituta (via oferecimento de tecnologia e financiamento). (A conferir em 2 anos.)

- Enquanto a China não provar ao resto do mundo que abandonou de vez hábitos alimentares que estão sendo considerados como origem desta e outras pandemias, irá perder mercado em função das restrições que as populações ao redor do mundo colocarão ao consumo de qualquer coisa que venha de lá. (Processo a se intensificar nos próximos meses.)

- A redução da atividade econômica tem como consequência a redução da arrecadação. Menos imposto, menos recursos para o Estado, implicando na alteração das prioridades de investimento. Arrisco-me dizer que o setor de saúde deverá subir alguns degraus, enquanto infra-estrutura de estradas terá projetos adiados. (Durante os próximos 5 anos.) 

- A desvalorização horizontal, para usar um termo dos tempos de COVID-19, das empresas listadas em bolsa vai levar a um rearranjo dos controles acionários em escala mundial. (Processo em andamento e pelo próximo ano e meio.) 

- O setor de viagens, seja a trabalho ou lazer, que já está paralisado, não se recuperará tão cedo (em março perda mundial estimada em R$ 14 bilhões). Companhias aéreas irão à falência brevemente; o mesmo acontecerá com o setor de) hotelaria (iremos ver com frequência prédios abandonados que antes abrigavam hotéis de 4 e 5 estrelas); todo o micro e pequeno comércio que até aqui vivia em função do turismo, simplesmente acaba; a indústria aeronáutica não terá encomendas por muitos anos (o que fazer com a atual frota de aeronaves que está no chão?). O que será de Dubai? Um deserto desabitado? (Processo em andamento e pelos próximos 5 a 10 anos.)

- Quando a indústria do entretenimento, hoje completamente aniquilada, retomará gradativamente as atividades? Quando uma Disney voltará a acolher hordas de visitantes como nas últimas décadas? Depois de a digitrônica ter dizimado a indústria fonográfica, que soluções artistas da música encontrarão para sobreviver sem a possibilidade de realizar shows ao vivo? (Talvez a partir de daqui a 3 anos.)

- A proibição de abertura do comércio está deixando uma enorme parcela da classe média brasileira absolutamente sem renda. Hoje, lojas em todas as cidades submetidas a quarentena, estão fechadas, com pequenos empresários tendo que cumprir compromissos trabalhistas, custos de instalação e dívidas com fornecedores, situação que levará parcela significativa a perderem a capacidade de recuperação/reabertura num futuro ainda incerto. Assumindo que este quadro venha a se tornar realidade, podemos imaginar os milhões de pequenos empreendedores que perderão sua fonte de sustento e que integrarão o contingente à procura de emprego que hoje já é de 12 milhões de cidadãos. (Processo em andamento.)

- O comércio eletrônico terá um crescimento relativo, dado que, se por um lado aumenta a demanda em função de se priorizar a compra pela internet, por outro a demanda de certos produtos se reduz em função da eliminação de algumas das razões de compra (p.ex., pra quê sapato novo se você não tem aonde ir?). (Já em andamento, veja este relatório com números de março/20.

- Se o e-commerce cresce, a contrapartida será (já é) a redução da participação do pequeno comércio local no volume total das transações comerciais. (A conferir no final dos próximos 2 anos.) 

- Além de virem a integrar o contingente de desempregados, qual o destino das famílias que até aqui viviam do trabalho informal diretamente ligado/dependente dos setores de lazer, turismo e entretenimento? (Processo em andamento.)

- Muitas indústrias de equipamentos, cuja demanda se reduz (ou acaba) por conta das pessoas sitiadas em casa (ou pela paralisação de algumas atidades, como já apontado acima), tentam redirecionar/adaptar seus recursos para, principalmente, a produção de equipamentos hospitalares. (Processo em andamento.)

- A educação que já vinha sendo questionada, criticada, por ainda não ter encontrado o novo papel do professor (imaginando que ele ainda terá algum papel) na nova era digitrônica, agora não terá mais desculpa. O ensino à distância, a formação fora das salas de aula, será a realidade, independente do que docentes conservadores ainda achem. (A conferir daqui a 3 anos.)

- O que está reservado ao futuro de nossos filhos e netos? Por quanto tempo ficarão presos dentro de casa, por horas conectados em atividades educativas ou "prejudicativas" na Rede? O que resultará do convívio com os pais 24/7? Que adultos serão depois das consequências desta pandemia enclausuradora? (Processo em andamento e enquanto durar o confinamento.)

- Não tenho dúvida de que a implantação, hoje obrigatóra, do trabalho em "home office" - tele-trabalho -, deixará como saldo a perda dos receios e restrições que até aqui impediam a adoção desta alternativa tecnológica. Portanto, uma redução significativa no trabalho presencial deverá ser observada, afetando em consequência a redução dos aluguéis de salas comerciais. (A conferir nos próximos 2 anos.)

- A infra-estrutura de comunicação, via cabo e satélites, vai receber investimentos para dar conta do incremento exponencial da demanda por mais banda. (Ao longo dos próximos 3 anos.)

- O uso obrigatório de máscara, tanto no convívio social, quanto no convívio público geral, seja em ambientes abertos ou fechados, é o principal fator de redução do índice de contaminação geral, seja deste COVID-19, seja de um eventual, mas provável, novo vírus de similar letalidade. Mas como vamos resolver nossos encontros com amigos para um encontro no restaurante, ou na laje, no final de semana? Como faremos nossas consultas médicas? Nossos exames de rotina? Quando os hospitais voltarão a nos dar assistência para os tantos males que hoje estão relegados a 5º plano? (Processo em andamento.)

- No âmbito individual a adoção intensa de hábitos de higiene pessoal, irá reduzir a propagação de outras viroses, resultando, portanto, em queda no número de atendimentos hospitalares por conta das mais vairadas infecções. (Conscientização em andamento. A conferir ano a ano.)

- Os acidentes (e as mortes) nas estradas se reduzirão em grande proporção como resultado da diminuição do tráfego já que viajar será restrito a motivos de absoluta necessidade. Mais uma consequência positiva para o sistema de saúde. (A conferir ano a ano.)

- Talvez academias sejam trocadas por equipamentos em casa, ou tele-aulas, ou por outras atividades que não impliquem em aglomeração. (A conferir no futuro próximo.)

- E os esportes, se e quando os eventos voltarem a ser realizados, por quanto tempo aguentares que sejam praticados em arenas e estádios fechados ao público? E como poderemos torcer e explodir em um grito monumental quando Gabi Gol, ou Everton Ribeiro, ou Bruno Henrique colocar a bola no fundo da rede em jogada sensacional!!!??? (Mengoooooo!!!). Desculpe, não resisti! (Próximos 12 meses.)

- As empresas de transporte de passageiros (táxi, ônibus, metrô, trem, avião, navio, ferryboats) serão obrigados a adotar procedimentos de higienização antes que seus veículos saiam das garagens para atenderem a população. (A partir de já.)

- Como se adequarão prestadores de serviços como: cabeleireiros e barbeiros, instaladores de equipamentos caseiros, garçons, marceneiros, pintores, dentistas, médicos clínicos em geral e tantos outros? (A conferir nos próximos meses.)

- Então, ficamos assim, com ou sem máscara e até que as condições voltem a permitir,  proibido abraçar, beijar, dar as mãos, dançar, manifestar a fé nos templos, confraternizar com amigos, colegas da escola, do trabalho, praticar esportes em equipe etc. etc. etc.  

- ...
Antes de me qualificar como arauto do apocalipse, tente imaginar sua vida e a da maioria dos humanos durante o tempo em que vamos nos sentir inseguros para agirmos como sempre agimos (lembre que isto perdurará enquanto não houver kit teste, medicação eficaz e vacina preventiva). Reflita, pense, avalie se há alternativas para o todo ou partes desta fotografia dos dias depois de hoje. Diga-me onde e por que estou errando. Ou me lembre de algo importante que esqueci de mencionar.

Mas não saia de casa SEM MÁSCARA. Não atenda clientes sem luva. Higienize tudo, sempre. Antes de consumir produtos horti-fruti, lave-os bem com sabão. Antes de manipular qualquer embalagem, passe álcool nas mãos e na própria embalagem. O novo mundo exige que você adquira novos hábitos. Para a sua sobrevivência e a minha. Até que um maravilhoso mundo nova possa ser compartilhado entre todos nós.

As máscaras nos vídeos abaixo são recursos para a falta daquelas cirúrgicas produzidas de acordo com as Normas Técnicas vigentes. Enquanto você não as encontra elas são algo muito, muito melhor do que nenhuma.


MÁSCARA DE PAPEL TOALHA, SIMPLES E RÁPIDA.


3 MODELOS DE MÁCARAS DE TECIDO DE ALGODÃO.


MÁSCARA DE JEANS LAVÁVEL.



04/04/2020

NO DIA DEPOIS...

Tive que sair para comprar álcool em gel. Coloquei a máscara que eu mesmo fiz e fui de carro à rua principal do comércio. Passei por mais de duzentas pessoas e apenas 3 usavam máscara.

Fui à farmácia e nenhum dos atendentes, inclusive as caixas, não usavam nem máscara, nem luvas (M&L). Passei pelo posto e nenhum frentista usava máscara, pelo menos.

Enquanto isso Bolsonaro e Mandetta se bicam sobre o imediato e ambos não se dão conta de que há uma realidade que irá se impor independente do que pensam, do que acreditam, do que fazem, do que discordam. Enquanto o Ministro se concentra em evitar o caos na estrutura hospitalar, o Presidente se preocupa com a paralisação da economia. Se bicam quando se complementam, pois se qualquer delas se efetivar, milhões e milhões de brasileiros serão drasticamente afetados.

Presidente e ministros, principalmente os da Saúde, da Economia, da Infra-estrutura e da Educação, ainda não perceberam, ou, se perceberam ainda não estão agindo para nos antecipar à nova realidade que se estabelecerá no dia depois desta pandemia. Uma prova desta miopia é a campanha que acaba de ser lançada pelo governo para ensinar à população a fazer máscara caseira. Chegaram atrasados. Nas redes sociais há dias circulam vídeos mostrando as mais variadas formas delas serem feitas. Isto todos nós podemos fazer. O que a cegueira não deixa ver é que nós não temos força para obrigar o uso de M&L a todos os que desejam ou precisam ir às ruas, e os que trabalham atendendo o público. Só as instituições que detêm legalmente o poder de polícia é que o podem. Os chineses já sabem o valor do uso de máscara há muito tempo, basta ver o vídeo ao final deste post.

E a razão para a ação dos governos de todos os níveis em fazer cumprir tal obrigação é muito simples: no dia depois da pandemia uma nova vida se imporá, com novos padrões de higiene pessoal, com uma estrutura hospitalar muito mais bem preparada e, queiramos nós ou não, o uso de M&L será o melhor instrumento que teremos para enfrentar os próximos COVIDs, porque isto é o mais eficaz para a redução da transmissão do vírus.

As consequências que esta pandemia irá causar na humanidade serão tão devastadoras para a continuidade da vida dos sobreviventes que a discussão sobre quarentena, vertical ou horizontal, será considerada como um delírio de um passado a ser esquecido. 

Simplesmente o mundo levará alguns anos para recuperar o nível médio de qualidade de vida que existia até dezembro de 2019, independente de qual ele era. Ou somos instados pelo Estado a obedecer a determinados padrões de conduta em ambientes públicos, ou iremos assistir os miseráveis e desassistidos sendo enterrados em valas comuns; a ver regiões pobres ficando mais pobres; ricos vendo parcela de seus patrimônios virando pó; taxas de desemprego atingindo patamares jamais alcançados; falência de negócios (micro, pequenos, médios e grandes) varrendo o mundo; países que até aqui tinham no turismo internacional um importante gerador de renda nacional, tendo suas atrações antes repletas de gente, transformadas em locais desertos. Isto e outras consequências provocarão a mais profunda depressão econômica. A paralisação provocada pela quarentena como está posta, está afetando o mais básico fundamento da economia de mercado: a quantidade de transações monetárias em um dado sistema, ou seja, quanto menor o total de transações, mais pobre é uma sociedade. Onde não há uma dinâmica de troca de serviços e mercadorias todos perdem mesmo aqueles que no período de crise são enganosamente beneficiados, pois terão o patrimônio desvalorizado, seja em ações em bolsa de valores, em imóveis etc., tal como todos nós.

Esta é uma constatação, não uma crítica a qualquer estratégia. A tomada de decisão em situações críticas e, pior, quando envolve vida ou morte de cidadãos, é dificílima (assistir as aulas de Michael Sandel no YouTube). Chamo a atenção para a necessidade do reconhecimento de que outros vírus nos acometerão no futuro e que não poderemos estar tão despreparados, tão sem táticas de prevenção e proteção, como estivemos até aqui, pois não podemos ter uma outra crise econômica como a que enfrentaremos nos próximos meses. Uma resultante paralisação das atividades em todos os setores da economia simplesmente não poderá se repetir. 

A atual alternativa de quarentena só se justifica, grosso modo, porque: 1) a infra-estrutura de saúde não tinha (e ainda não tem) capacidade para lidar com o volume de casos que demandam assistência hospitalar; 2) a indústria de insumos para produção de equipamentos está nas mãos de pouquíssimos fornecedores; 3) a população não tem hábitos de higiene pessoal e de práticas de interrelacionamento e convívio social capazes de reduzir as chances individuais de infecção; e 4) a falta, no nosso caso, de saneamento básico para mais de 50% dos brasileiros.


O que esperar de todos nós, cidadãos e Estado, no futuro imediato? Como indivíduos teremos que incorporar como padrão novos hábitos de higiene: frequência em lavar as mãos com sabão, uso de M&L sempre que formos às ruas ou receber alguém em casa, lavar legumes e frutas ao chegar com as compras, colocar a roupa para lavar imediatamente, usar luvas de látex sempre que for manusear qualquer coisa quando fora de casa, evitar aglomerações tanto quanto possível, aumento da distância entre pessoas nas instalações das empresa, aumento do trabalho e da educação à distância, etc. etc. etc. E isto independente da existência de uma medicação eficaz e da descoberta de uma vacina. Assista ao vídeo feito pelos japoneses mostrando o que acontece quando não se usa máscara,

Se a minha descrição sobre nosso futuro cotidiano tem algum sentido, muito mais lógico e necessário que ficar em casa (relativamente poucos podem), é nos obrigarmos já ao uso de M&L, na rua, no trabalho, no convívio social. Errados estão todos que insistem em circular e trabalhar sem máscara como constatei hoje. Errados estão todos os empregadores que não disponibilizam M&L para seus funcionários conforme a característica de cada atividade. Errados estão os governantes que, como o Prefeito daqui, acaba de bloquear todos os acessos à cidade, sem ter, obviamente, a menor noção do dano que está causando a mais de 300 mil pessoas.

Em algum dia depois do COVID-19 virá o COVID-20 ou qualquer novo vírus com novo mnemônico. Nos dias depois, portanto, teremos que estar preparados e habituados às novas regras deste que será um mundo novo, cabendo a nós decidir se será maravilhoso ou ...


COMO AGEM OS CHINESES DE HONG KONG

OS TESTES QUE OS JAPONESES FIZERAM

DEBATE NA CNN EM 7/4/20

01/04/2020

A HIPOCRISIA DOS CANALHAS

Neste dia da mentira, cuja verdade em alguns países é a verdade da proibição de contar uma mentira, nunca os canalhas se mostraram tanto quanto até aqui. Desde o pedido de impeachment protocolado na Câmara pela deputada Sâmia Bonfim (PSOL-SP) - uma peça rara de hipocrisia a ser catalogada nos anais das idiossincrasias da República -, até os noticiários do grupo Globo embalando com carinho o "quanto pior, melhor", passando pelas decisões oportunistas e politiqueiras de governadores derramando sangue e fel pelo canto de suas bocas, todos manipulando o caos em proveito descaradamente próprio (nem mesmo se importam com o ridículo a que se expõem).

A democracia da deputada não cobre o direito de o Presidente ter opinião diferente dela e do grupo de "aloprados" que a convenceram a fazer o papel de boi de piranha, sem a mínima vergonha na cara de não irem junto, sabedores da piada de 1º de abril em dia errado. Os editores dos jornais do grupo Globo e os jornalistas sem-caráter, que por sincera adesão ou falta de coragem se recusam a "pedir pra sair", manipulam as notícias como aquela do Prefeito de Milão que se "arrependeu" de ter se manifestado inicialmente "contra o isolamento total", esquecendo-se, todos, intencionalmente, de informar o intenso intercâmbio desta cidade, centro ocidental de criação de moda, com Wuhan, centro Chinês de moda. Não informaram que o ano novo chinês, celebrado no dia 12 de fevereiro, levou os chineses residentes em Milão a viajarem para o feriado e da China voltarem devidamente infectados. Não bastando, não lembraram aos telespectadores o fato da estrutura de atendimento de saúde ser absolutamente insuficiente para tal volume de infectados. Já a performance midiática de Doria e Witzel atingiu os mais altos níveis que o ridículo pode alcançar. Creio que nas próximas eleições a que se candidatarem, as mídias sociais farão todos lembrarem do que fizeram neste 2020 de Covid-19.

Os canalhas oportunistas tentam transformar a visão de Bolsonaro a favor de uma quarentena menos restritiva, em mais uma ameaça dele à democracia, quando graças ao Presidente, graças à sua tenacidade, graças à sua tendência ao confronto de ideias, todo cidadão brasileiro está podendo, além de refletir sobre as melhores atitudes a tomar nesta crise monumental de saúde - tanto no âmbito pessoal quanto governamental -, expor o dano à sua situação particular frente à determinação radical de uma quarentena horizontal. A hipocrisia é tão grande, que fingem não enxergar que há muito estamos praticando um modelo vertical que vem se ampliando semana a semana. Categorias inteiras de atividade estão trabalhando até mesmo em ritmo muito mais intenso. Entre elas estão todos os profissionais da saúde, da segurança, da limpeza pública, do saneamento básico, caminhoneiros, restaurantes, todas as atividades da pecuária e agro-indústria, a cadeia responsável pela logística de levar o alimento do campo à mesa de cada lar brasileiro, supermercados, lotéricas, os moto-boys, os taxistas e uberistas, as farmácias, a indústria farmacêutica e química, a de equipamentos médicos e outros necessários à continuidade de atividades que simplesmente não podem parar, as empresas de tele/comunicação,  etc. etc. etc. Mas os derrotados por Bolsonaro ignoram os fatos que não lhes são convenientes, pois nada mais interessa além de atacá-lo.

O Presidente, com seu alerta sobre o momento imediato pós controle da pandemia - ele virá inevitavelmente - fez toda uma cúpula de governo pensar mais, buscar alternativa, se conscientizar mais, e descobrir o que realmente é prioritário fazer. Este é o caminho que estamos vendo o país seguir. É adquirindo novos hábitos de higiene pessoal e de proteção individual no interrelacionamento, insistindo na quarentena dos idosos e daqueles com comorbidades que interagem negativamente com este vírus, e os governos envidando todos os esforços e investimentos no aumento da capacidade da infra-estrutura de saúde, que poderemos ter os menores índices de mortalidade e as maiores chances de rápida recuperação econômica. Mas isto será péssimo para todos aqueles que tiveram seus interesses profundamente afetados pela perda do poder e pela honestidade intransigente e rude de Bolsonaro.

De certa forma estou fazendo chover no chão molhado, pois, apesar de nada ainda sabermos sobre esse "vírus do capeta",  creio que estamos aprendendo dia-a-dia a nos defendermos dele e, com certeza, dos eventuais (ou quase certo) próximos de mesma cepa. Prova disto, é o interesse que nesta semana as redes têm mostrado sobre o que Michael Sandel nos fustiga com suas palestras na Harvard University. Para mim é quase surreal ver um mundo de gente se dando conta de que tomar decisões em situações que envolvem um ou mais de um outro, não é uma tarefa fácil. Tudo graças a uma quarentena forçada que nos obriga a pensar filosoficamente, a discutir questões éticas que nosso cotidiano não nos permite fazer.




Augusto Nunes: https://noticias.r7.com/jr-na-tv/videos/augusto-nunes-nenhuma-outra-doenca-tem-destaque-no-noticiario-monopolizado-pelo-coronavirus-30032020

24 palestras de Michael Sandel: Qual a coisa certa a fazer?
https://www.napratica.org.br/5-palestras-sobre-etica-leis-e-justica-pelo-mundo/

25/03/2020

O ÓBVIO ULULANTE E O CAPITÃO MALUQUINHO


O processo cognitivo humano é lento. O caminhar do entendimento dos fatos até sua real compreensão é em etapas. Segue não linear e saltitante até que... eureka!, então era isso!? Só isso!?

Aposto que você que me lê tem percebido que desde a primeira vez que ouviu sobre esse tal Covid-19, tem passado de uma certeza a outra a cada novo dia, a cada novo zap que lhe chega, a cada entrevista do ministro da saúde ou de um governador mais midiático, a cada má intenção interpretativa de algum órgão da imprensa televisiva, principalmente, ou jornalista em particular.

Depois de, podemos considerar, duas semanas de enxurrada de informações isentas, outras especializadas, outras falsas, outras mal intencionadas, estamos chegando à compreensão de que não temos pandemia virótica, pelo menos não diferente de tantas outras que nos rondam. A realidade que emerge é a total pandemia da falta de infraestrutura na rede de saúde capaz de dar conta ao atendimento adequado e eficaz àqueles de nós, infectados, que estiver mais propenso a desenvolver uma enfermidade mais grave do que uma simples "gripezinha", essa que não vai afetar a absurda maioria de nós.

A continuarmos nesta insana trilha de indiscriminadamente todos nos mantermos em quarentena domiciliar por um tempo que ninguém sabe qual, teremos como resultado um volume de mortes muito maior causado pela fome, violência, depressão e outros males consequentes. Isto parece que agora pulula como um outro óbvio.

Não estamos, como país, sozinhos na escalada da expansão do vírus. O que o noticiário nos evidencia é que há uma diferença básica entre aqueles onde existiam leitos e equipamentos suficientes (Alemanha e outros), e aqueles que apresentam sérias deficiências na infraestrutura de atendimento hospitalar (Itália, Estados Unidos, Brasil...).  Os primeiros não precisaram radicalizar nas medidas de restrição à livre circulação, enquanto os demais estão caminhando para o caos econômico e social.

Eis o óbvio ululante: a única ação que nos livrará no menor tempo e no menor custo dos danos desta virose é a imediata e intensa criação de leitos e equipamentos em uma quantidade acima da mais pessimista previsão de volume de casos críticos, num verdadeiro "esforço de guerra". Quem não entendeu ainda essa parte da solução problema?

Nosso "capitão maluquinho" já entendeu isso, me parece. O problema dele é sua monumental incapacidade de se comunicar, seja como um líder, seja como um estadista, seja como Presidente da República em sua mais simples atribuição: falar à nação. A pergunta que me faço é que, já sendo vários os fatos que evidenciam tal incapacidade, por que diabos ele ainda abre a boca já que este é o óbvio mais ululante entre todos?

Quando, portanto, senhor Mandetta, sendo eu um idoso com 1 ou 2 cormobidades, vou poder sair de casa com a tranquilidade de que, caso venha a ser infectado, serei pronta e eficazmente atendido? 

P.S.: Mensagem que enviei pelo Whasapp dia 26/3/20:

Povo governante de todas as esferas! Parem de bater cabeça pois o óbvio é ululante, gritaria a plenos pulmões Nelson Rodrigues se vivo fosse. A única estratétigia que resolve é usar todas as táticas imagináveis para disponibilizar leitos, equipamentos e profissionais de saúde em quantidade maior que a mais pessimista previsão, pois, é certo, a contaminação só acabará quando TODOS estivermos infectados. Chama-se isso de "esforço de guerra" concentrado. O resto é discussão hipócrita, política e inócua.


12/03/2020

PANDEMÔNIO

Pandemia, pan-neurose. O mundo está bolado, dirá meu neto. Um mundo, que nunca teve pé nem cabeça, está virando de ponta-cabeça, digo eu. Tal movimento de inversão mal começou. Muito há por vir nas próximas horas, dias, semanas e meses. 

Ninguém sabe é nada. Nos chegam declarações, afirmações, suposições, das mais altas autoridades nos dando conta de diagnósticos opostos, incertos, imprecisos, inócuos

Proibem-se viagens, aglomerações, torneios, aulas, beijos e abraços, como se fosse tão simples, tão normal, tão óbvio. Nunca mais o padre dirá "pode beijar a noiva". Quem sabe dirá "podem se acotovelar"!? Transporte público, nem pensar. Compre seu carro - para alegria da indústria automobilística (alguém tem que sair ganhando além dos fabricantes de máscaras e álcool gel). A realidade dura e crua é que ninguém sabe como este vírus se comporta. Como se dissemina? Qual o seu ciclo de vida? Que temperaturas suporta? Uma vez infectado e curado, me torno imune? Todos os governos estão como cegos, à noite, em meio de uma floresta. Caos total.

Muito vai mudar. Quase tudo. A começar pela circulação de papel moeda que é, talvez, o principal disseminador de vírus que existe (para nossas autoridades econômicas e sanitárias ainda não caiu esta ficha).  O lado "bom", é que provavelmente esta realidade será o empurrãozinho que faltava para o seu fim como instrumento monetário. O pequeno lojista, para quem até hoje receber à vista em espécie era a preferência, passará a dar desconto para quem pagar no cartão, de débito ou crédito, não importará, tudo menos dinheiro! Vade retro, Satanás!!!

Não vamos mais ao cinema. Não vamos mais visitar a vovó, ou a filha, ou a amada, ou o amigo, que mora à distância de um vôo. Viajar? Nem pensar! Toda a indústria e serviços de viagens, hospedagem e alimentação estão sendo arrasados!!!O que será de Hollywood? De Bollywood? Dos teatros e artistas? O que será do meu Mengão jogando em estádios vazios? Enquanto não vier uma vacina e um tratamento eficaz, como você pensa que a coisa toda acontecerá? Você tem ideia de se e quando virão tais medicamentos?

As bolsas despencam. E despencam. E continuam a despencar. Comprar na baixa? E quem há de saber em quantos mil pontos o fim do abismo está? Quem comprou ontem como está se sentindo hoje (12/3/20) com a queda de 14%? De qualquer forma capitalistas capitalizados estão babando na gravata à espera do momento de dar o bote e abocanhar a preço de banana em fim-de-feira altas percentagens de ações de empresas, sabe-se lá quais sejam?, que ainda podem gerar lucro. A certeza é que controles acionários mudarão de mãos como mudam de mãos cartas de baralho. Quem produz petróleo a 9 dólares está dando as cartas, e proposital e intencionalmente, quer quebrar quem produz a mais de 30 (o Brasil e seu lula-pré-sal?).

O comércio eletrônico terá um grande impulso, pois ninguém quer mais saber de sair de casa para nada, muito menos ir a lojas e supermercados comprar o que quer que seja. Aos carteiros, entregadores de encomendas, exigir-se-á que se apresentem com luvas e máscara. Antes de pegar na encomenda, uma borrifada de algum produto da Procter & Gamble criado especialmente para desinfetar pacotes entregues pelo correio. Os marqueteiros de plantão tentarão descobrir "oportunidades" na crise como insistem alguns em repetir, repetir, repetir. Será? Ou crise é apenas uma phoda em 99% em proveito de 1%?

Se ninguém compra, ninguém vende. O ciclo vicioso se estabelece. Derrocada geral. Falências em toda esquina. Todas as relações internacionais serão alteradas. O poder mundial mudando de protagonistas. O que antes valia, não valerá mais. O que antes era ouro, será pó. E o inverso emergirá. O peso de cada nação no cenário mundial será outro. Nenhum país sairá ileso, nem minimamente afetado. A porrada será um gancho de direita na ponta do queixo. Nocaute. Game is over!

Pandemônio! Mas quem é o demônio? Para quem leu meus textos publicados em 2019, sabe que cunhei o termo "era digitrônica" numa tentativa de rotular, sintetizar, as mudanças que estamos vivendo, principalmente, nestes últimos 10 anos. Pandemias não são novidade na humanidade. O que é novo, então? A velocidade, a universalidade da disseminação da informação sobre um fato e as infinitas versões sobre ele distribuídas pelas redes sociais. Voltemos 50 anos e imaginemos o mesmo vírus, na mesma China, na mesma Wuhan. Sem a digitrônica o vírus mataria algumas pessoas, tal como o Aedes e similares, por exemplo. As autoridades tomariam as medidas de praxe, semanas depois algum chinês infectado iria para a Itália, transmitiria para um italiano desavisado, e um mês depois diversos velhinhos teriam morrido, exceto um que não morreu e veio visitar a neta no Brasil e o resto seria história de mais uma pandemia mundial como tantas outras.

As pessoas não se importam de morrer. Elas estão em pânico pela hipótese remota de virem a falecer por causa do Covid-19!!! Pelo menos é o que deduzo vendo a reação das pessoas à minha volta. Não se importam de morrer de acidente de automóvel (a cada 1 hora 5 pessoas morrem em acidente de trânsito, ou seja, 60 pessoas por dia no Brasil). Em 2019, foram 1109 mortes por gripe!!! Em 2018 foram 157 homicídios por dia neste nosso país varonil!!! Aqui, em média, 15 pessoas morrem por desnutrição por dia! Ah! Mas isso não me atinge!!! Não vale.

Se você está pensando que estou aqui anunciando o apocalipse, ou, como acreditam algumas pessoas, que o fim do mundo está próximo como previsto na Bíblia (é o que dizem, não sei, não li), não é culpa sua, e sim, minha, proposital. Minha intenção é provocar a reflexão sobre o que é razoável, sobre o que tirar de proveito desta merda toda. Quer ver uma? Toda essa campanha de lavar as mãos, se realmente isso for eficiente contra a disseminação de vírus, a médio e longo prazos teremos uma redução incrível no número de infectados por viroses!!! Coronavírus é ruim, mas isso é bom!

Finalizando, não tenho a mínima dúvida de que o mundo será outro. Muitos e muitos padrões reinantes até aqui nas relações entre humanos e nações será profundamente alterado. Tenho 70 anos. Estou na faixa de altíssimo risco (mais de 20% sucumbem à virose). Mas não vou deixar de viver cada dia desta vida que é algo absolutamente fantástica!

Premonição de Raul Seixas
(Obrigado meu irmão Mauricio Nogueira)