03/08/2016

EU & EREMILDO


Eremildo é um idiota e personagem criado pelo jornalista Elio Gaspari para representar coisas que acontecem mas de difícil compreensão para a maioria de nós. Para ninguém se ofender, me dirigirei a ele daqui em diante. Peço ao Gaspari, portanto, desculpas publicamente pelas referências, pois se me sirvo dele é como homenagem a este ícone que representa a ignorância do cidadão comum frente às idiossincrasias dos poderosos, particularmente, do pequeno poder.

A reflexão que apresento aqui tem motivação no fato do governo federal passar a exigir que candidatos a vagas no regime de cotas em concursos públicos que se declararem negros, terem que se submeter a uma avaliação para comprovação de que são realmente negros (!!!)A exigência de "comprovação presencial" beira a insanidade. Como alguém já alertou, nada mais perigoso que um incompetente com iniciativa. Além de prenunciar que vamos levar duas décadas (eles têm estabilidade de emprego) para desentranhar o petismo (e suas ideologias retrógradas, anti-humanas, e, curiosa mas não surpreendentemente, preconceituosas) das várias instâncias do Estado, também expõe a contradição do "politicamente correto", dado que expor um cidadão desnudo (creio eu) frente a uma comissão "avaliadora" da cor de sua pele é um exemplo extraordinário de algo politicamente incorreto, para não dizer, humilhante, esteja ele vestido ou só de cueca ou calcinha. 



Uma pausa é necessária e oportuna para ressaltar alguns aspectos do petismo. Um deles é a propriedade da verdade (outra, da honestidade, ficou provado que a escritura era falsa). Et pour cause, o petismo entende que "o povo" (e "povo" são todos os que não ocupam posição em qualquer nível da estrutura do poder político) precisa ser, mais do que protegido, abrigado de qualquer evento da vida que possa lhe ser... desagradável, incômodo, indesejável. "O povo" não pode sofrer qualquer infortúnio, qualquer dificuldade para ter o que eles acham que "o povo" precisa e/ou deseja. É uma psico-filosofia da evitação, mas como não dá para efetivá-la por decreto, a solução é criar, para cada nova proposição, um novo aparato policialesco. Para o petista, "o povo" não tem capacidade de ter responsabilidade sobre si mesmo. Para o petista, "o povo" tem que ser protegido "do povo" e não há ninguém melhor do que ele para oferecer isto em nome de seu altruísmo!!! Imagino que eles tenham como objetivo final dividir a população, meio a meio, metade do "nós" (eles), os com poder, qualquer poder, e o "eles" (nós), os eremildos recalcitrantes que precisam ser vigiados, controlados para não fazerem besteira. Creio que eles têm na mente, como ideal a ser alcançado, a imagem de cidadãos "do povo" tocando a vida tendo como sombra a nos viajar a projeção fiscalizadora da sombra de um deles.


Outra aspecto, que não percebemos antes de eleger Lula, é a média geral da qualidade da formação das hostes petistas. Atenção, falei "a média", não a totalidade. O resultado que o Brasil obteve destes mais de 13 anos do poder no PT, se deve exatamente a esta falta de quadros para gerir uma Nação como o Brasil na complexidade que adveio, principalmente, da globalização, do acesso à informação e da velocidade da comunicação. Não é mais possível que um cidadão, sem instrução e preparo, possa se eleger para qualquer cargo de poder, especialmente no nível federal. Num mundo de séculos atrás isto foi possível, não é mais. Ou entendemos isso, ou vamos continuar a praticar um populismo que nem mesmo os cidadãos de pouca instrução desejam, pois estes desejam que o país esteja sendo gerido por pessoas altamente capacitadas, único caminho para sustentar a esperança em um futuro mais digno. 

Volto ao tema.


Abaixo, eu, idiota desde criancinha, e meu Eremildo universal preferido.



Eu e Eremildo, incorrigíveis idiotas, estamos perplexos. E você, o que acha dessa proposta de aferição racial presencial? Antes de ser contra ou a favor, gostaria que você me acompanhasse num passeio pelo tema "preconceito". 

Como não sou antropólogo, preciso de sua tolerância (pré-disposição extremamente útil à manutenção de um convívio harmonioso com os semelhantes e, principalmente, com os diferentes) para a exposição de minha tese sobre a origem do preconceito que, em minha humilde opinião, remonta aos tempos em que descemos das árvores. Digo até que, se estamos aqui, eu e você, tal existência se deve ao preconceito ("juízo pré-concebido, que se manifesta numa atitude discriminatória, perante pessoas, crenças, sentimentos e tendências de comportamento. É uma ideia formada antecipadamente e que não tem fundamento sério"). Nesta definição, a expressão "não tem fundamento sério" está se referindo a um preconceito em pauta, e não à origem deste sentimento no ser-humano. Enquanto uma atitude preconceituosa não tem uma base, uma referência, uma opinião passível de receber a avaliação de "séria", factual, o preconceito em si tem fundamento na sobrevivência das espécies do mundo animal desde sempre. Onde houver o mecanismo da percepção, haverá expectativa, não necessariamente positiva, o que conduz ao preconceito. Repare ainda que na definição acima, o preconceito racial é tão só uma de suas manifestações, dado que ele pode ser até mesmo usado para "tendências de comportamento".

Sou geneticamente preconceituoso no geral, e preconceituoso cultural, intelectual, mental, no particular. No geral, sou igual a todos. Venho do mesmo casal de símios (provavelmente chimpanzés) que todos os meus semelhantes humanos. Se isto leva a deduzir que somos irmãos, o somos de uma irmandade perdida há cerca de 200 mil anos.
Quando o homo sapiens descobriu que podia produzir alimentos, deixou de vagar pelas estepes, fincou raízes (no duplo sentido) e construiu aglomerados. As ameaças dos diferentes deixou de ser ao indivíduo e passou a ser ao grupo, à comunidade, fazendo florescer, além do trigo, o sentimento de território. O preconceito, então como recurso a serviço da sobrevivência de uma tribo, de proteção aos semelhantes, aos "quase iguais", promoveu a construção de muralhas na primeira fase, depois a fronteiras nacionais, mais tarde a áreas de influência, união de nações para o livre comércio, até chegarmos ao terror reinante na defesa de falsas civilizações


Eu e Eremildo somos consequência desta história evolutiva. Quando nos deparamos com um irmão diferente, nos pomos em posição de defesa, em prontidão, prontos para o ataque. É natural. É genético. É humano. Somos irracionalmente preconceituosos. E o seremos enquanto o gene, ou genes, responsáveis por sua existência continuarem a ser replicados no DNA das próximas gerações.

No mundo animal, a cadeia alimentar se sustenta na visão de que outro animal, diferente e convenientemente mais fraco, é desprezível o suficiente para se tornar fonte primordial de alimento. Esta percepção negativa provém exatamente do preconceito, um juízo pré-concebido que respalda a ação para solucionar sua carência de proteínas. Na direção inversa, sendo um animal o diferente para um outro, corre o risco do outro possuir recursos biológicos superiores aos dele e suficientes para considerá-lo desprezível, fazendo-o ter a consciência de que precisa se manter alerta para não ser, literalmente, comido.

Entre os humanos, não foi e não é diferente. Pensemos no homem quando nômade coletor, constantemente frente a outros seres, novos, desconhecidos, humanos ou não, sem o onisciente Google e o onipresente Facebook, sem jornal, sem sinais de fumaça de outras tribos, sem um alguém para perguntar: "E aí, você conhece esse cara?". 

E onde encontrar suporte para resolver questões existencias (literalmente) íntimas que nos acompanham há milênios: "O que esperar deste outro?". Ele é ou não uma ameaça à minha integridade? Devo partir pra cima ou aguardar e aumentar meu risco?

Voltemos à questão das cotas. O papel das universidades, onde "o problema" do fraudador também tem que ser resolvido, não é promover a integração racial. Universidades têm o dever de formar uma elite intelectualmente preparada para assumir responsabilidades que a cada dia se tornam mais complexas de gerenciar. É nesta tarefa que precisam se concentrar, pois, ao serviço público, não cabe ser cabide de emprego para ninguém, sejam negros, brancos, cegos, surdos, mudos, o que seja. Servidor público tem o dever de servir ao cidadão que o sustenta com o máximo de eficiência, seja o serviço prestado por quem quer que seja, de qualquer raça, com ou sem diferença física ou intelectual. Os hipócritas burrocráticos preocupados em facilitar o acesso de não-brancos a universidades e autarquias, deveriam dedicar seus esforços e recursos a promover a maior capacitação das pessoas, indiscriminadamente, para competirem no único sistema capaz de contribuir para o desenvolvimento de uma nação: o meritocrático. E não tem sentido universidade gratuita quando isto significa subsidiar uma elite. À federação cabe garantir prioritariamente o ensino fundamental para todas as crianças e jovens, alicerçando a capacitação que será exigida do futuro cidadão no ambiente da sobrevivência adulta. Subsidiar apenas quando significar a justa recompensa para quem, sem recursos para continuar ou competir, a recebe por merecimento.


O sistema de cotas é absolutamente injusto. E não estou falando da injustiça pelo desmonte da meritocracia, isto é óbvio. É injusto porque discriminatório e preconceituoso na sua concepção, pois privilegia os negros, mas não os da nação indígena, nem os caucasianos europeus (será que sou caucasiano por ser neto de uma alemã e uma portuguesa?), nem os asiáticos de olhos puxadinhos, nem os anglo-saxões de olhos verdes, nem os latinos de olhos castanhos, nem os de qualquer origem com orelha de abano, nem as minorias com lábios leporinos, ou os portadores de vitiligo (perda da coloração da pele), ou de sindrome de Down  etc. etc. etc. Mas tem uma consequência inevitável e universal: incentivo inquestionável ao aumento da intolerância, da discriminação e do preconceito. Os hipócritas preferem tirar o sofá (ou o bode, como queira) da sala, colocando no lugar mais burrocracia(1) (você leu certo) e mais gastos e mais ingerência na vida alheia nossa. A hipocrisia do mandante abandona seu discurso "politicamente correto" e edita que "cada órgão deverá instituir uma comissão avaliadora que fará a verificação" com base em "aspectos fenotípicos". 

Espectrofotômetro.
Como não foi previsto o uso de espectrofotômetros, eu e Eremildo queremos saber como a tal "comissão" irá resolver os casos nebulosos, onde não houver "aspectos fenotípicos" claros que permitam a separação entre "nós e eles" tão proclamada pela lulista esquerda-cabide(2)? Como os candidatos poderão ficar protegidos dos preconceitos, fraquezas morais e interesses dos julgadores? Hummmm! Desconfio que as decisões serão com base na "discriminação" e, para que ninguém leve a pecha de racista, ou de ter avaliado tendenciosamente, a decisão final será por voto da maioria.

Isto poderia ser evitado se os incomodados com eventuais declarações falsas de cor (a razão declarada como fundamento para a norma), em lugar de criar comissões, simplesmente adquirissem este maravilhoso equipamento à disposição  no mercado.  Sua aquisição, preencherá todas as suas necessidades, inclussive pelo fato de a calibração do equipamento ser feita a partir do... preto!!! Que coincidência maravilhosa! Caso aceitem a minha sugestão, por favor me avisem para que possa contactar o fabricante e me tornar seu distribuidor exclusivo no Brasil, o que será bom para todas as partes envolvidas, inclusive porque aqueles 3% (ou 10%, ou 20%, vocês é que sabem) estarão garantidos. Só não garanto a interferência futura da "República de Curitiba".

Sou da raça humana, tenho absoluta convicção disso. Quando me olho no espelho, sempre, invariavelmente, vejo um ser-humano. Minhas manifestações, ações, reações, são características da raça humana como os antropólogos a definiram. Mas se fosse submetido à tal avaliação, conhecedor do princípio por trás da pergunta, não saberia o que responder pois tenho sérias dúvidas em como me enquadra neste conceito de “raça”. Sou consequência, entre outros, de minha avó alemã e minha avó luso-africana. A relevância desta realidade para mim é quase nenhuma. A serventia desta informação está limitada ao âmbito da minha identificação dentro de um ramo da árvore genealógica, me permitndo me apresentar a algumas pessoas dizendo: "Sou seu primo Paulo, filho da Neuza e do Joaquim. Muito prazer!".  O que tem relevância, o que nos importa, é sermos respeitados em nossa individualidade. E, definitivamente, não quero que conquistas possíveis com base em meus esforços, me sejam roubadas por alguém que entra pela janela das cotas.

A hipocrisia não para por aí. Humberto Adami, presidente da Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra no Brasil [sim, isto existe, mesmo depois de mais de 120 anos do fim da escravidão, e pasme, foi criada pela OAB!!!] apresenta o seguinte argumento: "Essas regras são importantes para evitar fraudes que vêm sendo noticiadas em universidades e, agora, no serviço público". É a comprovação de que eles são mais que esquerda-cabide, eles querem tornar o Estado onipresente, onipotente, não importando os custos e quem vai pagar a conta de todas as comissões, de todos os órgãos, de todos os concursos!!! O propósito é emprego estável para mais "companheiros". Como são incompetentes e não sabem administrar as exceções (4), criam comissões. 

As pessoas em posição de poder, antes de falar e fazer monumentais besteiras, deveriam estudar teoria dos sistemas. Teriam a oportunidade de aprender que para todo sistema que se implante, surgirá um conjunto de agentes fraudadores. Aprenderiam que não há sistema imune a eles. E, por fim, aprenderiam que fraudadores de um sistema que funciona para a maioria, são a exceção e devem ser tratados excepcionalmente.

Coroando a hipocrisia nonsense, a notícia no jornal lembra que uma decisão judicial anulou um pedido da Polícia Federal que, em um de seus concursos, exigia o envio prévio de foto do candidato, porque, simplesmente, tal pedido é INCONSTITUCIONAL porque discriminatório!!!!! E agora? Qual político ou procurador do Ministério Público Federal se apresenta para entrar com uma ação para revogar esta exigência racista, idiota e inconstitucional?

Enquanto os hipócritas pensam que mudam a humanidade com este tipo de caminho, "a cada 23 minutos, um jovem negro é assassinado no país; e a cada 11 minutos, uma mulher é estuprada." Qual a sugestão hipócrita que eles têm para acabar com isso? Estupradores, assassinos, psicopatas, neuróticos, ladrões, fraudadores, hackers, gays, machões, pedófilos, voyeurs, autistas, cegos, diferentes físicos e mentais de toda natureza, e gente como você e eu, continuaram a surgir dos úteros das mulheres do mundo inteiro. Ou descobrimos o lugar e o papel de cada um no complexo sistema das relações sociais, ou nos matamos todos. 

O único caminho que poderá nos levar a uma tolerância para com o diferente é afastando as razões para ser uma ameaça a todos nós, diferentes que somos de todos os demais. O preconceito é parte do conjunto de irracionalidades e instintos que carregamos em nossa constituição. É ele que está na base do nacionalismo, do fascismo, do nazismo, das brigas entre torcidas, entre vizinhos, entre marido e mulher, entre colegas de trabalho, entre companheiros de copo no bar da esquina do chop de quinta. É ele que sustentou a liderança política de Lula fazendo o discurso do "nós e eles".

Em terra de cego quem tem um olho é o Rei, mas os cegos não sofrem preconceito, nem bullying, nem intolerância, e não precisam de cotas. Não existem cotas na China para indivíduos filhos de casais multirracias, que nascem com ollhos "ocidentais". Ou para baixinhos em comunidades Masai Mara. Ninguém precisa de proteção do Estado se o Estado cumprir com suas responsabilidades: criar as condições para que cidadãos e empresas possam competir munidos das capacitações básicas e, em segunda instância, criar e gerir tal competição com base em um arcabouço legal que tal prática seja justa e proveitosa para a Nação, no presente e no futuro.

É por isto que não entendo a dúvida de pais e educadores no debate que acontece, pelo menos no Brasil, se as crianças "especiais" devem ter um tratamento diferenciado, uma escola exclusiva, ou se devem frequentar os ambientes padrões. Se a vida tivesse me reservado um filho com qualquer incapacidade, mental ou física, faria todos os meus esforços para que passasse o máximo de tempo entre os seus. Obrigá-lo a frequentar a escola dos diferentes, seria puro exercício de sadismo e, provavelmente, eu seria um psicopata em algo grau. Não consigo entender o argumento da integração, haja vista que "os normais" continuariam a se ver como normais, ridicularizando-o, enquanto meu filho, "o diferente", não conseguindo fazer o que os outros realizam com extremamente facilidade, se veria sempre como excluído, alimentando sua frustração e sua raiva para com a vida. Não! Ao meu filho eu proporcionaria ao máximo uma existência entre os seus, onde ele pudesse estar em igualdade de condições, onde ele pudesse competir e se orgulhar de seus feitos! E, obviamente, onde ele recebesse atenção, carinho e amor, tanto quanto receberia em casa(3). Estruturado, com sua auto-estima no alto, se olharia no espelho e sentiria orgulho de si mesmo. E entre nós, os diferentes, não se sentiria jamais menor, ou inferior, porque no seu mundo, entre os seus, ele teria valor. Mas isto - e só não o vê quem não quer -, só poderia acontecer em ambientes dedicados aos especiais. Jamais jogado entre as feras com a desculpa de que precisa aprender a se virar sozinho e outros argumentos semelhantes em hipocrisia.

Ao longo de minha vida profissional, 90% do tempo fui administrador de gente integrando equipes para realização de objetivos de negócio. Ao longo dos anos aprimorei valores que transformei em princípios gerenciais. Aquele que considero o mais relevante, parte do fato de que as pessoas não têm qualidades ou defeitos, têm características. Pense no mais eficiente dos soldados do estado Islâmico, aquele que se deixa filmar decapitando jornalistas estrangeiros. Tenho a mais absoluta convicção que ele é um psicopata exemplar, pois só quem despreza a existência do outro em proveito próprio, é capaz de matar com a eficiência merecedora da mais alta aprovação pelos "seus". A partir deste princípio, conduzi minha atuação sempre na busca, mais que o profissional certo para uma função, busquei adequar a função às características do indivíduo. E minha justificativa principal para quem me questiona é: consigo, facilmente, ajustar o fluxo do trabalho, mas jamais mudarei a natureza de uma pessoa. Invisto, portanto, em pessoas que tenham caracteristicas que valorizo. Consigo aumentar, potencializar, uma capacidade nata, mas me é impossível criar dentro de um ser humano o que dentro dele não existe. Um dia, quando pudermos identificar um psicopata por um exame de DNA logo nos primeiros meses de vida, poderemos acabar com a corrupção, por exemplo, direcionando-os para tratamento psiquiátrico e evitando que se tornem políticos.

Eu e Eremildo somos preconceituosos desde minúsculos embriões. Como indivíduos da enésima geração de chita, já não somos tão primitivos quanto nossos antepassados. Neste mundo globalizado, onde trabalho e faço sexo virtualmente, sem nem mesmo a necessidade de saber como é o outro com quem me relaciono, qual o papel do gene do preconceito? Eu e Eremildo temos perdido horas para encontrar uma saída para o beco em que se meteu a evolução da espécie humana: não há mais seleção porque todos vivem o suficiente para se reproduzirem, o que nos leva, como já disse, mas repito, a ter que aceitar a realidade de que novos psicopatas, ególatras, narcisistas, nazistas, fascistas, petistas, comunistas e radicais de todos os matizes continuem nascendo.



Hoje dispomos de recursos tecnológicos que nos propiciam informação num clique de mouse para quaisquer de nossas dúvidas e ignorâncias. É ao Google, ao Face ou ao zap que fazermos a pergunta: "E aí, você conhece esse cara?" Eu e Eremildo, apesar de idiotas, não negamos nossos “instintos mais primitivos”, como o fez Roberto Jefferson apontando o dedo para José Dirceu, e temos, verdadeiramente, nos esforçado para amenizar em nosso íntimo a pressão genética, as mentiras de Dilma, a cafajestice de José Dirceu, a ignorância de tudo de Lula, os discursos de Trump e o terrorismo do estado Islâmico.

Não conheço a natureza e a intensidade dos preconceitos de Eremildo, o idiota. Então, falo por mim: sou preconceituoso até a raiz dos cabelos que um dia já tive. No topo da minha lista estão os que usam o poder para descarregar seus complexos, suas fraquezas, sua ignorância, sua imbecilidade, seu mau-caratismo, sua psicopatia enraizada sobre uma Nação a pretexto de serm proprietários da verdade. Sou absurdamente racista em relação a esta raça de humanos psicopatas em sua estrutura comportamental quando aboletados em um cargo público. Detesto políticos que tomam de assalto o Estado em proveito próprio. Odeio gente que bate à minha porta com a arrogante intenção de me converter para as verdades absolutas nas quais acreditam.


De resto, sempre que a minha irracionalidade se anuncia em uma intenção preconceituosa, me belisco para me lembrar de avaliar meus medos e inseguranças, tentando identificar estes instintos primários e agir para ignorá-los e me manter um sujeito civilizado, respeitando o direito do outro exercer na plenitude sua existência, porque é este respeito que espero dele. 


E no fim, a grande hipocrisia brasileira neste assunto é esta:


(1) BuRRocracia é um blog que mantenho sobre o tema em www.burrocracia.blog.br

(2) Esquerda-cabide é um rótulo meu para aqueles que adoram se pendurar em um bom emprego público e se arvorar possuidores da verdade absoluta.

(3) Sobre este tema, indico a leitura de "Longe da Árvore", de Andrew Solomon (um diferente). Acesse esta boa resenha no site da própria editora.

(4) Faz alguns anos, escrevi um texto explorando a diferença entre administrar "por" exceção e administrar "a" exceção. 




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Dê sua opinião. Discorde, concorde, acrescente, aponte algum erro de informação. Participe deste blog.

Obrigado.