12/02/2015

SUPRACENTRAL DOS TRABALHADORES III

O PT, respeitando-se como seu objetivo a sua designação, Partido dos Trabalhadores, foi fundado por um operário da indústria metalúrgica, depois de passar por uma experiência bem-sucedida de liderança do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, uma entidade cuja existência depende de assumir, sempre, posições contrárias ao Sindicato das Indústrias (não é juízo de valor, é reconhecimento do papel dos sindicatos) para negociar ganhos e evitar perdas. Repito aqui definição do senhor Luiz Inácio sobre ele mesmo em 2005:  "Eu estou presidente, mas sou mesmo é dirigente sindical"

Esta origem do PT não tem base filosófica. Não contém uma visão de mundo ou de proposta de solução para as tantas e tantas angústias sobre a divisão e distribuição dos recursos oferecidos pela natureza, pela ciência, pelo conhecimento de maneira geral. Eu acho o pensamento marxista, uma formulação de psicopatas, mas seus conceitos visam a implantação de um sistema para todos (com exceção dos membros do politburo). Você pode achar que o liberalismo é uma inviabilidade prática, mas, do mesmo modo, propõe um sistema para todos (com exceção para os amigos do poder). O PT é uma entidade cuja única proposta, vaga, nebulosa, é defender "os trabalhadores". E quem são os "trabalhadores"? Tomando a decisão estapafúrdia (consulte os resultados neste início de 2015) de isenção do IPI para a indústria automobilística e outras, "trabalhadores" para o PT significa "trabalhadores da indústria metalúrgica".




Se você se comove quando o PT levanta, insistentemente, a bandeira das "conquistas sociais", chamo sua atenção para o fato de que, além disto se resumir ao "bolsa família", o programa nada mais é do que a simples opção do senhor Luiz Inácio de dar continuidade ao sistema de bolsas iniciado no governo do PSDB que o precedeu. A prova maior do que digo está aqui e é dada pelo próprio senhor Luiz Inácio em declaração pública sua de que tal sistema era, em suas palavras, "(...)  uma peça de troca em época de eleição (...) quando você trata o povo mais pobre da mesma forma que Cabral tratou os índios distribuindo bijuterias e espelho, para ganhar alguém eles distribuem alimento. Você tem como lógica manter a política de dominação que é secular no Brasil".



O resultado é que, sem proposta para a nação, tendo apenas o recursos de ser contra tudo e qualquer ação daquele a quem ele quer vencer no embate democrático, o que sobrou foi um projeto político sustentado apenas na permanência no poder, e aí, vale e valeu tudo. Vale aparelhar com militância (despreparada e incompetente) todos os níveis de todos os organismos públicos e empresas de economia mista para controlar o desvio de dinheiro para os cofres pretensamente "partidários". Vale jogar os cidadãos do norte contra os do sul, como se no norte não houvesse ricos e no sul não houvesse pobres.. Vale jogar empresários (indiscriminadamente) contra os tais "trabalhadores" como se a absurda maioria de empresários (de donos de botecos a comerciantes, de prestadores de serviço a indústrias de fundo de quintal), fosse constituída de vagabundos e não de gente que trabalha 12 horas por dia, 7 dias por semana, sem direito a 13º, férias etc. Vale dizer qualquer coisa e desdizer depois porque simplesmente não  há um conceito norteador, e sem ele tudo pode ser justificado no interesse do momento.

Esta origem do PT explica todas ou quase todas as atitudes de seus membros e as declarações e decisões daqueles que exerceram e exercem o poder politicamente constituído. Esta é a base que promove e justifica a diferença das ideias petistas antes e depois de assumir o poder. Trato disto no próximo post.




Um comentário:

  1. Esse é o "modus operandi" do PT, só não sei como faremos para quebra-lo sem pagar mais...

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