segunda-feira, maio 09, 2022

RUPTURA INEXORÁVEL


A inesperada vitória de Bolsonaro foi um grito de independência de parcela de brasileiros em reação ao domínio político-cultural de 16 anos comandado pelo lulismo e sustentado pelas práticas marxistas e gramscistas dos petistas úteis por 20 anos infiltrados na máquina estatal. Foi uma ruptura na certeza de vitória de quem, já se imaginando no podium com a mão na taça e tomando banho de champanhe, se viu ultrapassado e derrotado pelo concorrente mal avaliado. Como isto pôde acontecer!? se perguntaram. Na busca de explicações, espiaram erros e desatenções, mas não abdicaram da soberba de quem tem “a” verdade, afinal eles têm certeza de serem melhores, superiores, de serem os bons e magnânimos apesar de seus malfeitos que se justificam pelos fins utópicos prometidos (e nunca entregues). O direito de roubar e assaltar os cofres da Nação (melhor dizer, o bolso de toda a população) é a recompensa pelo altruísmo do sacrifício que julgam realizar em nome do “povo”.

 

O que se viu, e se vê, desde a posse de Jair Bolsonaro na presidência da República até hoje, é uma sequência de atos coerentes com suas propostas de campanha e obediência ao compromisso maior assumido com seus eleitores de banir do poder todos os agentes do socinismo[1] e de fechar todas as torneiras que alimentavam seus apoiadores desde que atendidos em seus interesses financeiros. Irmanados pela perda das benesses de um Estado leviatã, formam, hoje, a massa dos “perdedores”.

 

Nestes 40 meses, os “perdedores” de boquinhas estatais (sem descartar os que temem perdê-las) se uniram em defesa de suas vidas pífias e/ou corruptas. Para tal adotaram diversas estratégias, entre elas: acusar o Presidente de qualquer coisa sem necessidade de conexão com fatos; ser contra qualquer coisa que ele fale ou seu governo faça; fazer acusações indiscriminadas a qualquer pessoa que não se alinhe em suas fileiras histéricas; praticar o duplipensar sempre que suas “verdades” não forem convenientes para os interesses imediatos (p. ex.: se proclamar democrata e praticar a repressão à liberdade de expressão[2]; acusar de tirano que age em absoluto respeito à Constituição; etc).

 

Nestes 40 meses, eles fizeram várias tentativas. Iniciaram com acusações diversas a Bolsonaro e, por tabela, a todos os estoicos[3]. Primeiro o chamaram de “autoritário”, “fascista” e “nazista”[4]. Não pegou. Com a pandemia aproveitaram para acusa-lo de “genocida”. Não pegou. Ingressaram com pedidos de impeachment alegando motivos rasteiros. Não pegou. Criaram uma CPI para arranjar alguma coisa que o comprometesse, mas escondendo os desvios dos recursos enviados pelo governo federal para estados e municípios. Não pegou contra ele, mas desviou o foco das atenções para longe de governadores e prefeitos. Criaram um inquérito (sem fim, mas “do fim do mundo”[5]) construído sobre ilegalidades e arbitrariedades para tentar calar (com cancelamento, prisão e desmonetização) a divulgação de “inconvenient news” e “ataques” à democracia ou atos antidemocráticos sem nunca especificar tais “atos”[6]. São ações em curso, mas ainda sem dar o resultado desejado. Na possibilidade cada dia mais real de Bolsonaro se reeleger, e como preparativo para um “plano B”, “convidaram” institutos de pesquisa para fazer aferições periódicas para “informar” os eleitores quem é o candidato que lidera a opinião pública (ou do “consórcio”, é a mesma coisa) e, paralelamente, criminalizaram qualquer questionamento à vulnerabilidade das urnas eletrônicas inclusive com ação de interferência de ministros do supremo em processos dentro do legislativo sobre o tema. Não bastando, o TSE tornou sigiloso o documento que aponta falhas e sugere medidas protetivas elaborado pelas Forças Armadas. Para saber o resultado vamos ter que esperar mais alguns meses. No momento tem ministro no STF procurando “pelo em ovo” para impedir que Bolsonaro se candidate. Imaginaram fazer isso alegando que a motociata seria campanha antes do prazo, mas aí o Lula fez a besteira de chamar a Daniela para um showmício onde ela fez a besteira de fazer campanha pró Lula antes do prazo. Foi mal!

 

Tem muito mais, apenas citei alguns fatos para evidenciar o processo dos perdedores. Mas existe uma outra estratégia como pano de fundo, qual seja a de divulgar a narrativa de que Bolsonaro está armando um golpe (Atenção: fazer de tudo para derrubá-lo não é golpe!!!). A primeira ação tática desta estratégia foi o STF impedindo o Presidente de exercer seu direito constitucional de designar o Diretor da Polícia Federal[7]. A esperança era (e continua a ser) de que tal ação provocaria uma reação drástica e explosiva do Presidente que seria tratada como tentativa de golpe. Esta esperança de reação continua a ser alimentada com o perdão dado por Bolsonaro ao deputado Daniel Silveira que está permitindo ao (na verdade, estimulando o) Xerife Mor da Nação a esticar mais a corda para ver se Bolsonaro cai na armadilha.

 

A mais nova (mas sendo esquentada em banho-maria desde a fala de Gilmar Mendes em Lisboa em 2021) é a da mudança do sistema de governo para um negócio não explicado que chamam de semipresidencialismo[8]. A “ideia” ganhou nos últimos dias a adesão inconteste de Rodrigo Padilha, o protetor das imoralidades e ilegalidades que alguns ministros do Supremo cometem dia sim e outro também. Qual é a jogada? Não há como derrotar Bolsonaro? Simples, a gente deixa ele se eleger como um “semi” presidente, um Rei Bobo da Corte, corte essa que será, evidentemente, ocupada pelos praticantes do phoder financiados pelos banqueiros tupiniquins e metacapitalistas da Nova Ordem Social.

 

Creio que você já pode notar que as táticas são muitas e veem de muitas frentes e fontes, não só do judiciário ou da “pequena grande” mídia em “consórcio”. As big techs estão sendo estimuladas a entrar no jogo com a promessa de terem seus mercados e ganhos preservados se colaborarem com movimento pró-perdedores. Cancelamentos, desmonetizações e até mesmo o extremo de banir da plataforma ativistas estoicos, impedindo-os de exercer o direito incontestável de trabalhar e obter sustento.

 

Depois da 1ª ruptura realizada pela eleição de Bolsonaro quebrando a hegemonia do pensamento marxista no centro do poder e trazendo o país de volta ao caminho da livre iniciativa e da defesa dos valores duramente conquistados pela civilização ocidental, estamos em uma escalada inexorável para a 2ª ruptura. Não vejo qualquer alternativa: ou Bolsonaro chega ao pleito de 2022 soterrando todas as tentativas de derrubá-lo (o que exigirá rupturas para chegar lá), ou a tirania "informal" das instituições corrompidas assumirão definitivamente o poder que, do mesmo modo, só será conquistado com rupturas no processo.

 

Evandro Pontes, jurista, em entrevista a Ana Paula Henkel, foi incisivo ao afirmar que “O golpe já foi dado. Tudo o que decorrer dele é mera consequência de um golpe (...). Já estamos na marcha da história para recobrar o sistema que já foi rompido por iniciativa clara e descabida do STF (...)”.

 

Desde que identifiquei algumas características da nova era digitrônica, chamo atenção para o fato de o modelo que praticamos até aqui de exercício da democracia estar desassociado das novas formas e meios de propagação da informação e do conhecimento. O professor Alex Fiúza de Mello[9] disse em entrevista ao jornalista Tito Barata[10]“O modelo político brasileiro é um modelo fracassado”[11]. A relação de poder da elite oligárquica com a massa de cidadãos manipulados em favor de seus intere$$e$ deixou de ser intermediada pelo poder centralizado dos órgãos de impren$a, a chamada Grande Mídia. A oligarquia dominante até 2018 foi defenestrada do poder porque não percebeu que não há mais possibilidade de intermediação controlada, engessada, pasteurizada. Cada cidadão se comunica diretamente com o poder e, enquanto existir resistência teremos à disposição uma tecnologia que nos faz cidadãos mais livres, manifestando opinião livre, aberta, enfática, determinada, sem máscara e sem mordaça. Para os “perdedores” isto é inaceitável!!! Volto ao professor Alex se referindo ao Presidente: “O Bolsonaro tem condição de denunciar a lama que é o Brasil”, mas o próprio professor entende que isto colocaria em risco sua reeleição que é o desejo do Presidente.

 

Enquanto o dia do voto se aproxima, a espiral evolui. As Forças Armadas, até então quietas, parecem não estar gostando da atuação de alguns representantes de instituições relevantes no processo eleitoral. No Valor Econômico (órgão do “consórcio”) encontramos duas notícias: a primeira de que “Ministros do STF sinalizam ao Planalto insatisfação com Moraes” (Será o fim do corporativismo na Suprema Corte e o início do “cada um por si”?); a segunda de que “Ministro da Defesa se reúne com Bolsonaro e comandantes das FFAA” (pouco depois instou o TSE a divulgar as sugestões das FFAA).  Como cereja deste bolo, o próprio Presidente afirmou em sua live que “as FFAA não terão papel de espectador nas eleições”.

 

De ambos os lados, todos de mãos dadas. Ninguém larga da mão de ninguém!!! Nem um passo atrás, pois o orgulho, os interesses, os desejos confessos e inconfessos, os ditos que não podem ser desditos, os feitos que não podem ser desfeitos, obrigam  todos a caminhar para seus destinos inexoráveis.

 

É aguardar para a espiral atingir seu ápice.

 

 



[1] Socinismo é a expressão que uso para rotular o conjunto das ideias e ações do comunismo e do socialismo.

[2] Se você puder ter acesso não deixe de ler o artigo de J. R. Guzzo na revista Oeste de 6/5/22, “Os inimigos da palavra livre”. Cito este trecho que tem relação com o duplipensar a que me refiro. Diz Guzzo em relação ao uso do termo “desinformação” pela elite iluminada: “Ela serve a um duplo propósito. É um traço de união, ou palavra de ordem para a campanha, entre os adversários da candidatura do presidente da República. É, também, o pé de cabra mais utilizado para se arrombar a porta que protege a liberdade de expressão”. E tendo acesso à Oeste, leia também o artigo de Augusto Nunes, "A Constituição Estuprada".

[3] Como Fiúza, também não concordo com a rotulagem de direita e esquerda. Entretanto, diferente dele, acho obrigatório que se tenha alguma rotulagem para que se possa separar dois espectros do pensamento quando, principalmente, se tem apenas o espaço de um artigo, ou até menos, para se apresentar uma opinião. Neste sentido é que prefiro utilizar os termos “estoico” (em substituição aos que se identificam com  democracia, capitalismo, liberalismo e conservadorismo) e “vitimista” (em substituição aos que se identificam com o comunismo, socialismo, ditadura do proletariados etc.)

[4] Relembro um fato que já contei em outro artigo. Depois de ouvir de um “vitimista” a acusação feita com ênfase de Bolsonaro ser um “autoritário”, fiz a pergunta simples e óbvia: cite um ato autoritário que ele tenha praticado? A resposta, depois de segundos de silêncio, veio enfática: “Não vou lhe responder. Não vou lhe responder.”

[5] Rótulo dado ao inquérito pelo recém aposentado ministro Celso de Mello.

[6] Como vítimas deste inquérito estão, entre outros: Daniel Silveira, Roberto Jefferson, Allan dos Santos, Bárbara, e Oswaldo Eustáquio.

[7] Naquele momento fui crítico à decisão de Bolsonaro de recuar, influenciado pelos que estavam à sua volta. Hoje entendo que poderia ensejar uma reação dos perdedores que teriam “justificativas” para ataca-lo.

[8] O termo é o que se pode chamar de “criação criativa” dado que não podem chamar de parlamentarismo, pois este, além de já ter sido rejeitado em plebiscito, seria de difícil ingestão pela população mais informada de hoje.

[9] Professor Titular (aposentado) de Ciência Política da Universidade Federal do Pará (UFPA). Mestre em Ciência Política (UFMG) e Doutor em Ciências Sociais (UNICAMP), com Pós-doutorado em Paris (EHESS) e em Madrid (Cátedra UNESCO/Universidade Politécnica). Reitor da UFPA (2001-2009), membro do Conselho Nacional de Educação (2004-2008) e Secretário de Ciência e Tecnologia do Estado do Pará (2011-2018). 

[10] Assista a entrevista completa neste link: https://www.youtube.com/watch?v=P25wFOqCgXc

[11] A esta declaração faço apenas uma ressalva. Não se trata do “modelo político brasileiro” de democracia, mas sim do modelo de democracia, não importa de que país.




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