08/04/2009

ECOJOGO DOS HUMANOS

Uma tremenda hipocrisia este discurso "muderno" de pedir para você assumir atitudes ecologicamente corretas. A razão é simples: sua atitude é nada no processo de poluição humana do meio ambiente. Ah, mas tem aquela fábula do cara que vai andando pela praia pegando estrelas do mar e as devolvendo à água. Tão bonitinho quando ele diz: "Para ela eu faço diferença". No caso faz, nessas atitudes cotidianas, nem isso.



Enquanto você adota algum recurso para não usar os saquinhos plásticos do supermercado, uma empresa está tendo sucesso produzindo um dispositivo de plástico duro para substituir o elástico (plástico mole, absorção mais rápida pela natureza) para prender o hashi dos que não conseguem dominar o palitinho no restaurante japonês. É apenas um exemplo, a regra geral das empresas é produzir o que as pessoas querem/precisam comprar da maneira mais rentável possível. As mais lucrativas reservam uma verba para sair bem na foto do ecojogo.

Enquanto você adota o que quer que seja para salvar o mundo, a indústria de celular orgulhosamente nos informa que lá para 2012 deveremos ter um padrão para carregadores de celular. Até lá, elas vão continuar faturando fabricando, cada uma, um carregador diferente para que nada seja compatível e você, eu, todos nós, tenhamos que comprar novos carregadores.

O uso de plástico, de elementos radiativos e poluentes diversos da atmosfera, cresce a uma taxa maior que o crescimento da população. A razão? Crescimento do PIB mundial que faz com que uma taxa maior da população possa consumir bens poluidores. Crescimento da renda, melhoria da qualidade de vida, quem vai ser contra isso? Quem está disposto a abrir mão disso? Enquanto o discurso do ecojogo crescia, nascia e crescia a moda dos SUVs e similares, veículos grandes com tração 4x4 e alto consumo de combustível. O carro elétrico só sairá da linha de montagem quando acabar o petróleo, até lá, continuaremos a respirar nossa cota diária de gás carbônico.

O mercado financeiro foi deixado à solta porque o interesse particular prevaleceu sobre o interesse coletivo. Deu no que deu. Enquanto os governos não assumirem a responsabilidade de liderar o processo, o crash ecológico virá do mesmo jeito. Para eu e você, não há o que fazer. Somos nada nisso tudo. Somos assim. Somos seres "humanos".

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