04/04/2014

ALICERCES DA CORRUPÇÃO - PARTE IV

Chegamos ao ponto. Quando eu entro na casa de alguém, a primeira coisa com o que me preocupo é observar para apreender as regras, o modus vivendi das pessoas que a habitam. O motivo é simples: eu estou no ambiente delas e é às regras, normas, costumes delas é que eu devo me submeter se desejar ali permanecer. Do contrário, caio fora o mais rápido.

Ao longo de meus anos como dirigente, me deparei com alguns novos funcionários que "esqueceram" deste pequeno detalhe nos primeiros dias. Mal chegavam e já começavam a "ter ideias" e a criticar as situações que encontravam. Na primeira oportunidade, eu chamava para uma conversa e lembrava ao incauto que, antes dele abrir a boca, deveria observar bastante, pensar sobre o por quê as coisas que ele via eram daquele jeito e, não encontrando uma resposta que o satisfizesse, perguntasse ao seu colega mais próximo. Eu fazia questão de dizer algo mais ou menos assim: "Não somos um bando de idiotas (até pode ter um ou outro), se as coisas são do jeito que são, é porque existe um passado e um presente que justificam elas serem assim. Portanto, estamos abertos a novas ideias e até mesmo a críticas, mas antes de fazê-las aprenda como nós somos."


Você não muda o ambiente, o ambiente, com certeza, vai mudar você. Se você quer ser um policial, é bom que antes você procure descobrir quais são as regras do meio. Isso não importa muito (mas é uma atitude sábia) porque entrando na corporação você logo logo vai saber quais são elas.

Assumamos que você é o honesto dos honestos, e resolve entrar para a política por puro idealismo ou até mesmo porque se acha melhor que os outros, tanto faz. Saiba, então, que todo o dinheiro necessário para sustentar o processo político, da filipeta de candidato à sua aparição no horário eleitoral, tudo é financiado com dinheiro de empresas, obtido legal ou ilegalmente (o mais frequente).

Eu sei, eu sei, você é o honesto dos honestos. Então sua alternativa é eleger seu tesoureiro e jamais perguntar quem pagou o que quer que seja. E jamais dê continuidade a qualquer conversa que não seja absolutamente republicana, cujo teor não possa ser falado perante um microfone da emissora campeã de audiência. Mas caso a conversa seja, digamos, esquisita, delegue, mande seu interlocutor "acertar os detalhes" com seu chefe de gabinete ou equivalente.

Vou indo. Volto logo.




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