25/06/2020

EU E MEUS AMIGOS FASCISTAS


A receita de torta "mata-fome"(*) política, sem autor identificado, mas cujo gosto está merecendo aprovação de um contingente de seres supraterrestres (porque se acham acima de "nosoutros"), leva ingredientes da digitrônica, da modernidade líquida, do politicamente correto (sic), da pós-verdade, das narrativas invertidas, de psicopatia crônica e de canalhice sem qualquer pudor em se mostrar.

Eu e meus amigos... "fascistas", achamos que as bases da democracia precisam ser revistas com o propósito de que boa parte de seus princípios dogmáticos sejam analisados sob a luz e lupa da digitrônica. Nós achamos que não dá para se ter estabilidade de governança em uma era em que a vontade de grupos radicais tem canais de manifestação capazes de perturbar a condução do país de tal modo que resulta em uma imobilização do poder executivo, paralisando a nação, prejudicando irremediavelmente a grande maioria da população, em única subserviência ao objetivo da retomada do poder por terem seus interesses escusos contrariados.

Eu e meus amigos... "fascistas", temos um entendimento de que eleições são, até aqui, o principal instrumento para identificar a vontade de uma maioria em um determinado momento através de um processo eleitoral cujo resultado deve ser respeitado pelo tempo aprazado legalmente e de antemão. Nós acreditamos que, até as próximas eleições, é lícito que os derrotados em um pleito se organizem em grupos de oposição e ofereçam alternativas de solução de problemas sempre que as ideias e ações do governo empossado  estejam em desacordo com suas crenças, utopias e convicções. Mas é fundamental aceitar que a democracia é um regime que lida em sua essência com a alternância de poder. Aqueles que não aceitam essa condição devem abrir mão de discursos "a favor da democracia" e, sem hipocrisia, proclamar em suas faixas o desejo real de implantação de uma regime ditatorial, quiçá totalitário. 

Por falar em convicções, eu e meus amigos... "fascistas", temos a firme convicção de que a "independência harmônica" dos três poderes, é cláusula pétrea de nossa Constituição, mesmo ela sendo de viés estatista, socialista e anti-liberal, características que não a invalidam como Carta Magna a que todos devemos nos submeter até que algumas PEC's ou nova Assembleia Constituinte a venha alterar ou substituir.

Meus amigos e eu, "fascistas" que somos, mesmo uns e outros ateus de prática ou discurso, cremos fervorosamente que um governante eleito só possa ser impedido de exercer seu mandato se cometer um ato absolutakente inconstitucional e, mesmo assim, depois de todo um processo legalmente conduzido. Eu disse um ato, nunca um pensamento, nunca uma ideia manifesta, nunca por uma frase fora de contexto, muito menos por uma "intenção" atribuída pela interpretação de um adversário. Não aceitamos as arbitrariedades, aqui sim, anti-democráticas de supressão da expressão de opinião, num verdadeiro "cala boca" hoje praticado pelo STF. 

Nós, "fascistas" por rotulagem hipócrita dos que odeiam a diversidade, defendemos uma imprensa livre, sem mordaças, sem rabo-preso, sem dependência de verbas estatais, sem orientação (sic) ideológica a seus repórteres, jornalistas e articulistas, na confecção de seus textos, matérias ou análises das circunstâncias (**).  

Do mesmo modo, pelo mesmo princípio, e ainda sob a obediência à Constituição vigente, somos "fascistas" intransigentes na defesa da liberdade de opinião e manifestação pacífica, seja em ambiente restrito ou público, independente de meio de divulgação, de qualidade do linguajar, limitações morais ou de qualquer outra espécie.

Para nós, "fascistas" sem carteirinha, sem filiação partidária, não obrigados a fazer rachadinha prevista em estatutos de partidos, ou não, professamos que um novo sistema para a escolha dos integrantes do Supremo Tribunal Federal seja criado com base em escolhas de juristas de notório saber não só da Constituição em vigor, como do direito em amplo senso, e, principalmente, cidadãos de conduta comprovadamente ilibada. 

Nós, eu e meus amigos, "fascistas" não praticantes de atos de vandalismo, de agressão física ou mesmo verbal, que acreditamos que o único caminho é o da diversidade de opinião para a construção de acordos que garantam a todos os indivíduos (integrantes de maiorias ou minorias) o direito e a liberdade de conduzirem suas vidas com a única, e absolutamente necessária, proteção do Estado quanto ao exercício dos direitos da plena cidadania que deveriam ser inalienáveis e inquestionáveis. 

Para nós, fascistas de ocasião por interesse de esquerdistas, a torta está pronta, quentinha e sendo servida para quem estiver com o nariz entupido e não percebendo o cheiro esquisito de receita que desandou, e que em vez de mata-fome parece estar causando um desarranjo cerebral. Mas o nosso olfato não está predudicado, pois nós entendemos que no mundo da pós-verdade, onde o que é não é, o que não é talvez seja, não sei; que no mundo da modernidade líquida onde tudo flui tal como água em correnteza de rio, o que hoje seria, já foi, não é mais; que nesta realidade inventada, aumentada, estuprada, não sabemos onde foi parar a ética, a moral, os sentimentos pelo outro (em todas as dimensões que "outro" possa ser considerado); que neste ambiente onde psicopatas crônicos que viveram nas tetas do Estado, mas escondidos nas trevas, nas sombras, no escuro, agora têm uma voz que nunca tiveram; que aqui, agora, somos todos poeira no vento, sem destino, sem controle, sem autonomia, sem vida que possa ser vivida!

Eu e meus amigos "fascistas" tínhamos a certeza, até poucos meses atrás, de que éramos democratas no fundo de nossas almas. Acreditávamos que respeitar e aceitar o decidido era uma consequência dos valores em um Estado Democrático de Direito. Jamais poderíamos imaginar que um dia os sentidos de direção seriam invertidos, onde ser liberal e conservador em geral, passou a ser pensamento fascista, e atacar a propriedade privada, se recusar a aceitar o resultado de eleições livres e tentar por todos os meios derrubar um governao, se tornaram valores de democratas!

Triste momento!

P.S.: Para não pensar que só acontece no Brasil, leia este artigo.

(*) A torta mata-fome é uma lembrança da minha infância. Na confeitaria da família, ao final do dia, sobravam unidades de pães, doces, tortas, cucas etc., que eram todas, ou quase todas (nunca tive conhecimento da receita) colocadas numa misturadeira, onde acrescentavam-se alguns ingredientes, e produzia-se uma massa que ia ao forno virando uma torta cujas fatias eram vendidas a 1 "dinheiro", e faziam a alegria da garotada na hora do recreio.

(**) A CNN, num arroubo hipócrita que eu creio vá para os anais do jornalismo televisivo, criou um quadro chamado "Grande Debate" para esconder o seu total alinhamento esquerdista, onde a apresentadora precisa introduzir o quadro sempre com o seguinte "alerta": "O tema desse quadro é apresentar temas relevantes com visões diferentes sobre o mesmo assunto. Tudo pra que você construa, então, sua  opinião, sua forma de pensar". Tão hipocritamente bonitinho/bonitinha!!!










10/06/2020

NEBLINAS DE OUTONO

"Neblina baixa, sol que racha." 
Ditado popular

Aqui na minha terra, em outono, os dias amanhecem com muita neblina, que toca o chão e nada enxergamos além de... neblina. Não há o que fazer, exceto esperar que a sabedoria popular se confirme em algum momento futuro e o sol apareça nos iluminando o caminho e revelando a paisagem em toda a sua exuberante realidade.

É assim que o Brasil amanhece todos os dias, coberto de uma espessa neblina que a tudo encobre e que tudo esconde de nossa compreensão. 

O que deseja o STF como instituição e desejam seus ministros individualmente quando são dúbios em suas decisões, tal como aquele que antes defendia com veemência o direito à manifestação de opinião mesmo a mais ácida até o dia em que a acidez lhe foi dirigida? Como se explica o outro que, sem apontar a prova, acusa o Presidente de ser dúbio quando este é o mais coerente e intransigente defensor da independência harmônica dos poderes e da plenitude do exercício democrático? Que interesses particulares, insólitos, autoritários, levam um decano a expor ao mundo uma reunião ministerial reservada abrindo um precedente perigosíssimo para a segurança do país?

Como entender que a quase totalidade da imprensa tradicional esteja em militância político-partidária-esquerdista empenhada em um flagrante ataque à democracia com o único objetivo de derrubar um governo legitimamente eleito por 58 milhões de eleitores? Que estratégia é essa de insistir em rotular o Presidente de fascista e antidemocrático apoiando manifestações fascistas e antidemocráticas, sem que se aponte ter ele cometido qualquer ato arbitrário e, ao contrário, defender diariamente as prerrogativas do legislativo, legislativo este empenhado em não deixá-lo governar engavetando todos os seus decretos? 

A neblina política está tão forte que não enxergo onde um ex e futuro candidato à presidência, depois de décadas atribuindo a um ex-presidente os piores e ofensivos atributos, aparecer em um debate chamando-o, agora, de "príncipe" e outros puxa-saquismos de ocasião!!!

Provavelmente por causa desta neblina, não estou enxergando nenhuma entidade empresarial vindo a público em favor de um governo claramente capitalista, a favor do livre-mercado, de um estado eficaz,  cujo Presidente é diariamente atacado e ameaçado de impedimento com os argumentos uns mais esdrúxulos que outros?

Eita! neblina espessa essa, pois não vejo nenhuma entidade representante de magistrados, ou advogados, ou promotores, ou enfim, qualquer daqueles encarregados de promover a justiça, virem apontar as agressões aos cidadãos brasileiros em total confronto com os mais caros direitos inseridos na Constituição?

O que será que se passa na cabeça, nas intenções, dos presidentes das duas casas legislativas que parecem ter entrado em "modo de espera", tal como o "stand by" de aparelhos eletrônicos? Que bote "antidemocrático" (também tenho o direito de usar a rodo a expressão da moda) estão eles tramando em conluio ou não com nossa mais alta corte?

A neblina parece não pairar sobre Washington, pois Trump enxergou coisas muito suspeitas nesta OMS, presidida por um amigo do ditador chinês e chegado, ao que parece, a alguns drinks, dadas suas declarações sobre a COVID-19 que ora segue em uma direção, ora em outra, parecendo ser um bêbado equilibrista na corda bamba da presidência de uma entidade, hoje, questionadíssima em sua integridade?

Falando em pandemia, que silêncio nebuloso é este sobre os dados estatísticos tanto das causa mortis quanto em relação aos perfís dos que foram a óbito (idade, sexo, atividade profissional, classe social, cormobidades etc.) por conta do corona-vírus? Onde estão, se é que estão sendo coletados, tais dados?

Antes da neblina, me foi possível enxergar que as decisões do Presidente incomodaram mais que 100 elefantes, e incomodaram muita, mas muita gente que foi lesada em seus vergonhosos privilégios ou escandalosos atos de assalto ao Estado. Mas por que estão calados os que formam o enorme contingente dos  que não participaram do butim dos esquerdopatas e seus inocentes úteis?

Não se pode esquecer a neblina que envolve e cega governadores e prefeitos que vão e voltam, dizem e se contradizem em suas decisões, não sabendo nem mais como se aproveitar da situação em proveito próprio, tão perdidos estão. Como também este "russo" que invadiu hospitais e secretarias de saúde induzindo-os a se recusarem a receitar medicamentos existentes no mercado a décadas, sem qualquer restrição (até mesmo sem necessidade de receita), pelo motivo... motivo... qual motivo mesmo?

Espero o tempo passar e esperançoso me mantenho de que a sabedoria popular vá se confirmar ao fim deste outono e a luz do sol venha iluminar nosso entendimento sobre tudo o que nos rodeia e nos conduz.

P.S.: Deixo algumas imagens e vídeos como complemento a esta minha prosopopéia na intenção de lhe provocar reflexões, independente de se tais conteúdos são falsos, verdadeiros, apócrifos ou, simplesmente,se  são só criativas fake news.


















21/05/2020

A FALA QUE BOLSONARO AINDA NÃO FEZ À NAÇÃO

Brasileiros de todos os sexos, etnias, cores e utopias,

Venho a público com o espírito aberto e profundamente preocupado com o destino de todos nós. Nenhum de nós, na mais criativa das novelas de terror, teria imaginado o que estamos vivendo e o que se avizinha se nós, os governantes, continuarmos a agir como temos agido, porque continuaremos a obter os mesmos resultados. E os resultados até aqui não são minimamente satisfatórios para maioria de nós, cidadãos brasileiros.

Num momento como este, todos aqueles que querem bem ao país, que desejam ver a sua vida social e econômica restabelecida, só estão contando com uma resposta de nós, políticos, de todos poderes: ações e determinações que ajudem cada cidadão a tomar decisões que, em função de sua situação individual e particular, minimizem os danos à si próprio, à sua família e à sua comunidade. 

Infelizmente um ou outro governador, e até prefeito, insiste em tomar decisões arbitrárias, ditatoriais e claramente antidemocráticas, colocando forças de segurança contra os cidadãos,  batendo e prendendo integrantes de manifestações pacíficas de opinião, ou de estarem exercendo o direito constitucional de ir e vir, com o infame argumento de estar protegendo a ordem pública ou evitando a propagação da virose. Isto não pode se repetir sob pena de resultar em justa revolta popular.

O que os cidadãos de bem desejam - para si e para o país -, é ver o poder judiciário e o poder legislativo unidos em um debate de ideias que contribuam para que o Presidente, a autoridade máxima do poder executivo, governadores e prefeitos, possam tomar as melhores medidas pois elas terão sido desenvolvidas pelos melhores homens e mulheres que integram os tres poderes.

Eu convoco todos os integrantes em todos os níveis de todos os poderes: façamos uma quarentena, pelo tempo que for necessário para nos livrarmos desta pandemia, e fiquemos proibidos de circular pela ruas do embate político, pela vielas das derrotas eleitorais, que evitemos nos aglomerar em locais que a discórdia, a vingança, a inveja e a mentira prevaleçam. A população brasileira não  merece ser tratada como lixo, ou simplesmente como massa de manobra de interesses egoístas, escusos por demais das vezes, criminosos em algumas delas. Deixemos isso, misericordiamente, para um futuro pós-pandemia.

E peço respeito, não a mim, mas aos 211 milhões de brasileiros, independente de em quem votaram nas eleições de 2018. Será um genocídio se continuarmos a fazer da pandemia uma oportunidade política. Sim, genocídio. Genocídio de sonhos, de patrimônios, e até mesmo de vida, o que rogamos a Deus não aconteça. Os pequenos empresários, do comércio, dos serviços e mesmo da indústria, os informais, os profissionais liberais, em sua total maioria estão perdendo todo o investimento de uma vida. Além da evidente falência de milhares de empresas, a poupança para o sonho da faculdade dos filhos está sendo minado pela necessidade de usar o recurso para pagar a comida, a luz, o gás e o aluguel. E ainda temos que lembrar o sonho da casa própria que  ficou ainda mais distante.

Aos abonados da vida, aqueles que conquistaram o privilégio de poder não se preocupar com o imediato, que podem arcar com certo nível de perda de patrimônio, e, principalmente, aqueles que fazem lives à beira da piscina e em situações de evidente riqueza, eu peço que reflitam, reflitam muito, sobre o que estão transmitindo. Vocês me parecem estar em outro planeta e não aqui, na nossa Terra. E descolados da realidade brasileira. Para vocês que têm recursos, peço que ajudem aqueles que lhe vinham servindo por tanto tempo, não necessariamente por misericórida, por pena, mas por interesse egoísta pois, provavelmente, ao fim desta crise, você poderá tê-los perdido.

Por fim, brasileiros, vocês que verdadeiramente desejam um Brasil acima de tudo, eu rogo a Deus que ele permaneça acima de todos.

Boa noite!


  

















16/05/2020

A DECEPÇÃO COM BOLSONARO

Tenho encontrado eleitor de Bolsonaro que agora se manifesta decepcionado e dizendo estar retirando o apoio ao Presidente com argumentos, no mínimo, frágeis. Como tal posicionamento me soa muito estranho, muito mal justificado, parei um tempo para encontrar fatos, razões plausíveis, para tal "desvoto". 

Bolsonaro é um dos raros políticos, se não o único, a ocupar o cargo de chefe do executivo, que desde o dia de sua posse vem fazendo exatamente o que prometeu em campanha, promessas estas que foram a razão fundamental do voto daqueles que hoje se dizem, de um modo ou de outro, decepcionados com ele. Vamos recordar uma poucas destas promessas, as decisões e as consequências resultantes.

Ele prometeu acabar, ou pelo menos combater, o que se convencionou chamar de "governo de coalizão", especialmente não usando o "toma lá, dá cá" como tática para obter apoio às propostas do executivo a serem encaminhadas ao legislativo. Para tanto, desde sua campanha, convocou e convoca a classe política a colocar o "Brasil acima de tudo", mensagem que sintetiza um desejo de ver a todos priorizando os interesses da nação ao invés de mesquinhos, quiçá, imorais, interesses particulares e corporativos. Fiel a este princípio, obteve dois grandes sucessos enfrentando forte oposição: aprovando a reforma da previdência e dando um certo grau de flexibilidade às relações trabalhistas. Entretanto, tem sido sistematicamente derrotado na Câmara dos Deputados que não vota os decretos da Presidência no prazo determinado em lei, deixando-os caducarem e perderem eficácia. 

Ele prometeu acabar com as nomeações políticas para cargos de primeiro, segundo e terceiro escalão nas empresas estatais, ministérios e secretarias de governo, fazendo as escolhas com base em curriculo profissional e conduta ilibada. Promessa até aqui vem sendo cumprida com determinação e resultando em um número que bem expressa uma das consequências (outra é o fim do roubo causado pela corrupção): 70% de aumento no lucro das estatais em 2019 comparado com 2018.


Ele prometeu afastar do poder e de toda a estrutura administrativa do Estado o petismo e seus correlatos. Vem cumprindo a promessa editando decretos que extinguem cargos em diversas instâncias e áreas da administração pública. Acrescento aqui uma realidade que a maioria das pessoas não se dão conta. Desaparelhar o Estado depois de mais de 20 anos de governo de esquerda (FHC, Lula e Dilma) não é tarefa para alguns meses, nem mesmo para alguns poucos anos. O vírus comunista, socialista, esquerdista, como queiram, é, hoje, endêmico nos órgãos públicos, tal como será a Covid-19 na sociedade pelas próximas, provavelmente, décadas. Isto significa dizer que, por exemplo, dentro da Policía Federal, é muito provável que existam servidores alinhados à esquerda do espectro político que não têm qualquer interesse em atuar para o sucesso de decisões de Bolsonaro, muito pelo contráripo, haja vista os reclamos do Presidente quanto à investigação da tentativa de assassinato que recebeu e da muito mal explicada história do porteiro do condomínio. E só pra lembrar, reportemo-nos ao que vêem fazendo ministros do STF.

A consequência macro da atuação do Presidente ao longo desses quase 17 meses, foi a quebra das colunas de sustentação de uma oligarquia que estava no poder cujo tapete vermelho sob o qual se apoiavam foi puxado da noite para o dia. E quem é que gosta de perder as benesses e os privilégios que o poder proporciona, os republicanos e os não tanto, sem reagir com todas as forças que ainda se tenha à mão? Bolsonaro vem enfrentando, a seu modo exageradamente franco, uma óbvia resistência e reação daqueles que perderam a eleição e não se conformam com um vencedor que não aceita fazer acordo com os perdedores como sempre foi feito na história do Brasil. Não era esse o combinado!

E, cereja do bolo, um tão eficaz presidente, um tão obstinado presidente, vem recebendo investidas diárias principalmente de governadores e prefeitos que passaram a usar da pandemia - que ameaça 211 milhões de brasileiros -, para, em primeiro lugar, sugarem os recursos do governo federal o máximo que possam, de modo a inviabilizar a governança a tal ponto que possam usar do artifício do impeachment para derrubá-lo. Sem falar nos tantos decretos de calamidade pública com o descarado objetivo de se refastelarem com compras sem licitação.

À vista do exposto, não me parece ter qualquer lógica tirar o apoio a Bolsonaro quando o seu governo é pautado pelo cumprimento de suas promessas que foram aprovadas por 58 milhões de pessoas que nele votaram. Mais do que em qualquer momento passado de seu governo, Bolsonaro precisa hoje não só do apoio de todos os seus eleitores, como de todos aqueles que percebam que não apoiá-lo é fazer o jogo, principalmente dos grandes grupos controladores da imprensa, de que "quanto pior, melhor".

Ah! Ia esquecendo. Por favor, não vale tirar o apoio com o argumento de que ele fala mal, fala demais, é rude etc. etc. É sim, mas isso não é uma razão "politicamente correta". 














30/04/2020

CAOCRACIA BRASILEIRA

Venho insistindo que a democracia tem que ser reinventada. Enquanto não, o Brasil, principalmente, vem aprimorando dia-a-dia uma caocracia(*), o governo do caos, onde ninguém governa, os poderes se confundem e se confrontam, e os cidadãos, principalmente agora quando não tendo o que mais fazer, se afogam em debates midiáticos e digitais ao sabor dos interesses de forças que disputam o poder pelo direito de saquear os cofres públicos.

Na minha vida como publicitário, aprendi que por mais inteligente, criativa, instigante que uma campanha publicitária seja, não se mantém em pé depois de meia hora de questionamentos. Um casamento, por mais juras, não se sustenta. Uma amizade, por mais enraizada e profunda, não resiste. Mesmo o mais íntegro dos seres humanos se verá arrasado, derrotado, depois de enfrentar um bombardeio de suposições, invasão de vida pessoal e levantamento de dúvidas sobre intenções imaginadas escusas. Mas é exatamente isto que estamos vivendo todos os dias, todas as horas, um constante ataque a não importa o quê o Presidente diga ou faça. 


Ágora ateniense
Quando a democracia foi imaginada, o tempo era muito longo. Pra tudo. De cozinhar a conquistar outros povos, levava um tempo muito maior do que agora. O microondas e novos vírus oriundos de condições de saúde pública precárias, oferecem solução mais imediata! Na Ágora ateniense, em uma pracinha com meia dúzia de gente sem ter o que fazer, o representante do imperador colocava em discussão aquilo que lhe interessava e, através de uma boa retórica, aprovava sua pauta. Dali até uma nova "assembleia", passariam meses ou mesmo anos.


Hoje, no mundo, todos os que têm recursos de acesso à digitrônica se sentem impelidos a participar. No Brasil, todos, eu incluso, se sentem aptos a opinar sobre tudo com a veemência dos pretensos especialistas, enquanto especialistas são bombardeados com ataques dos que ignoram sobre o que falam e escrevem. Um mar de blogueiros e youtubers a conquistar cliques que os levem aos píncaros de seus 15... segundos de fama.


Mas na caocracia tudo é imediato, tudo "precisa" ser publicado agora porque toda opinião perde a validade em poucas horas. Nesta caocracia, tudo é possível, todos podem, ninguém é responsabilizado, não há limites, não há princípios, ou melhor, o princípio é destruir para conquistar. Ética e moral se tornaram absolutamente relativas ou simplesmente postas de lado, haja vista a falta delas nas atitudes de Moro ao deixar o ministério.

Na nossa caocracia de ocasião, os três poderes se auto-questionam em seus papéis. O legislativo quer governar - Rodrigo Maia quer atuar como primeiro ministro -, o judiciário quer interferir no Congresso - Celso de Mello pede explicações a Maia sobre não pautar pedidos de impeachment, uma questão de regimento do poder legislativo -, o executivo tem seus decretos não votados pela câmara - porque Maia deixa caducar prazos propositalmente -, nomeações são  anuladas por razões sem pé nem cabeça - Alexandre de Moraes impede nomeação do Diretor da Polícia Federal por este ser amigo de Bolsonaro. Enquanto isso governadores querem o dinheiro do governo federal mas não querem se submeter a um plano nacional de combate ao COVID-19. Sem contar que três direitos constitucionais são violados sem qualquer rubor: 1) O direito de ir e vir por governadores algemando cidadãos no exercício de sua liberdade; 2) o direito de manifestar opinião em manifestação pública pelo Ministro, novamente, Alexandre de Moraes, a pedido do Procurador Geral, Augusto Aras, alegando atos "antidemocráticos"; e 3) o direito ao sigilo de resultado de exames pela juíza Ana Lúcia Petri Betto que deu 48 horas para Bolsonaro e pelo deputado Rogério Correia do PT que lhe deu 30 dias, o que ressalta o completo non-sense do status atual da pandemia que infecta nossas instituições.

Neste grande jogo político, antes jogado por  elites intelectuais e/ou políticas sedentas de meter a mão nos recursos do Estado em benefício próprio, tem agora como partícipes todos nós - antes apenas almas de uma massa informe de manobra -, agora nos vemos pretensos e ilusórios protagonistas de nossos destinos moldados por robôs formadores e interpretadores de nossos desejos contabilizados por likes e dislikes.  

Nesta grande caocracia do sul, nesta era digitrônica que já chega perto dos 30 anos, quem perde eleição não aceita derrota, abre mão de fazer oposição construtiva para agir destrutivamente. Basta-nos ver a quantidade de impeachments solicitados ao longo destes anos: FHC (27), Lula (37), Dilma (68), Temer (33) e Bolsonaro já passando dos 30. 


Para encerrar, inspiro-me no poeta Petrarca (**):

impichar 
é preciso, 
governar 
não é preciso.  




(*) Criei o termo caocracia - o governo do caos - para identificar uma democracia que precisa ser reinventada antes que o caos que se observa atualmente justifique a chegada de uma autocracia de direita ou simplesmente uma ditadura de esquerda, ambas desejada por duas minorias opostas de brasileiros. O termo provém do grego Χάος, (Cháos ou "caos"), e de κράτος (kratos ou "poder").

(**) Francisco Petrarca nasceu em 20 de julho de 1304, Arezzo, Itália. Foi um intelectual, poeta e humanista italiano, famoso, principalmente, devido ao seu romanceiro. É considerado o inventor do soneto, tipo de poema composto de 14 versos. "Fonte: Wikipédia

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