16/10/2020

MUNDO NOVO, ADMIRÁVEL OU ABOMINÁVEL? - O EMISSOR

Fui emocional e intelectualmente arrebatado pela internet no 2º semestre de 1995 e imediatamente me tornei um usuário intenso. Já em 96, criei uma lista de distribuição chamada INTERNET MARKETING(1) onde, por cerca de 5 anos, publiquei artigos refletindo sobre os diversos novos conceitos e práticas que a tecnologia trazia para a vida cotidiana. Em 97, como consequência dos artigos ali publicados, fui um dos articulistas da revista INTERNET BUSINESS(2) recém criada.  Meu primeiro artigo, com o título "A grande onda que vai passar"(3), foi publicado no número 1, onde fui sarcástico e provocativo com os empresários que resistiam à "onda passageira": "Não tenho discordado. Apenas os tenho alertado para que não sejam pegos distraídos à beira da praia. Por ser grande, ela vai passar levando tudo que encontrar pela frente". Relendo, constato que fui premonitório nesta e em outras passagens, mas, se fiquei aquém da realidade de hoje, 24 anos depois, fui além e onisciente ao destacar que "Neste meio eu sou a mensagem", um corolário à tese de que "o meio é a mensagem" feita por McLuhan em 1967.

Neste 2020, chegamos, na minha percepção, a uma outra consequente e conclusiva realidade, qual seja a de que se o emissor da mensagem é o detentor do poder (é o que McLuhan apontava), e se neste meio eu sou a mensagem, então "neste meio eu sou o poder". Mas qual a dimensão deste poder? Se eu o tenho, você também o tem? E que outros o têm?

Obviamente não enxerguei a dimensão que tal realidade alcançou a partir da prática do poder de se divulgar opiniões sobre qualquer coisa para um contingente de destinatários sem endereço – simplesmente “postando” - que pode ir de um até milhões deles, sem que o emissor tenha o mínimo de controle sobre tal consequência.  Além disto, cada receptor se transmuta em re-emissor e tem, portanto, um poder de disseminação que potencializa o tamanho da “audiência” final, se é que um final possa existir. A tecnologia que permite tal realidade está instalada em todo aparelho de celular nas mãos dos mais diferentes humanos, com os mais diversos interesses, com os mais esdrúxulos princípios e sentimentos, tudo com a proteção enganosa, frágil, do anonimato da "Grande Rede", sob a batuta orquestral da Inteligência Artificial (IA), entidade metafísica resultante do processamento de algoritmos elaborados com fins mais ou menos conhecidos, ou totalmente desconhecidos, rodando em bancos de dados distribuídos numa grande nebulosa vagando nas forças gravitacionais de um universo digital sem leis, sem controle, sem caráter. 

O emissor autônomo, subordinado exclusivamente aos seus impulsos, saudáveis ou doentios, pode elaborar qualquer coisa. Pode construir, com boas ou más intenções, falsos fatos; pode atribuir a outrem o que outrem não disse ou fez; pode editar/manipular fotos e vídeos falseando-os para contar uma narrativa imaginária, irreal; pode vomitar suas frustrações destruindo reputações; pode induzir crédulos a adotarem opiniões e atos inconsequentes ou mesmo criminosos com a garantia de que os receptores não terão o tempo e/ou as ferramentas para checar/questionar o conteúdo; pode cooptar, atrair, os mais suscetíveis, os mais frágeis (principalmente crianças e jovens adolescentes) para visões de mundo e de vida perigosas - para si mesmo ou para outrem - ou utópicas, sugestões que poderão levar alguns a atos extremos que vão do suicídio ao extermínio aleatório de pessoas como já visto em anos recentes em várias regiões do mundo. Basicamente tudo isso já era feito antes. Principalmente por governos ditatoriais. As diferenças agora são: pode ser feito por qualquer um; pode ser feito instantaneamente; pode atingir um número infinito de indivíduos; a informação falsa não pode ser contestada, nem desconstruída (o direito de resposta até existe, mas como chegar às mesmas pessoas?), e nem mesmo há tempo para evitar suas consequências; e é possível, mas é muito difícil, em grande parte dos casos, identificar e chegar ao autor.

A comunicação interpessoal de registro perene (escrita, impressa), até o final do século XX dependia de um meio físico (papel) e de uma logística de distribuição (correios), uma combinação que além de demandar um tempo longo para chegar ao destinatário, permitia que o emissor refletisse na elaboração da mensagem, a revisasse e, até mesmo, desistisse do seu envio. Este processo foi exterminado por uma comunicação digital imediata. Para nós, avós, em não sendo necessária para a vida profissional, a tecnologia digital é algo que temos que aprender a usar, pois faz parte de nossa vida cotidiana e a cada dia ganha mais relevância em nossos relacionamentos (damos bons dias como nunca antes, invocamos Deus para diversos desejos, fofocamos, distribuímos bobagens e, basicamente, reenviamos piadas às vezes de gosto duvidoso). Para nossos filhos é ferramenta básica não só de inserção nas comunidades profissionais, como para a a distribuição de mostruários, comunicação de feitos, entrega de serviços. E para nossos netos, a Era Digitrônica (ED) é a única forma de vida que conhecem (mal) de interação com o mundo, com o outro, mas que, por ser absolutamente nova e por ter uma estrutura anárquica, incontrolável, eles estão à deslumbrados com os "felipes netos" e outras celebridades da Rede, o que lhes dá uma visão ilusória de uma vida improvável de vir a ser realidade. Neste novo mundo digitrônico as regras principais para o emissor, são: tudo me é permitido, posso expor minha intimidade sob uma pretensa privacidade, sobre tudo posso opinar desde que minha opinião esteja de acordo com a bolha em que o tema está inserido, e, em contrapartida, a todos fora da bolha posso ofender/caluniar sob um duvidoso anonimato.

Nossos jovens adolescentes, entre eles meu neto de mal completados 15 anos, se gabam do número de seguidores de seus ditos e feitos postados em seus canais do Youtube. Minha neta de 10 anos dá dicas de roupa e maquiagem em seu Facebook. Nossos jovens pais expõem fotos de eventos familiares (uma autêntica “autofagia da privacidade”) e contam (e exageram) seus feitos diários sempre com sorrisos de falsa felicidade estampados em seus rostos higienizados e maquiados. Quase tudo é falso, quase tudo é para construir um outro que não somos. Quais os limites? Se tenho o direito de postar, devo postar? Passar de um emissor medíocre e restrito ao círculo familiar, de amizades e profissional para se tornar um emissor universal, este é o processo mais relevante em nossos dias, mas também é o mais fácil de ser aprendido.

Tentar ser um “bom receptor” é a tarefa que se apresenta para nós como sendo a mais difícil e a mais importante para a construção e manutenção de nossa integridade moral, ética, cultural e psicológica. É o que vou tratar na postagem da próxima semana.



(1) "Lista de distribuição" era um recurso dos programas de e-mail que funcionava como uma lista de assinantes que ficava sediada no servidor do provedor de acesso e que me permitia distribuir um artigo para os assinantes bastando fazer um envio para o emeio da lista e todos o receberiam.

(2) Acesse todos os artigos nesta página de meu blog pessoal: 

http://wikiconomia.blogspot.com/p/textos-sobre-marketing-administracao-em.html

A publicação foi descontinuada em 2001.

(3) Acesse o artigo nesta página de meu blog pessoal: 

http://www.sendme.com.br/EXTRATOS/InternetGrandeOndaQueVaiPassar1997-08-15.htm 



















11/09/2020

MUNDO NOVO, ADMIRÁVEL OU ABOMINÁVEL? - INTRODUÇÃO


Aldous Huxley

Neste 2020, recordar, reler, citar ou referenciar George Orwell (1984) ou Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo), tornou-se corriqueiro, quase obrigatório, argumento de apoio para a previsão de um futuro admirável ou abominável, a depender da utopia individual mais conveniente.


George Orwell

No cerne de nossas preocupações estão duas ficções que se completam para formar a realidade atual, ou quase. Uma delas é a previsão de Huxley, feita em 1932, que imagina um futuro - ainda hoje longínquo, pois o situa por volta de 2500 -, onde a sociedade, ou mais acuradamente, um poder tirânico estabelecido, desconstroi a família e seus valores morais em proveito da exaltação da luxúria e do prazer hedonista em primeira e última instância. Orwell, em 1947, já projetando o que os avanços tecnológicos produzidos pelas demandas da guerra iriam trazer para a humanidade, de um lado aprimora a visão de Huxley adicionando a existência de um "grande irmão" que tudo vê e, por ver, julga nossos atos e intenções, e nos pune a seu único critério, e de outro lado reduz em 500 anos o momento em que o futuro se torna presente.

Huxley, provavelmente ancorado nas consequências da crise de 1929, tece sua história, na minha interpretação, a partir de um forte sentimento de receio, de apreensão, e um pessimismo sarcástico (o "admirável" nada tem de admirável) para dar um toque de alento e não assustar seus possíveis leitores (não se preocupe, vai ser só daqui a 500 anos!). Já Orwell elabora sua tese a partir de uma visão prática, baseada no raciocínio de que, se ao 1 sempre segue o 2, então, inexoravelmente, se existe uma tecnologia que pode vigiar, seremos vigiados

Ficções não precisam ter fidelidade à história, à ciência, à experiência, a fatos, a nada. Ficção é... ficção, imaginação, desejo, sonho, por mais estapafúrdia possa ser. Se Orwell errou na forma - não existe hoje um grande controlador, mas gadgets eletrônicos aos quais entregamos, prazerosa e gratuitamente, desde  nossos cliques mais inocentes até nossos mais recônditos segredos e questionáveis preferências -, e se Huxley errou na data, ambos acertaram no conteúdo: o discurso de destruição dos valores conservadores e demonização dos princípios liberais. 


Em todo o mundo ocidental os movimentos de pressão são por criar mais e mais cerceamento às nossas liberdades, tendência que sofreu um gigantesco empurrão dado pela pandemia da COVID-19, liderada pela China e através das ações da OMS, sua agente comunista infiltrada na ONU. No Brasil ainda temos a particular ação do STF com seu "inquérito das fake news", ou do "fim do mundo", e do Congresso com sua CPI das  "fake news" que ninguém tem a menor ideia de como combater pois não se combate aquilo que não se vê, ou não se define. Tornou-se, consequentemente, a CPI "do nada", para efeito de "coisa nenhuma".

Se estamos mergulhados neste lado insano da realidade digitrônica e nos aproximando da sociedade do Grande Irmão onipresente, onipotente e onisciente graças aos algoritmos rodando em imensos bancos de dados que avaliam e projetam nosso comportamento e desejos, e se isto é fato, estamos, também, sendo agraciados com uma tecnologia que facilita a nossa vida em muitos e múltiplos aspectos: avalie sua comunicação interpessoal e veja como ela mudou, como ela nos aproximou ao longo desta absurda e interminável quarentena; como ela nos empoderou no enfrentamento do domínio cultural exercido pela tradicional e grande mídia, em especial pelas mídias dos grupos Globo e Folha; considere o poder de obtenção de informação que passamos a ter antes de termos que tomar qualquer decisão; e as tantas e tantas viagens que podemos fazer pelo mundo sentados em nosso sofá acessando o conteúdo gratuito do Youtube, ou assistindo filmes, documentários  e séries da Netflix a 24,90.

Quando, por alguns reais e 99, centavos temos acesso à rede mundial, ao mesmo tempo permitimos que anônimas pessoas, físicas e jurídicas, bisbilhotem absolutamente tudo sobre o que pensamos, sentimos, escrevemos, compramos, de quem, quando, onde e por quê, sem que nos informem quando o fazem e com quais finalidades.

Desde os primórdios a estrutura do que conhecemos como "a civilização" teve como alicerce e centro os que detinham o poder, ou seja, aqueles que assumiam o custo de oprimir, amedrontar, controlar (governar e democracia são os termos mais hipocritamente palatáveis), enquanto os demais sempre  adequadamente instados à submissão, ao medo, à covardia, sem voz, sem vontades, sem desejos, optantes involuntários a darem-se por satisfeitos em estar e permanecer vivos. Isto já não é mais tão assim.


A história da civilização, portanto, é a trajetória de dois grupos de humanos antagônicos, mas interdependentes, que vem desde um primeiro estágio onde ambos desconheciam o que se passava dentro da cabeça do outro, até os nossos dias quando contínuos recursos de comunicação encurtam este distanciamento ao oferecerem, cada dia mais, e mais rápido, acesso ao conhecimento das intenções e estratégias de cada um. Parte deles foram: o cavalo, a roda, a navegação, a prensa de Gutemberg , a máquina a vapor, a mídia impressa, a eletricidade e a consequente luz elétrica, a telefonia fixa, o rádio, o motor a combustão, o gravador de áudio,  a eletrônicacomputaçãoa televisão, o vídeo tape,  a internet, a telefonia celular, e, last but not least, as redes sociais. Neste percurso, o poder foi suavemente passando de algoz a vítima. Até recentemente, enquanto aumentavam os recursos do cidadão para questionar os detentores de todos os poderes, estatais ou privados, pois eram eles que ditavam (produziam e distribuiam) o conteúdo de acordo com suas necessidades de manter o controle, o fluxo de informação que, por séculos, só corria em uma direção, ganhou uma via em sentido inverso graças a uma tecnologia que a cada nova descoberta incrementa o fluxo e a velocidade do tráfego e graças a Tim Berners Lee, criador da World Wide Web, a grande teia mundial, empoderando a população - antes passiva e subjugada - com uma ferramenta capaz de confrontar as oligarquias e por em dúvida a capacidade de o modelo atual de democracia dar conta (que, por 2 séculos, serviu de biombo, ou verniz de legalidade, para as arbitrariedades, e até mesmo atrocidades, para garantir a perpetuação delas no poder), pois até onde se percebe ele se mostra impotente e paralisado, incapaz de gerir o caos provocado por bilhões de vozes dissonantes cujo resultado é a união no radicalismo superficial na tese, onde podem concordar minimamente, e raivoso na ação, onde podem divergir, agredir e se destruírem mutuamente.

Refletir sobre o mundo de hoje e projetar um amanhã possível e que já se avizinha, é o que pretendo fazer no intuito de me entender neles e dar alguma contribuição para você fazer o mesmo.

Para complementar:

Fonte: XP Investimentos: "Hoje, para cada criança jogando futebol, basquete, baseball e futebol americano no mundo, há 6 outras jogando videogames."  


"O mimo crescente nas universidades", uma crônica de Rodrigo Constantino em . Vídeo de 1h:45. Quem tem filhos nas universidades deve assistir desde o começo, e quem tem filhos menores pode pular para 1h:00.

RESENHAS DE 1984 

Feita por Ayone Simões, em 2016:.

- Feita por Paulo H. S. Pirasol, em 2020.   

RESENHAS DE ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

- Longa, feita por Ignácio Ramonet, atualizada em 2019. 

- Mais simples, feita por Layara Baltokoski,  de 2015.  

 

13/08/2020

NOSSO STFH

Muitos já apontaram, mas aqui vou fazer um apanhado das provas de que nossa mais alta corte é, na realidade, o Supremo Tribunal Federal da Hipocrisia, para dizer o mínimo, mas que pretendo mostrar que alguns de seus integrantes são inquestionáveis produtores de fake news, quiçá psicopatas de alto grau. Vejamos os feitos dos principais atores.

GILMAR MENDES
Indicado por Fernando Henrique Cardoso

ANTES, em 2016 no plenário do Supremo:

"Praticamente não se conhece no mundo civilizado um país que exija o trânsito em julgado." 


E DEPOIS, em 2019, também no plenário do Supremo:

"Ninguém poderá ser preso se não (...) em decorrência de sentença condenatória transitada em julgado (...)." 

Muito mais, portanto, do que uma escorregada de hipocrisia, uma autêntica produção de fake news. A dúvida que fica é se foi falsa a justificativa de voto de antes ou de depois, ou, provavelmente em ambas ocasiões, pois as duas devem ter sido proferidas a serviço de interesses particulares e inconfessáveis em proveito próprio ou de amigos do "phoder".

Para mim, bastariam esses dois votos para que Gilmar Mendes declarado impedido e defenestrado do STF por tratar com desprezo e escárnio os brasileiros, demonstrando flagrante incapacidade para ser ministro da mais alta corte do país, responsável, portanto, por defender a Constituição.

Vou apenas lembrar que a isso podemos acrescer os atos que justificaram ele ser alcunhado de "laxante de prisioneiro".


Para conhecer um pouco mais sobre Gilmar Mendes, assista este vídeo da série 11 SUPREMOS produzido pelo Brasil Paralelo.


ALEXANDRE DE MORAES
Indicado por Michel Temer

ANTES, em 2017, na sabatina no Senado Federal:

"Reafirmo minha independência, meu compromisso com a Constituição e minha devoção às liberdades individuais. (...) Roubar a liberdade de um homem é tirar-lhe a essência de sua humanidade (...). Digo eu, desaparecendo a liberdade, desaparecerão o debate de ideias, a participação popular nos negócios políticos do Estado, quebrando-se o respeito ao princípio da soberania popular." 

Como avaliar tal discurso ao se comparar com as decisões que ele tomou de invadir residências e prender (e manter presos) cidadãos sem qualquer acusação formal e impedindo advogados de terem acesso aos autos? 

E DEPOIS, em 2018, no plenário do Supremo em outro processo ligado à tentativa de amordaçar a opinião em períodos eleitorais:

"Só há oposição democrática se houver livre acesso às informações, se houver a opção de cada um de, a partir de todas as informações possíveis, criar o seu pensamento crítico e exercer a sua cidadania. No Estado Democrático de Direito, não cabe ao poder público previamente escolher ou ter ingerência nas fontes, nas ideias ou nos métodos de divulgação de notícias. (...) O funcionamento eficaz da democracia representativa, exige absoluto respeito à liberdade de expressão, possibilitando a liberdade de opinião, de criação artística, a proliferação de informações, a circulação de ideias, garantindo-se, portanto, os diversos e antagônicos discursos: moralistas e obscenos, conservadores e progressistas, científicos, literários ou jornalísticos, ou humorísticos, ou satíricos, pois no dizer de Hegel, é no espaço público de discussão que a verdade e a falsidade coabitam. A liberdade de expressão permite que os meios de comunicação optem por determinados posicionamentos, exteriorizem seu juízo de valor, bem como autorizem programas humorísticos, charges, sátiras, realizados a partir de trucagem, montagem, ou outro recurso de áudio e vídeo como costumeiramente se realizam, e, volto, insisto, nas últimas 4 eleições isso normalmente foi realizado sem nenhum prejuízo ao exercício do voto ou exercício da democracia, não havendo nenhuma justifivativa constitucional razoável para a interrupção durante o período eleitoral.  

Mais adiante: 

"São inconstitucionais, portanto, quaisquer leis ou atos normativos tendentes a constranger ou inibir a liberdade de expressão a partir de mecanismos de censura prévia (...).

E a pérola vem no final do voto: 

"Quem não quer ser criticado, quem não quer ser satirizado, fique em casa. Não seja candidato, não se ofereça ao público, não se ofereça para exercer cargos políticos. Essa é uma regra que existe desde que o mundo é mundo. Querer evitar isso por meio de uma ilegítima intervenção estatal na liberdade de expressão, é absolutamente inconstitucional.

Entretanto, DEPOIS, em 15 de abril de 2019, como relator indicado do processo aberto por Dias Toffolli (o "inquérito do fim-do-mundo"), censurou a revista Crusoé pela matéria sobre "o amigo do amigo do meu pai" (codinome de Toffolli nas planilhas da Odebrecht) alegando

"Haver claro abuso no conteúdo da matéria veiculada."

E mais, DEPOIS, em 2020, atenta contra tudo e todos mandando vasculhar residências e prender cidadãos por manifestarem em redes sociais opiniões que classificou ofensivas, oriundas de um suposto "gabinete do ódio" - isto sem apontar quais foram tais declarações.

O princípio fundamental da democracia, que em nossa constituição está expresso no parágrafo único do artigo 1º como "Todo o poder emana do povo (...)" foi, jogado na lata do lixo por Alexandre de Moraes que, em busca de atingir a suprema tirania do STF, atinge o ápice de seus delírio em agosto de 2020 dando a seguinte declaração:

"Quando houver conflito entre a maioria e as minorias, conflitos decorrentes de uma predição (?) do direito, de uma garantia fundamental, há necessidade de um árbitro, há necessidade de um órgão parcial (sic) para analisar. Madison, aquele que foi o 4º presidente dos Estados Unidos, um dos articulistas (sic) dos federalistas, Madison dizia [é o que ele afirmou] "toda tirania deve ser afastada [menos a dele, óbvio] inclusive a tirania da maioria".

Fica evidente, portanto, se tratar de um indivíduo psicopata e bipolar, a reger seus votos no supremo tribunal e a exemplo de Gilmar Mendes, deve ser impedido de fazer partge do STF.



Para conhecer um pouco mais sobre Alexandre de Moraes, assista este vídeo da série 11 SUPREMOS produzido pelo Brasil Paralelo.


LUÍS ROBERTO BARROSO
Indicado por Dilma Rousseff

ANTES, em 30/7/20, em live que o "magistrado" se dispôs a fazer com o "imitador de foca" e "perversor de menores", afirmou que: 

"O judiciário só residualmente consegue enfrentar as fake news. Por 3 razões.  A primeira: a  simples qualificação do que seja fake news é difícil e o judiciário não pode e não deve querer ser o censor do debate público. (...) O segundo problema é que os ritos do judiciário são incompatíveis com as velocidades que as notícias circulam na rede social, portanto a gente não conseguiria chegar a tempo. Em terceiro, muitas vezes as notícias fraudulentas vêm de servidores de computadores que estão fora do Brasil e a gente não tem jurisdição extra-territorial. (...) O principal protagonista do enfrentamento das fake news tem que ser as mídias sociais e os próprios aplicativos usando mecanismos tecnológicos que podem enfrentá-las sem controle de conteúdo. Pode enfrentar os comportamentos inautênticos, usos abusivos de robôs, uso de perfis falsos, uso de (???) ilícitos. (...) O segundo protagonista deve ser a imprensa profissional capaz de separar fato de opinião e filtrar essa grande quantidade de barbaridades que circulam. E em terceiro lugar (...) é a conscientização da sociedade (...).

DEPOIS, em 12/8/20, não sei motivado por que, declara:

"Não podemos fechar os olhos para milícias digitais."

E deu a seguinte explicação:

"A propagação das “fake news” coloca em risco o sistema democrático brasileiro. A liberdade de expressão é um valor essencial e que deve ser preservado, mas não podemos fechar os olhos para as campanhas orquestradas e financiadas de destruição das instituições por milícias digitais, por terroristas verbais quando não por simples psicopatas que são incapazes de conviver com o debate público feito de argumentos e precisam se valer da ameaça, da violência e da criação de uma rede de notícias fraudulentas que compromete o direito de informação e a formação da opinião de todas as pessoas”.

Barroso é seletivo quando aponta apenas o que ele chama de "milícias digitais" que atacam as instituições, mas não se incomoda com as "milícias" que infestam as redações da grande mídia, impressa, televisiva e radiofônica.


Para conhecer um pouco mais sobre Luís Roberto Barroso, assista este vídeo da série 11 SUPREMOS. produzido pelo Brasil Paralelo.



CELSO DE MELLO
Indicado por José Sarney

ANTES, em 2018, no plenário do Supremo, sendo ele o relator do processo:

“Nenhuma autoridade, mesmo a autoridade judiciária, pode prescrever o que será ortodoxo em política ou em outras questões que envolvam temas de natureza filosófica, ideológica ou confessional, nem estabelecer padrões de conduta cuja observância implique restrição aos meios de divulgação do pensamento”. E mais adiante: "O riso e o humor são transformadores, são renovadores, são saudavelmente subversivos, são esclarecedores, são reveladores. É por isso que são temidos."

DEPOIS, em 22 de maio de 2020, libera, sob argumentos não claramente revelados, libera a quase totalidade da gravação da reunião ministerial de 23 de abril, na clara pretensão de ver o circo pegar foto. O tiro saiu pela culatra como o Brasil inteiro pode constatar e para infelicidade e decepção dos esquerdopatas.

Só há uma razão por trás de tal desatino de um ministro da Suprema Corte: prejudicar politicamente o Presidente da República. Na minha terra atitudes desse teor a gente chama de "canalhice".

Não satisfeito, logo DEPOIS, em 31 de maio de 2020, compara o Brasil à Alemanha de Hitler, fingindo não perceber que o autoritarismo com inspiração fascista graçava, e graça no STF através do inquérito SIGILOSO das fake news. Disse ele:

"Intervenção militar", como pretendida por bolsonaristas e outras lideranças autocráticas que desprezam a liberdade e odeiam a democracia, nada mais significa, na novilíngua bolsonarista, senão a instauração, no Brasil, de uma desprezível e abjeta ditadura militar!!!"

Que "bolsonaristas" são estes? Quais são essas "outras lideranças autocráticas"?

É evidente a intenção de misturar tudo numa grande sopa para que as partes não sejam identificadas. Isso fica claro ao acusar "lideranças autocráticas que desprezam e odeiam a democracia" que ele não identifica.

O mais antigo ministro do STF (reverenciado como "decano"), finge, em seu interesse político, não distinguir reais ameaças de palavrório simplório de gatos pingados radicais, mas de manifestação direta da insatisfação, e mesmo desprezo, que boa parte dos brasileiros sente em relação à quase totalidade dos ministros da suprema corte.


Para conhecer um pouco mais sobre Celso de Mello, assista este vídeo da série 11 SUPREMOS produzido pelo Brasil Paralelo.

CARMEM LÚCIA
Indicada por Lula.

A ministra merece uma consideração de minha parte antes de apontar uma certa incoerência. Quanto à liberdade de expressão, até aqui ela se manteve íntegra. Vejam dois momentos passados.

ANTES, em 2018, presidindo a sessão plenária, e após o encerramento do voto de Alexandre de Morais (relatado acima), e em apoio às argumentações dele, acrescenta: 

"Antes de passar a palavra, faço a observação de que se a crítica fosse só na rua... mas, por exemplo, na minha casa minha família critica mais que todo mundo. (...) E não é saindo de casa que alguém vai se resguardar de crítica."

DEPOIS, em abril de 2019, se associando à nota de Celso de Mello condenando (sim, ele teve esse arroubo) a censura imposta à revista Crusoé por Alexandre de Moraes (a mando de Dias Toffolli, lembremos), disse:

"A censura é a mordaça da liberdade. Quem gosta de censura é tirano. Quem gosta de censura é ditador."

Até aí, portanto, a ministra parece compor a minoria (junto com Marco Aurélio de Mello) que se mantém crítica aos autoritarismos de Mendes, Toffolli e Moraes. Entretanto, no caso do julgamento da prisão em segunda instância, percebo uma certa incoerência na decisão tomada logo 15 dias após o julgamento, quando entendo ela deveria ter se declarado impedida: 

ANTES, em 7 de novembro de 2019:

"A eficácia do direito penal afirma-se, na minha compreensão, pela definição dos delitos e pela certeza do cumprimento das penas. Se não se tem a certeza de que a pena será imposta, de que será cumprida, o que impera não é a incerteza da pena, mas a certeza ou pelo menos a crença na impunidade." 

Mas DEPOIS, em 22 de novembro de 2019:

Determina "ao Tribunal Regional Federal da Quarta Região" que "analise, imediatamente, todas as prisões decretadas por esse Tribunal (...) e a coerência delas com o novo entendimento deste Supremo Tribunal, colocando-se em liberdade réu cuja prisão tiver sido decretada pela aplicação da jurisprudência, então prevalecente e agora superada."

Ou seja, tendo sido voto vencido como apoiadora da prisão em 2ª, entendo eu que, moralmente, ela deveria ter se abstido de fazer tal determinação ao TRF-4.

Para conhecer um pouco mais sobre Carmem Lúcia, assista este vídeo da série 11 SUPREMOS. produzido pelo Brasil Paralelo.

LUIZ EDSON FACHIN
Indicado por Dilma Rousseff

ANTES, em junho/20, em palestra sobre direito e COVID-19, Fachin defendeu tolerância, inclusão e pluralidade como princípios inerentes ao processo democrático, mas ressalvou que:

“Chamar para si a liberdade de expressão para atentar contra a liberdade de expressão é ser tolerante com os intolerantes”.

E logo DEPOIS, em julho de 2020, identificou algo que chamou de "abuso de poder religioso" na política como um motivo para cassação de mandatos, assim justificando:

"A imposição de limites às atividades eclesiásticas representa uma medida necessária à proteção da liberdade de voto e da própria legitimidade do processo eleitoral, dada a ascendência incorporada pelos expoentes das igrejas em setores específicos da comunidade".

Pois bem, para Fachin devemos, em primeiro lugar, ter tolerância, mas só com os ateus, com os religiosos... pau neles. Em segundo, para ele somos todos idiotas facilmente manipulados. Em terceiro, a considerar "ascendência" intelectual de uns sobre outros, ele descarta que a formação de nossas opiniões têm como "ascendentes" o papel de todas as mídias, de todos os livros, de todos os filmes, de toda a nossa educação familiar e escolar, e de todas as personalidades da vida pública que são vistas como líderes em seus segmentos de atividade!!!

DEPOIS, em 8 de julho de 2020, Fachin mostra que tem seus lampejos de serenidade. Declarou ele em evento em Curitiba: 

"Juis algum tem uma Constituição para chamar de sua. Juiz algum tem a prerrogativa de fazer de seu ofício uma agenda pessoal ou ideológica." Terá sido um recado para Gilmar e Alexandre?

Mas, DEPOIS, em 17 de agosto de 2020, portanto cerca de 40 dias após, em outro evento, declara esta pérola para ser registrada nos anais da democracia brasileira: 

“As eleições presidenciais de 2022 podem ser comprometidas se não houver consenso em torna das instituições democráticas. (...) “O futuro está sendo contaminado de despotismo e lamentavelmente nos aproximamos de um abismo”. 

A exemplo de outros de seus colegas, aponta o dedo para anônimos (futuro contamiado por quem?) e faz previsões sem apontar fatos que as justifiquem ("nos aproximamos de um abismo").

Mas Fachin não achou suficiente. Ele não poderia perder a oportunidade de, estando sob foco de atenções em um tal Congresso Brasileiro de Direito Eleitoral, revelar sua imparcialidade como juiz da suprema côrte usando a retórica esquerdopata ressentida dos perdedores:

A candidatura de Lula, um político condenado por corrupção em 2ª instância, "teria feito bem à democracia".

Encerrando, o que você viu acima, é a junção fantástica de hipocrisia com psicopatia, e manipulação da linguagem em proveito exclusivo de suas percepções emocionais.


Não tenho ilusão quanto ao futuro das repúblicas regidas pelos princípios fundamentais que alicerçam o sistema democrático. Torço para que num futuro que não consigo identificar, a tecnologia que nos permite enxergar um "admirável mundo novo" não venha se tornar num "abominável mundo novo" (sobre isto, tratarei na próxima postagem).



Para conhecer um pouco mais sobre Luiz Fachin, assista este vídeo da série 11 SUPREMOS produzido pelo Brasil Paralelo.


DIAS TOFFOLI
Indicado por Lula.

Quanto a este, não há nada a acrescentar ao currículo do ministro em vídeo da série os 11 Supremos feito pelo Brasil Paralelo em agosto/2020.






LUIZ FUX 
Indicado por Dilma Rousseff

Assumirá em setembro a presidência da côrte em lugar de Dias Toffoli.

Assista ao vídeo sobre seu currículo produzido pelo Brasil Paralelo na série os 11 Supremos.






ROSA WEBER
Indicada por Dilma Rousseff

Saiba mais sobre a ministra no documentário do Brasil Paralelo.









RICARDO LEWANDOWSKI
Indicado por Lula.

Para conhecer um pouco mais sobre Ricardo Lewandowski, assista este vídeo da série 11 SUPREMOS produzido pelo Brasil Paralelo.



MARCO AURÉLIO MELLO
Indicado por Fernando Collor de Mello.


Para saber como era ANTES, assista ao vídeo sobre seu currículo produzido pelo Brasil Paralelo na série os 11 Supremos.

DEPOIS, hoje, se apresenta como voz dissonante na côrte, apontando decisões arbitrárias e tendenciosas tomadas por seus pares. Em agosto/20, corroborou o que já sabíamos:

“Como já disse em sessão do caso Abin, o Supremo está sendo utilizado pelos partidos de oposição para fustigar o governo. Isso não é sadio. Não sei qual será o limite.”

FONTES:
Alexandre Garcia, em 11/08/20 (Vá direto ao minuto 6:55)
No Pingo nos Is, a avaliação sobre a multa a Gilmar Mendes que seremos, nós, os contribuintes, que irão pagar.
No Pingo nos Is de 12/08/20 a avaliação da declaração de Alexandre de Moraes propondo que o STF faça o papel de regulador "da tirania da maioria".
Augusto Nunes mostra quem é Dias Toffolli.
Augusto Nunes sobre a declaração de Gilmar Mendes sobre as Forças Armadas.
No Pingo nos Is avaliação da fala sobre "tirania da maioria" feita por Alexandre de Moraes.
O voto de Alexandre de Moraes em 2018 e citações de outros ministros.
O que Barroso diz sobre Gilmar Mendes em plenário do Supremo. (Vá direto ao minuto 1:50)
Avaliação de Josias de Souza sobre Dias Toffolli na censura à Crusoé.
A divergência entre Marco Aurélio Mello e Gilmar Mendes.
Camem Lúcia, no plenário do supremo.
Rodrigo Constantino comenta o convite recebido para falar na Câmara dos Deputados sobre o projeto das fake news. (Vá direto ao minuto 5:30)
Para quem quiser saber mais sobre Gilmar Mendes e aonde ele pretende chegar, assista estes dois vídeos do Pingo nos Is: https://www.youtube.com/watch?v=c6znlUTHGZE e https://www.youtube.com/watch?v=cfjNrMxVsik


16/07/2020

O PRESENTE E O FUTURO DAS REDES DE TELEVISÃO

Sentado no meu sofá,  subjugado por uma quarentena imposta pela incompetente parceria OMS/China/Governadores/Prefeitos, entediado na minha décima oitava semana de confinamento, assisto pelo Youtube a conteúdos de minha livre escolha, idem para filmes na Netflix. Se assistir canais abertos não faz parte da minha vida há muitos anos, manter uma assinatura na TV paga se justificava exclusivamente pelo futebol, já que a partir da posse de Bolsonaro o jornalismo dos principais canais fechados ficou a serviço da militância de esquerda, gerando factóides para vingança dos perdedores que foram devida e oportunamente defenestrados do Estado e estão revoltados com o fato das torneiras da corrupção terem sido fechadas. Mas eis que veio o Corona. O futebol ficou suspenso por 4 meses e um tal de Jair Messias canetou um decreto acabando com o monopólio da Globo, e por extensão, de qualquer outra emissora. Pergunta-se: como ficará a mídia televisiva depois que a maioria da classe média consumidora se certificar de que os canais de internet dão conta com muito mais vantagens de nos suprir com informação e entretenimento?

No Youtube eu tenho a meu dispor jornalistas, analistas políticosn e financeiros, blogueiros de infinitos conteúdos (cozinha, marcenaria, medicina de todas as especialidades, astronomia, vídeos de todos os lugares do mundo, aulas das mais diversas especialidades etc. e tudo isto no meu horário, na minha ordem, podendo dar pauses, avanços, retrocessos, sem precisar me preocupar em ter que gravar pois tudo estará lá sempre. O que pode haver de melhor? Quem precisa dos jurássicos canais de TV?

Na Netflix, a 24,90 mensais, acesso filmes, documentários e séries. Recebo sugestões de acordo com o que já assisti e, como no Youtube, com os mesmos recursos de operação,e,  de novo, tudo sempre estará lá à espera da minha conveniência. O que mais preciso?

A partir desta realidade ululante, em minha humilde opinião, a Globo está se preocupando com o adversário errado. A cúpula do, ainda mas talvez por pouco tempo mais, maior grupo de comunicação do país precisa rapidamente redirecionar sua artilharia para estas novas tecnologias e esquecer Bolsonaro, pois, o mais provável,considerando a queda de audiência gradativa e consistente, é que ela mesma não venha a ter mais tanto interessse em renovar sua concessão. Veja print a segir e se quiser saber mais acess este link.   


Ou seja, o streaming veio para ficar e dominar. A televisão, aberta ou fechada, continuará a ter sua audiência reduzida até o dia em que mudará seu modelo de conteúdo e de comercialização para atender um determinado nicho de mercado, tal como, por exemplo, aconteceu com o rádio.

Só que não há impunidade neste processo. Já em 2018, portanto antes de Bolsonaro, a Globo contratou uma consultoria internacional para re-estruturar toda a sua operação (acabou a farra dos globais) pois, não só os lucros vinham apresentando tendência de queda, como as empresas vinham redirecionando suas verbas para outros canais de comunicação. Veja o print a seguir e se preferir veja a  matéria da Meio & Mensagem
Agora pense um pouco sobre os 4% a menos em 2019 e adicione para 2020 as consequências da pandemia! As pessoas descobrindo a mídia streaming; a perda do monopólio das transmissões do futebol; a perda que seguramente ela está absorvendo pela redução no número de provas da F-1; a óbvia redução dos valores de negociação dos intervalos comerciais em função da queda de audiência; etc.

Finalizando, a exemplo do que milhares (dezenas de, centenas de?) já fizeram, estou em meus preparativos finais para providenciar o cancelamento de minha TV por assinatura. E sua experiência/vivência como está sendo? Comente aqui.,


Veja a matéria do print acima aqui.


25/06/2020

EU E MEUS AMIGOS FASCISTAS


A receita de torta "mata-fome"(*) política, sem autor identificado, mas cujo gosto está merecendo aprovação de um contingente de seres supraterrestres (porque se acham acima de "nosoutros"), leva ingredientes da digitrônica, da modernidade líquida, do politicamente correto (sic), da pós-verdade, das narrativas invertidas, de psicopatia crônica e de canalhice sem qualquer pudor em se mostrar.

Eu e meus amigos... "fascistas", achamos que as bases da democracia precisam ser revistas com o propósito de que boa parte de seus princípios dogmáticos sejam analisados sob a luz e lupa da digitrônica. Nós achamos que não dá para se ter estabilidade de governança em uma era em que a vontade de grupos radicais tem canais de manifestação capazes de perturbar a condução do país de tal modo que resulta em uma imobilização do poder executivo, paralisando a nação, prejudicando irremediavelmente a grande maioria da população, em única subserviência ao objetivo da retomada do poder por terem seus interesses escusos contrariados.

Eu e meus amigos... "fascistas", temos um entendimento de que eleições são, até aqui, o principal instrumento para identificar a vontade de uma maioria em um determinado momento através de um processo eleitoral cujo resultado deve ser respeitado pelo tempo aprazado legalmente e de antemão. Nós acreditamos que, até as próximas eleições, é lícito que os derrotados em um pleito se organizem em grupos de oposição e ofereçam alternativas de solução de problemas sempre que as ideias e ações do governo empossado  estejam em desacordo com suas crenças, utopias e convicções. Mas é fundamental aceitar que a democracia é um regime que lida em sua essência com a alternância de poder. Aqueles que não aceitam essa condição devem abrir mão de discursos "a favor da democracia" e, sem hipocrisia, proclamar em suas faixas o desejo real de implantação de uma regime ditatorial, quiçá totalitário. 

Por falar em convicções, eu e meus amigos... "fascistas", temos a firme convicção de que a "independência harmônica" dos três poderes, é cláusula pétrea de nossa Constituição, mesmo ela sendo de viés estatista, socialista e anti-liberal, características que não a invalidam como Carta Magna a que todos devemos nos submeter até que algumas PEC's ou nova Assembleia Constituinte a venha alterar ou substituir.

Meus amigos e eu, "fascistas" que somos, mesmo uns e outros ateus de prática ou discurso, cremos fervorosamente que um governante eleito só possa ser impedido de exercer seu mandato se cometer um ato absolutakente inconstitucional e, mesmo assim, depois de todo um processo legalmente conduzido. Eu disse um ato, nunca um pensamento, nunca uma ideia manifesta, nunca por uma frase fora de contexto, muito menos por uma "intenção" atribuída pela interpretação de um adversário. Não aceitamos as arbitrariedades, aqui sim, anti-democráticas de supressão da expressão de opinião, num verdadeiro "cala boca" hoje praticado pelo STF. 

Nós, "fascistas" por rotulagem hipócrita dos que odeiam a diversidade, defendemos uma imprensa livre, sem mordaças, sem rabo-preso, sem dependência de verbas estatais, sem orientação (sic) ideológica a seus repórteres, jornalistas e articulistas, na confecção de seus textos, matérias ou análises das circunstâncias (**).  

Do mesmo modo, pelo mesmo princípio, e ainda sob a obediência à Constituição vigente, somos "fascistas" intransigentes na defesa da liberdade de opinião e manifestação pacífica, seja em ambiente restrito ou público, independente de meio de divulgação, de qualidade do linguajar, limitações morais ou de qualquer outra espécie.

Para nós, "fascistas" sem carteirinha, sem filiação partidária, não obrigados a fazer rachadinha prevista em estatutos de partidos, ou não, professamos que um novo sistema para a escolha dos integrantes do Supremo Tribunal Federal seja criado com base em escolhas de juristas de notório saber não só da Constituição em vigor, como do direito em amplo senso, e, principalmente, cidadãos de conduta comprovadamente ilibada. 

Nós, eu e meus amigos, "fascistas" não praticantes de atos de vandalismo, de agressão física ou mesmo verbal, que acreditamos que o único caminho é o da diversidade de opinião para a construção de acordos que garantam a todos os indivíduos (integrantes de maiorias ou minorias) o direito e a liberdade de conduzirem suas vidas com a única, e absolutamente necessária, proteção do Estado quanto ao exercício dos direitos da plena cidadania que deveriam ser inalienáveis e inquestionáveis. 

Para nós, fascistas de ocasião por interesse de esquerdistas, a torta está pronta, quentinha e sendo servida para quem estiver com o nariz entupido e não percebendo o cheiro esquisito de receita que desandou, e que em vez de mata-fome parece estar causando um desarranjo cerebral. Mas o nosso olfato não está predudicado, pois nós entendemos que no mundo da pós-verdade, onde o que é não é, o que não é talvez seja, não sei; que no mundo da modernidade líquida onde tudo flui tal como água em correnteza de rio, o que hoje seria, já foi, não é mais; que nesta realidade inventada, aumentada, estuprada, não sabemos onde foi parar a ética, a moral, os sentimentos pelo outro (em todas as dimensões que "outro" possa ser considerado); que neste ambiente onde psicopatas crônicos que viveram nas tetas do Estado, mas escondidos nas trevas, nas sombras, no escuro, agora têm uma voz que nunca tiveram; que aqui, agora, somos todos poeira no vento, sem destino, sem controle, sem autonomia, sem vida que possa ser vivida!

Eu e meus amigos "fascistas" tínhamos a certeza, até poucos meses atrás, de que éramos democratas no fundo de nossas almas. Acreditávamos que respeitar e aceitar o decidido era uma consequência dos valores em um Estado Democrático de Direito. Jamais poderíamos imaginar que um dia os sentidos de direção seriam invertidos, onde ser liberal e conservador em geral, passou a ser pensamento fascista, e atacar a propriedade privada, se recusar a aceitar o resultado de eleições livres e tentar por todos os meios derrubar um governao, se tornaram valores de democratas!

Triste momento!

P.S.: Para não pensar que só acontece no Brasil, leia este artigo.

(*) A torta mata-fome é uma lembrança da minha infância. Na confeitaria da família, ao final do dia, sobravam unidades de pães, doces, tortas, cucas etc., que eram todas, ou quase todas (nunca tive conhecimento da receita) colocadas numa misturadeira, onde acrescentavam-se alguns ingredientes, e produzia-se uma massa que ia ao forno virando uma torta cujas fatias eram vendidas a 1 "dinheiro", e faziam a alegria da garotada na hora do recreio.

(**) A CNN, num arroubo hipócrita que eu creio vá para os anais do jornalismo televisivo, criou um quadro chamado "Grande Debate" para esconder o seu total alinhamento esquerdista, onde a apresentadora precisa introduzir o quadro sempre com o seguinte "alerta": "O tema desse quadro é apresentar temas relevantes com visões diferentes sobre o mesmo assunto. Tudo pra que você construa, então, sua  opinião, sua forma de pensar". Tão hipocritamente bonitinho/bonitinha!!!