quinta-feira, dezembro 12, 2024

A CIVILIZAÇÃO DO FUTURO - E está tudo bem!

 

O Leitor poderá pensar, com razão, que o título deveria ser “O Futuro da Civilização”, mas tal formulação levaria a uma percepção errada sobre as reflexões que vou apresentar. Quando me refiro à civilização do futuro estou considerando que o ocidente, neste primeiro quarto do século XXI, está em um processo de “involução civilizatória” que conduz ao fim dos parâmetros que a determinaram, portanto, ao fim desta civilização milenar. Evoluímos da barbárie às sociedades democráticas para, pelo que parece, iniciarmos um retorno à barbárie. O que a oligarquia quer nos impor é a substituição dos valores construídos ao longo de mais de 10 mil anos de guerras e muito sangue por outros que obedecem exclusivamente à “vontade de poder”[1] - melhor seria dizer “sana de poder” - sobre as massas serviçais, subjugando-as e manipulando-as com uso de todas as ferramentas à disposição para tanto: cerceamento da liberdade, ameaças de encarceramento, acusações sem provas e sem direito a defesa.

Repito algumas reflexões que, de um modo ou outro, já fiz aqui: 1) o tempo de tudo encurtou; 2) tem sempre “pato novo”; 3) a quantidade de patos, cujo crescimento é impossível de ser estancado, já atingiu um nível impossível de ser razoavelmente administrado; 4) a república democrática é uma criança, um sistema recente na nossa história - não tem mais que 250 anos –, mas adquiriu um câncer terminal que corrói as entranhas da burocracia estatal. Sua  deterioração galopante é estimulada pelas novas gerações – os tais patos novos - que chegam inventando a roda, pois não se servem do arcabouço dos ensinamentos extraídos das experiências históricas. Isto por um lado. De outro, está o desenvolvimento da tecnologia, especialmente as que justificam eu rotular nosso tempo como a era da “digitrônica”[2], cuja característica maior é o pacote volume/velocidade das informações que não nos deixa um mínimo prazo de “degustação”. O resultado sempre é uma péssima digestão, levando a uma incontrolável diarreia mental monumental de dejetos, expressa e explícita de percepções, opiniões e “verdades” absolutas, “todes mau cheiroses”.

A civilização ocidental está perfilada frente a um paredão branco de medo à espera do tiro de misericórdia. É razoável imaginarmos que nosso planeta tenha uma capacidade limitada quanto ao volume populacional administrável e que não há solução para o controle do seu crescimento. Nem todas as pandemias, guerras e catástrofes ambientais já registradas fizeram cócegas na taxa de crescimento.

Hipócritas, de todas as cores, gêneros e ideologias, discutem aquecimento global e destino de lixos tóxicos viajando mundo afora para fóruns “rega bofes” inúteis, mas confortavelmente acomodados  em jatinhos particulares, falando em celulares que serão descartados e substituídos na próxima versão a ser lançada.

Se haverá ou não um retrocesso por razões que não imaginamos, é uma aposta pessoal.

Até aqui só uma introdução para esquentar neurônios, pois o que estou trazendo só vai ficar mais preocupante.

Tenho a maior curiosidade em conhecer o que Tim Berners-Lee[3] está pensando quando assiste sua WWW sendo utilizada para fins inimagináveis  em março de 1989 quando propôs seu fantástico e inocente protocolo[4] para comunicação entre computadores de todo o mundo.

O Banco Central do Brasil criou um sistema de registro da maioria das transações financeiros chamado REGISTRATO (registrato.blog.br)[5].  Como ainda nem TODAS são alcançáveis, o BC está em final de desenvolvimento de uma moeda digital, o DREX[6], que fará o serviço que falta. A partir de  2025, o governo brasileiro dará início à jornada de convencimento[7] de todos nós para passarmos a transacionar apenas através de tal sistema, quando, então, da compra do pãozinho na padaria à venda de um bem qualquer, passando por todas as transferências de valor, ou seja, toda transação que você fizer no mercado financeiro estará registrada num grande banco de dados permitindo que o Estado tenha controle absoluto sobre sua vida[8]. O governo chinês, desde 2018, faz um controle da vida particular dos seus cidadãos através de um sistema que pontua o comportamento social[9] de modo a poder cercear seus direitos porque sua pontuação está abaixo do esperado. No nosso Brasil, pelo que parece, com o DREX estaremos bem à frente da China neste quesito.

Agora percebemos que a digitrônica foi a maior das “fake news”. O tão sonhado poder de nos expressarmos livremente para o mundo, se mostrou a grande ameaça às elites no phoder. A reação veio “a STF”. Questionar a oligarquia não pode nunca ser permitido. Ela tem sempre razão, mesmo quando não tem razão alguma. É só uma questão de manda quem pode, obedecem todos, independente de terem juízo ou não, ou a “espada da lei” cairá sobre sua cabeça. Nunca valeu tanto a regra “para os amigos tudo, para os inimigos a lei”! E a distorcem, manipulam e reinterpretam sem qualquer rubor e pudor.

Na história da humanidade não há registros de retrocesso. Quando utilizamos o termo “evolução” queremos apontar somente para uma tecnologia que tornou fazer algo mais fácil, mais cômodo, mais útil comparativamente. Dado este paço, não há mais como retroceder sem que pareçamos bárbaros. O homem que aprende a comer com garfo e faca não volta mais a comer com os dedos sob pena de ser ridicularizado ou merecer a desaprovação social com expressões de nojo. Assim foi e assim é a digitrônica. Uma era que não voltará jamais. As sociedades serão a cada dia mais e mais dependentes uns e zeros. Os cidadãos de todo o planeta serão a cada ano, a cada década, a cada século, mais e mais monitorados, robotizados, e digitalmente lobotizados.

A primeira pergunta, considerado o dito até aqui, é: no futuro próximo teremos uma nova civilização? Eu acredito que sim por uma razão: se nos milênios que nos antecederam a humanidade foi controlada pela força física, o phoder agora tem uma poderosa ferramenta para controlar a mente dos cidadãos-súditos[10]. Se no passado a servidão era voluntária, como identificou Étienne de Lá Boétie[11], nesta nova civilização a servidão é involuntária, obrigatória, a constar do registro de nascimento. Sim, portanto, é uma nova civilização que se anuncia.

A segunda pergunta, consequente, é: os cidadãos-súditos aceitarão passivamente tal condição de vida? Mais uma vez, acredito que sim. A essência do ser humano ao longo dos milênios desde que desceu das árvores, passou a andar ereto e a fazer o fogo, tem um só valor a guiar suas decisões: a sobrevivência. É ela que explica a Alemanha Nazista, a Coreia do Norte barbaramente comunista, e todas as massas seguidoras de tiranos. Tudo é pela sobrevivência. O mote é “deixe-me viver”, de resto faça o que bem entender.

Tudo bem que, Você Estado, vá me impedir de viajar para onde eu quiser, pois você controlará o fluxo migratório de acordo com os interesses de sua economia planejada. Tudo bem se eu “pecar” ao não respeitar seus 99 mandamentos e Você venha a me punir me cancelando e me tirando o potencial de sustentar a mim e a minha família com minhas postagens. Tudo bem que eu tenha perdido pontos no sistema social porque me denunciaram por não ter gritado “Hi! Fuhrer!” no desfile militar. Tudo bem que meus pontos tenham sido tão baixos que Você foi “obrigado” a ser mais rigoroso comigo e me jogado em uma cela fria! Tudo bem! Só não me tire a vida. De resto, estará tudo bem.

Sim, estará tudo bem porque os humanos se provaram benditamente resilientes, malditamente subservientes. Queremos ser felizes, sim! Mas se ser feliz for incomodar o phoder, minha felicidade não tem importância.

Navegar não é preciso, viver é preciso.[12]

 



[1] Esta expressão foi formulada por Nietzsche indicando uma característica presente no ser humano. Como consta na Wikipedia: “é a principal força motriz em seres humanos — realização, ambição e esforço para alcançar a posição mais alta possível na vida”.

[2] “A microeletrônica define o mundo em que vivemos, orienta o foco da política internacional, a estrutura da economia global e o equilíbrio do poder militar.“ Fonte: Daily Digest.

[3] Timothy John Berners-Lee KBE, OM, FRS é um físico britânico, cientista da computação e professor do MIT.

[4] Protocolo: conjunto de regras para que dois interlocutores possam se entender. A língua nada mais é que um conjunto de regras de comunicação entre dois seres humanos.

[5] Para ter acesso você precisa estar cadastrado no GOV.BR.

[6] DREX: D de Digital; R de Real; E de Eletrônica; X de nada, é só uma moda.

[7] Assim como fez com o PIX.

[8] Junte isso com o sistema chinês e você poderá começar a imaginar o que significará “controle de sua vida”: o que você come, com que tipo de pessoa você gosta de se relacionar, qual sua cor preferida, quais seus ideais políticos etc. etc. etc.

[9] Sistema de Crédito Pessoal: “A partir de dados coletados na internet, em registros governamentais e por meio de reconhecimento facial, cada cidadão recebe uma pontuação. Se a pontuação for boa, a pessoa recebe algumas recompensas sociais. Já 1 crédito social ruim pode proibir que uma pessoa se matricule em uma boa escola ou seja contratada para uma boa vaga de emprego, por exemplo. Em 2018, segundo relatório divulgado pelo Centro de Informação do Crédito Público Nacional da China, 23 milhões de pessoas foram impedidas de viajar devido à pontuação baixa.” Fonte: www.poder360.com.br

[10] Aplico este termo para separar os cidadãos que se venderão, por diversas razões, a servir como braço executor das ações regulatórias, portanto, sustentadores e avalizadores do phoder, por isto “premiados” com benesses do Estado. Entre eles: servidores públicos de todas as instâncias e autarquias, elite financeira, elite intelectual, elite cultural e elite jurídica.

[11] Pensador Francês do século XVI em seu, hoje, clássico “Discurso da Servidão Voluntária”.

[12] Evidentemente estou me referindo à poesia de Fernando Pessoa, não só invertendo sua proposição como alterando totalmente seu significado. Se Pessoa utilizou “preciso” no sentido de “exatidão”, eu a uso no sentido de “necessidade”. Saiba mais aqui: 

https://www.pensador.com/navegar_e_preciso_viver_nao_e_preciso/ .

quinta-feira, dezembro 05, 2024

QUAL É A VERDADE? EXISTE UMA SÓ VERDADE?


·       Quem espera sempre alcança e devagar se vai longe?

o   Ou Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje?

o   Ou a pressa passa e a merda fica?

o   Ou, como disse Einstein, “Sempre deixo pra fazer os trabalhos no último dia, pois estarei mais velho... logo mais sábio”?

·       Mais vale um pássaro na mão do que dois voando? E Quem muito sonha pouco realiza?

o   Ou A imaginação é a semente das realizações?

·       Quem cedo madruga Deus ajuda?

o   Ou encontra tudo fechado?

·       Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura?

o   Ou a água acaba?

·       Onde há fumaça há fogo (no sentido de uma desgraça possível)?

o   Ou é só um churrasco em família?

·       Cão que ladra não morde?

o   Ou nunca dê as costas para cachorro que ladra?

·       A pressa é inimiga da perfeição? A pressa passa e a merda fica?

o   Ou seja rápido antes que outro faça?

o   Ou se quer vencer, corra!?

·       Mente vazia, oficina do diabo?

o   Ou o ócio é criativo?

·       Papagaio que acompanha João-de-barro vira ajudante de pedreiro?

o   Ou aprende mais rápido a fazer um abrigo?

·       Dar a César o que é de César?

o   Ou se o angu é pouco, meu pirão primeiro?

·       Em terra de cego quem tem um olho é rei?

o   Ou é só um caolho mesmo?

·       O seguro morreu de velho?

o   Ou quem não arrisca, não petisca?

·       O tempo muda tudo?

o   Ou o tempo passa e nada muda?

o   Ou fazer algo é o que muda tudo?

o   Ou nada vai mudar se ninguém fizer nada?

·       Ser amigo é ser verdadeiro?

o   Ou dizer o que pensa cria inimigos?

 

 


quinta-feira, outubro 03, 2024

O FIM DA INOCÊNCIA


A cultura popular, quando trata temas políticos complexos, idealiza uma conspiração para dar bases para a compreensão do incompreensível. Todos já vimos isso. Uma dessas vezes, que é recente e ainda não esfriou, é a de que por trás da vida política nonsense que estamos assistindo desde 2018 é resultado de uma conspiração capitaneada por meia dúzia de bilionários e/ou pela ONU e/ou por algumas entidades ligadas ao governo norte-americano.

Pois bem, acaba de chegar às redes sociais um denso trabalho do jornalista americano Michael Shellenberger, um raríssimo profissional que honra as calças e os valores de sua profissão. Isto me chegou hoje pela manhã através de uma postagem do jornalista Fernão Lara Mesquita em seu canal do Youtube em que ele resume para seu interlocutor, o escritor e historiador Laudelino de Oliveira Lima, o que Shellenberger “garimpou” em documentos e relatórios oficiais de diversas instituições. E aqui faço uma observação absolutamente relevante para o exato entendimento das consequências do que é revelado: o jornalista americano não faz ilações, ou reflexões, ou análises pessoais, tudo o que é dito é seguido do link da fonte em que colheu a informação.

É de tal monta o que é apresentado que Mesquita titulou assim a sua fala: “Todas as provas do jogo internacional que empurra a ditadura no Brasil”.

O show de hipocrisia atinge os píncaros da insanidade. Alguns exemplos:  

  • Cursos para funcionários do TSE (ministrados por entidades estrangeiras) de como controlar mensagens criptografadas postadas nas redes sociais.
  • Criação de histórias de super-heróis para doutrinar a juventude.
  • Destinação, pela universidade George Washington, de 200 mil dólares para um “Trabalho de combate à desinformação no Brasil”.
  • 40 milhões em cessão de contratos de censura nas redes sociais.
  • Ações de combate à desinformação nas eleições municipais no Brasil.
  • Entidade americana investe em treinamento de funcionários da justiça eleitoral para combater a desinformação e preparação para as eleições locais de 2020.
  • Recursos financeiros para o fundo “Diálogos impensáveis no Brasil” que envolve influenciadores das redes sociais objetivando o fim da troca de informações entre apoiadores de Bolsonaro.
  • E por aí em diante.                                                                        

Na história do desenvolvimento civilizacional, os alicerces da relação de poder entre a oligarquia e o “povo” estiveram fincados na opressão pelo uso da força e no abismo de conhecimento entre as duas partes. Tanto pelo desenvolvimento da ciência/tecnologia quanto pelo aumento populacional que impulsionou a criação de meios de redução do tempo e da distância da informação (conhecimento cada vez mais rápido de fatos e razões), tais alicerces vieram sendo paulatinamente  corroídos até que chegamos à era digitrônica, quando tecnologias digitais e eletrônicas tornaram a comunicação entre quaisquer 2 cidadãos em partes diferentes do mundo, por mais remotos que sejam, se comunicarem INSTANTANEAMENTE! O que estamos assistindo é o desespero das oligarquias pelo mundo afora - sejam elas democracias, monarquias, ditaduras, tiranias, não importa – tentando desesperadamente manterem-se agarradas a um verdadeiro  “pau de sebo” untado com o exercício da manifestação do pensamento e das vontades individuais e coletivas, coisa que nunca existira até então. Este absurdo do "povo" ter meios de questionar, criticar e abalar as estruturas do phoder é inadmissível!!!

São 1h26m, mas se você quer, de uma forma definitiva, perder o muito ou o resquício de inocência que ainda habita a sua alma pura, assista pelo menos os 20 primeiros minutos. Aposto que você vai até o fim. 

Eis o link: https://www.youtube.com/live/5VApaD0iqaQ?si=0l1fAqySIkX65xSK

terça-feira, setembro 10, 2024

PROTEGER A REPUTAÇÃO É PRECISO

Meu último texto aqui publicado foi no dia 24 de abril deste ano. Deste então minhas desilusões dizem que tudo já foi tratado e as narrativas apenas se repetem. Mas os acontecimentos desta última semana me obrigam a escrever sobre o que não é falado nos canais digitais.

Há dois dias atrás assisti “Versões de um Crime” com Keano Reeves interpretando um advogado. Conversando com sua assistente ele diz mais ou menos o seguinte: “as pessoas fazem de tudo para proteger sua reputação”. Isto posto...

Quando – entre 2019 e 2020 - percebi que as ações de Alexandre de Moraes, fragrantemente inconstitucionais e/ou juridicamente absurdas, disse em conversa com meus amigos que só haveria uma razão motivadora: uma arma apontada para sua cabeça. Alguém, tendo provas de coisas inconfessáveis sobre um outro, o ameaça de expor publicamente os fatos caso tal pessoa não faça o que este alguém deseja.  Naquele momento, atribuí a mão no gatilho ao PCC, entidade criminosa para a qual consta ter Alexandre, como advogado, prestado serviços. Sabemos que uma vez entrado no crime, sair dele é praticamente impossível. O quadro, portanto, para mim era claro. Um ministro do supremo, ou seja, com supremo poder na justiça, começa a tomar atitudes que extrapolam as competências da instituição da qual faz parte (para dizer o mínimo), em evidente serviço a vontades alheias para manter sua vida ou no mínimo, sua reputação protegida.

Já naquele período chamava a atenção a inação – uma total apatia – das instituições, Câmara, Senado, PGR, CNJ, OAB, Associações Empresariais, enfim, todas - e são muitas – silenciosas num efetivo “quem cala consente” sem publicamente consentir porque sem coragem para o enfrentamento.

Decorridos mais de 5 anos desta insanidade institucional, já não atribuo mais a facções do crime organizado o porte da arma. O “buraco” parece estar bem abaixo ou muito mais acima. Então passei a incluir na minha tese questões pecuniária$. Considerando os projetos globalistas[1] de uma dúzia de bilionários – em dólar – a compra de integridade moral passou a ser uma hipótese bastante razoável. Notícias de que fulano deu X milhões para uma ONG aqui, outra ali, sicrano idem, passaram a constar do noticiário com frequência. E, sabemos, políticos têm uma certa tendência a fundar sua ONG própria para funcionar como receptáculo de doações de origem identificada ou não. Mas se isto existe, não me parece suficiente para justificar o que acontece neste meado do ano da graça de 2024. A munição na arma não é, ou não é só, de pólvora ou papel pintado de verde do Tio SAM. Tem que ser mais do que isso.

No início deste ano rolou nas redes que em Cuba existe um “esquema” ligado a orgias sexuais devidamente vídeo-gravadas sem conhecimento dos participantes e, especificamente, envolvendo os nomes de Barroso e José Dirceu. Não importa aqui se o “esquema” existe ou não, nem se é verdade quanto aos citados. O que quero levantar é: tente pensar em alguma razão para você fazer  o que Moraes está fazendo se no lugar dele estivesse.

Não é pouco o que  Xandão está fazendo neste início de setembro. Um pouco antes de começar a escrever este texto, me chega a informação de que o Ministro mandou bloquear TODOS os bens da Starlink no Brasil, o que inclui contas bancárias, imóveis, veículos e aviões. Não tenho formação no direito, portanto não vou citar as ilegalidades jurídicas deste ato. O que quero mostrar é que o pavor de Moraes é tão imenso que suas ações acabam de extrapolar a vingança pessoal de seus atos – o que ficou patente em muitos casos anteriores -, e chegam ao ápice de prejudicar o país, como nação integrante de relações internacionais, empresas brasileiras, a própria estrutura de governança, e diretamente o cidadão brasileiro, não só em seu acesso à informação, mas em seu direito de livre exercício profissional, o que significa simplesmente sua capacidade de sustentar a si e aos seus.

A entrada de Elon Musk no processo traz à tona o caráter psicótico de um indivíduo mentalmente doente. E o continuado silêncio dos não-inocentes nos indica que tem muita gente sendo esmagada por um rolo compressor ainda não identificado. E o que me chama a atenção é que jornalistas de reputação ilibada e competência e honestidade intelectual provada, continuem a dar explicações politicamente lógicas em lugar de expor que o país está sendo levado para um abismo ético e moral por um bando de covardes protegendo suas reputações, fazendo de tudo – ou melhor não fazendo nada – para que suas ações moralmente condenáveis não sejam expostas à opinião pública.

Ser íntegro não é preciso, proteger a reputação é preciso.

Você tem alguma dúvida de que algo nesse sentido é que está por trás do que acontece? Ou acha que é só esquerda contra direita?

Encerro fazendo um pedido que nunca fiz: distribua tanto quanto puder mesmo não concordando comigo no todo ou em parte, só para ajudar a tirar mais pessoas da visão crédula de que as motivações são só políticas, para seu bem e para o bem do país.

                                                                                        


[1] Soros, Gates, Black Rock, Vanguard, Morgan Stanley, State Street Corp etc.








quarta-feira, abril 24, 2024

TODO ESTE NOVO É COISA VELHA!

Em várias oportunidades, seja em artigos meus ou em repasse do pensamento de outros, ambos postados na Lista do Blog Hipocrisia, tenho tentado mostrar que tudo a que assistimos hoje, seja no campo cultural, seja no campo político, tem como base o que foi proposto na segunda metade do século XIX. Tal assertiva provém de um momento recente em que percebi que os pensadores que são referenciados nos debates atuais tiveram o seu auge intelectual entre os anos 1850 e início dos anos 1900. É neste período que se expressam pensadores como Schopenhauer (1788-1860), Dostoievski (1821/1881), Darwin (1809/1882), Marx (1818/1883), Engels (1820/1895), Nietzsche (1844/1900), Freud (1856/1939),  Wittgenstein (1889/1951), Einstein (1879/1955), Mises (1881/973), entre outros, e um de quem vou tratar hoje, C. K. Chesterton (1874/1936).

Minha motivação é a reflexão principal que fica depois de terminar a leitura de “O Que Há de Errado com o Mundo”, de Chesterton, obra escrita em 1910. Nela, o autor trata de Feminismo, voto da mulher, educação, propriedade privada, família, imprensa, autoridade, formas de punição, escravidão, tudo em meio a críticas e considerações sobre sua contemporaneidade na Inglaterra da virada para o século XX.

Vou me limitar a reproduzir aqui apenas algumas passagens[1] mais significativas para a prova que o que estamos vivendo hoje de um modo tão intenso quanto amplo, geral, é apenas o ápice de um processo cujas bases estão há cerca de 150 anos atrás: Todo isto que pensamos ser “novo” é coisa muito “velha”, apenas com o design e as cores tecnológicas da moda. E esta não é uma constatação só minha. Em uma resenha que encontrei na internet, o autor[2] diz:

“Há boas evidências de que [o livro], na verdade, foi escrito hoje.

Nossa sociedade está experimentando exatamente a crise sobre a qual Chesterton nos alertou um século atrás. Nunca houve tanta disparidade entre os ricos e os pobres. Nossas famílias estão desmoronando, nossas escolas são um completo caos, nossa liberdade básica está sob ataque. Isso afeta cada um de nós. Como diz Chesterton, “Não só estamos todos no mesmo barco, mas estamos todos mareados.”

Leia e reflita sobre cada uma destas reflexões de Chesterton.

·         Todos temos consciência da loucura nacional, mas o que é a sanidade nacional?

·         A dificuldade em nossos problemas públicos está (...) que alguns homens oferecem, como estados de saúde, circunstâncias que outros não hesitariam em chamar de estados de doença.

·         Se você empreender hoje uma discussão com o jornal moderno, cuja posição política é oposta à sua, (...) você receberá ou insultos, ou silêncio.

·         Os homens inventam novos ideais porque não se atrevem a buscar os antigos. [Vou acrescentar um aprendizado que ganhei ao longo da vida que resumo no seguinte dito: “Tem sempre pato novo”. Os pensadores, em sua maioria, constroem unidades como “o povo”, “o homem/ser humano”, “a humanidade” como se fosse uma entidade coesa com história única. Mas a realidade é que a experiência se esvai com a morte e outro ser vem em seu lugar e vai se construir a partir de sua própria vivência, o que, na maioria das vezes, experimentar fazer o contrário do que fazem seus pais.]

·         [Esta é para os que sempre atribuem aos europeus uma superioridade que não se prova na prática:] O estatista inglês é subornado para não ser subornado. Ele nasce com uma colher de prata na boca, a fim de, mais tarde, não aparecer com uma no bolso.

·         Mesmo onde a imprensa é livre para criticar, ela só se presta à adulação.

·         A propriedade é tão somente a arte da democracia. Significa que todo homem deveria ter algo para moldar à sua própria imagem (...). Contudo, (...) sua expressão pessoal deve dar-se dentro de certos limites. A rigor, dentro de limites severos e até mesmo estreitos.

·         Conheci muitos casamentos felizes, mas nunca um compatível. (...) um homem e uma mulher, como tais, são incompatíveis.

·         O lar é o único lugar onde o homem pode cobrir o telhado com um tapete e o chão com telhas, se assim o desejar.

·         O Deus dos aristocratas não é a tradição, mas a moda, que é o extremo oposto da tradição.

·         Mas seja o que for, que os grandes senhores tenham esquecido, eles jamais esqueceram que sua ocupação é apoiar as coisas novas, as mais faladas entre os dignitários das universidades ou entre os atarantados financeiros. Assim estiveram do lado da reforma e contra a igreja, do lado dos Whigs e contra os Stuarts, do lado da ciência de bacon e contra a velha filosofia, do lado do sistema industrial e contra os artesãos, e hoje estão do lado do crescente poder do Estado e contra os ultrapassados individualistas. Em suma, os ricos são sempre modernos: esse é o seu negócio.

·         Uma aristocracia é sempre progressista, é uma forma de estar sempre atualizada. Suas festas terminam cada vez mais tarde, pois estão tentando viver o amanhã.

·         Sir William Harcourt, típico aristocrata, formulou de maneira bastante sensata que: “Todos nós [isto é a aristocracia] somos hoje socialistas”.

·         Pode ser que o socialismo represente a libertação do mundo, mas ele não é o que o mundo deseja.

·         A democracia em seu sentido humano, não é o arbítrio da maioria. Não é sequer o arbítrio de todos. Pode ser definida com mais correção como o árbitro de qualquer um. Quero dizer que ela está amparada naquele hábito de clube de aceitar que um completo desconhecido pode inevitavelmente ter algumas coisas em comum conosco.

·         A submissão ao homem fraco é disciplina. A submissão a um homem forte é apenas servilismo.

·         A objeção tacanha tanto a reis quanto a credos, chama-se tolice. Podemos nos guiar pela astúcia ou presença de espírito de um regente, ou pela igualdade e apurada justiça de uma regra. Mas é preciso ter um ou outro, caso contrário, não seremos uma nação, mas uma só barafunda.

·         Se a civilização realmente não consegue prosseguir com a democracia, a desvantagem é toda da civilização, não da democracia.

·         Logo ouviremos contar de especialistas separando letra e melodia numa canção, sob o pretexto de que uma atrapalha a outra.

·         O escravo bajula, o moralista integral censura. [Aproveito aqui para pegar um pensamento de Chesterton e usá-lo para explicar a adesão de profissionais – jornalistas como exemplo maior – às opiniões de seus empregadores. Ele observou que na defesa de seu sustento, as pessoas, por “lealdade”, simplesmente adotam as verdades “de seus empregadores”.

·         Se um homem é açoitado, todos nós o açoitamos. Se um homem é enforcado, todos nós o enforcamento. Numa República, toda a punição é tão sagrada e solene quanto um linchamento.

·         Esse brado de salvem as crianças têm em si a odiosa implicação de que é impossível salvar os pais.

·         A educação Moderna significa impor os costumes da minoria e desarraigar os costumes da maioria.

·         Até um selvagem seria capaz de ver que pelo menos as coisas corpóreas que são boas para um homem são muito provavelmente, más para uma mulher.

·         Suspeita horrível, que às vezes me vêm assombrar, a suspeita de que Hudge e Gudge tenham uma sociedade secreta, de que a briga que mantém publicamente não passa de um esquema combinado e de que a forma como eles perpetuamente fazem o jogo um do outro não é mera coincidência.

 


[1] Você encontra a íntegra do “extrato” em: http://www.sendme.com.br/EXTRATOS/ExtratoDeQueHaErradoMundo.htm

[2] Por Dale Ahlquist e tradução de Vinicius Oliveira. Ver em https://www.sociedadechestertonbrasil.org/o-que-ha-de-errado-com-o-mundo/


sábado, fevereiro 24, 2024

NUNCA... SEMPRE...

 ou

A ESCALADA

 “O desejo de salvar a humanidade é quase sempre 

um disfarce para o desejo de controlá-la”. 

Henry Louis Mencken (1956/...) jornalista norte-americano


Escrevo na véspera do 25 de fevereiro de 2024, o domingo da manifestação convocada pelo ex-Presidente Jair Bolsonaro, a se realizar na avenida Paulista, na cidade de São Paulo.

Para ter um entendimento melhor do que vou expor, recomendo a leitura da série de 7 artigos “Extirpando a Democracia” (pelo menos os dois últimos) que publiquei entre setembro e dezembro de 2023.

O cidadão brasileiro está assistindo o desenrolar de uma disputa pelo phoder que, em si, é normal, é o padrão histórico. O novo, no caso do Brasil, é a rapidez e a desfaçatez com que uma tirania sem limites se estabeleceu entre nós.

Todo rompimento é o fim de um processo que se dá em escalada. É como o jogo de palitos de nossa infância onde vai-se tirando um a um até que todo o conjunto restante desabe. É SEMPRE um fim inevitável de um não percebido início evitável se a desistência fosse possível, o que quase NUNCA é. Só no jogo de palitos quando a mãe grita que o almoço está na mesa.

NUNCA um casamento, uma amizade, acaba do nada. SEMPRE é resultado de uma escalada de pequenos eventos que vão se acumulando. NUNCA o motor de um carro quebra do nada. SEMPRE é resultante de um desgaste que se acumula até que a resistência de uma peça se torna insuficiente e se rompe. A falência de uma empresa não se dá como uma grande surpresa, é SEMPRE consequência do acúmulo de decisões danosas à sua saúde financeira.

Ao longo da história da civilização o poder vigente SEMPRE acabou em ruptura, dando lugar a um outro grupo que se estabelece no poder político. Os processos, como se deram, nada importam, pois foram diversos e característicos das circunstâncias de suas épocas. O que foi e é condição sine qua non é o porquê tais quebras da normalidade ocorrem. E a resposta é única: a ruptura interna que SEMPRE acontece quando uma parcela do grupo oligárquico no poder é alijado, escanteado, marginalizado, das benesses e privilégios .

O poder, especialmente o poder político, não é um dom, uma capacidade, uma habilidade de alguém; o poder é SEMPRE uma concessão de representação - dada a uma personalidade “adequada” -, para exercê-lo em nome de entidades que se unem por interesses comuns de sugar o Estado até o limite do possível e que “garantirão” tal delegação até que “a morte os separe”, ou, mais frequentemente, interesses divergentes os separe.

Assim é o que estamos assistindo. De um lado a tirania delegada e comprovada pelo silêncio interesseiro - e covarde - de TODAS as instituições do país, e de outro todos nós, cidadãos assustados, amedrontados, os perseguidos por desejar, em pensamentos e atos, ser livre para manifestar seus desejos, seus direitos, suas vontades. Viver sobre suas próprias regras e valores individuais.

Se NUNCA é o povo o autor das rupturas, SEMPRE é em nome do povo que elas são realizadas. Tanto para o poder quanto para a oposição, o povo é tão somente “massa de manobra”, justificativa hipócrita para ter o direito de exercer o phoder.

O dilema do atual tirano-mór, é sua incapacidade de prever o futuro. Ele sabe apenas que há que escalar porque sua obrigação, seu dever, é para com os que o sustentam. Ele tem que seguir em sua sina de “extirpar” a qualquer custo seus possíveis, imaginários, pretensos ou reais opositores. Recuar não é uma opção.

O que lhe resta neste momento histórico? Esquecer Bolsonaro e deixar o barco ao vento vai levá-lo a uma tempestade inevitável, pois a escalada seguirá sua trajetória. Prendê-lo antes do evento seria armar os adversários internos desejosos de sangue, o que aceleraria o desfecho previsível. Prendê-lo depois do evento não seria uma jogada de risco, mas de suicídio para o sistema, pois, transformado em mártir, o ex-Presidente seria a bandeira da resistência que faria com que, pouco a pouco, aquelas instituições saltassem para um novo barco rumo ao poder porque o atual estaria fazendo água.

O que sei sobre o futuro é que no jogo de forças NUNCA uma força perdura para SEMPRE. 

Tudo é pendular. Cíclico.