04/12/2013

ALICERCES DA CORRUPÇÃO - Parte III

Se ainda não leu, leia sobre o Transtorno de Personalidade Antissocial (link na postagem Parte I desta série), é fundamental para você compreender exatamente minha tese.

Como você está se sentindo em relação a ser "ajudado" por seu amigo empresário? Ah! Sei, não é seu amigo! É amigo do presidente do diretório do partido na sua cidade. É dono de uma construtora? Que legal! Ele já foi ajudado por este amigo? Ah! Sei, eles frequentam a casa um do outro, churrasco em finais de semana, viajam juntos para a Europa... Sei.


Vou deixar que você siga esta trilha apenas com seus próprios neurônios, principalmente, porque não sei como você vai lidar com as encruzilhadas com que vai se deparar e, portanto, prefiro apresentar outras situações.

Quando minha filha era uma jovem estudante do 2º grau, recebeu por um tempo aulas particulares de matemática. O professor era um bom rapaz, educado, na época com seus 22 anos e com um sonho lúdico de entrar para a polícia civil. Ele transmitia estar tão cheio de boas intenções que Regina até daria sua benção caso ele pretendesse namorar nossa filha.

Já eu... Bem, quando passava pela sala, chegando ou saindo de casa, e via os dois, não resistia a fazer reflexões sobre o que poderia acontecer com ele quando entrasse para a polícia. Eu me perguntava se seria possível alguém resistir às pressões para se corromper. Lembremos que, por uma questão de segurança, policiais não atuam sozinhos, no mínimo formam dupla até para fazer rondas em locais "tranquilos". Eu imaginava situações. Por exemplo, quando interpelando um traficante este oferecesse dinheiro para ser liberado. Se Cosme aceitar, como fica Damião? Que atitude este deve ou tem que ou pode tomar? Se aceitar, deixa de pertencer à "banda boa". Se recusar, quais serão as consequências para sua permanência na corporação? Ou até mesmo para sua integridade física? Mas, contando com muita sorte, o companheiro do personagem deste meu relato também é um policial da "banda boa" e não aceitam a oferta, algemam o cara direto para a delegacia, registram a prisão e voltam às suas rondas. Acontece que no turno seguinte eles descobrem que o tal foi solto e o delegado dá uma desculpa esfarrapada qualquer. Eles sabem que por trás da desculpa, tem uma propina gorda. Como ficam os dois? Como agirão da próxima vez?

Não tenho como comprovar, mas... Há muito tempo me relataram um comportamento que, disseram, é uma atitude padrão. Quando um grupo faz uma ação qualquer de prisão e que esta não se concretiza porque o bandido fez uma oferta polpuda, o valor é distribuído para todos os presentes garantindo que todos sejam cúmplices. Alguém teria alguma chance de recusar? Não se tem como comprovar, mas é provável que existam situações em que esta estratégia seria uma solução bastante conveniente.

Podemos dizer que as situações aqui aventadas, se constituem em aspectos exógenos ao indivíduo (aqueles que vêm de fora), variáveis que não partem da nossa vontade, mas que nos forçam a tomar decisões que, talvez, em outras circunstâncias - livres dos aspectos exógenos -, não tomaríamos.

Aqui me despeço por hoje, deixando-os com estas reflexões e com as manchetes do dia sobre José Dirceu, seus hotéis e seus laranjas, e sobre Genoino, o Ingênuo, e suas artimanhas.


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