25/03/2009

CHEFE MORTO, CHEFE POSTO. VIVA O CHEFE!

Cabral descobriu o Brasil, mas depois de 500 anos Cabral ainda não descobriu como combater o tráfico sem dizimar a população. É evidente que ele não sabe o que fazer. Nem ele, nem seus secretários, nem seus técnicos, nem eu nem você. Toda a abordagem adotada até hoje está errada por um motivo muito simples: nenhum cidadão quer morrer em troca da tentativa de prender ou matar um traficante. É simples assim.



Não contabilizadas as mortes inúteis por bala perdida, o absurdo número de 137 mortos por dia no Brasil vítimas da disputa pelo controle da droga, nos faz campo de batalha para a maior guerra em curso no mundo (não sei se perde para a que acontece nos Estados Unidos). Dias atrás, o jornalista Ricardo Boechat colocou a questão de uma maneira simples: pergunte a qualquer pai ou, especialmente, ao pai de Julia (menina que saiu de casa para comprar refrigerante, voltou com uma bala na barriga e agora está em uma gaveta qualquer de um cemitério da zona norte): você topa dar a vida de seu filho/a para ter um traficante preso ou morto? Não fizeram a pergunta ao pai de Julia, mas ela morreu e o bandido continua solto!

Evitemos a hipocrisia por alguns instantes.

Sabemos que só há tráfico de drogas porque há consumidores. Mas já sabemos também que não há como combatê-los. Sabemos que não há campanha que dê resultado porque o consumo de tabaco nos prova isso todo dia. Por mais chocantes que sejam as imagens impressas nos maços, a indústria tabageira, legalmente constituída, contribuindo para a receita do país pagando altíssimos impostos, só faz aumentar seus lucros, o que nos beneficia com ainda mais impostos recolhidos.

Vivemos todos uma angústia diária por não saber o que fazer (sem culpa, pois não é nossa área de competência e responsabilidade), mas todos sabemos o que não devemos mais fazer para não sermos vítimas dessa insanidade, deste sistema que se sustenta na completa corrupção de todos os agentes (do bem e do mal). Se alguém há que morrer que sejam eles mesmos a se matarem, não precisamos ajudar mandando nossas tropas de elite.

O Secretário Beltrame, sem resposta, interroga com exclamação: "fazer o quê!?". Se mostra de mãos atadas como todos nós ao expor sua alternartiva: "Botar a cabeça embaixo da mesa?". Não secretário, partir para uma outra abordagem do problema: legalizar, institucionalizar, fazer o estado tomar conta do processo, porque esta é a única maneira de acabar com a disputa, e consequentemente, com os 137 crimes diários, e consequentemente com as tantas mortes diárias de inocentes. Sim, secretário, é a disputa que aos cidadãos do bem interessa acabar, porque é ela que acaba com a gente. Não é a droga. Pouco nos importa o drogado, esta é a verdade. Que se dane! Se isto é um problema, não é para mim, nem pra você, é para ele e sua a família. Que o estado ofereça instituições de apoio e tratamento.

E, sem hipocrisia secretário, governador e outros responsáveis pela situação: por experiência todos sabemos que a guerra que vocês estão fomentando não funciona porque rei morto, rei posto. Viva o rei!

2 comentários:

  1. fernando reis da costa e silva25 de março de 2009 11:43

    vou sugerir as pessoas,se tiverem oportunidade de ler o Envangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, e refletirem sobre suas afirmaçoes.
    Fernando Reis da Costa e Silva

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  2. A urbanização é o grande teatro humano!

    Como foi apreciado no texto sabemos que não queremos trocar nossos bens mais preciosos poela escória da sociedade, mas Evitemos a hipocrisia por alguns instantes.

    (EXEMPLO)
    Quem trabalhou muito e é merecedor e quer andar de carro importado ou presentear um belo automóvel na Zona Sul do RJ quer viver e gosta da ilusão que está tudo bem. Não,não está tudo bem, existe uma guerra real, afinal ninguem quer abrir mão fazer trocas, nem os caras maus (os excluídos) eles também querem andar de carro importado e etc... , não é verdade? A sociedade tb faz parte desse jogo.

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