12/11/2020

MUNDO NOVO, ADMIRÁVEL OU ABOMINÁVEL? – A FASE PANTRÔNICA


A pandemia da COVID-19 introduziu, no processo de desenvolvimento da digitrônica, uma variável nova, não esperada, de amplitude global, e com um poder de transformação social e econômico ainda não dimensionado corretamente. Desconsideremos a origem do vírus, as razões que o levaram a se expandir e todas as teorias de conspiração. Vamos partir de um olhar sobre a inter-relação entre a digitrônica e esta pandemia, para chegar à projeção de um futuro próximo onde se imagina virmos a adotar novos padrões de comportamento na condução de nossas vidas.

Alguém estimou recentemente que a pandemia acelerou o processo de expansão dos padrões digitrônicos em pelo menos 5 anos. É provável. A aceleração provocada pela velocidade de propagação do vírus, associada ao total desconhecimento sobre seus efeitos e inexistência de tratamento, trouxe para o debate em rede gente de todos os lados, nível de formação/conhecimento, matizes de pensamento, posicionamento político, correntes de pesquisa etc.

O surgimento de “youtubers” nestes últimos 8 meses foi explosivo. Em muitas áreas. O confinamento nos tirou dos espaços - praças, ruas, trabalho, bares, futebol etc. - onde nos reuníamos para nos informar, opinar e protestar, e nos limitou a uma tela – de celular, notebook, computador e/ou televisão –, apresentando um rosto, muitas vezes desconhecido até então, com o qual passamos a dialogar, discutir, e tomar como fonte primária de informação.

A pantrônica é a fase da digitrônica em que nos foi proposto/imposto um mundo confinado entre nossas próprias 4 paredes, condenados a um não-viver, sentenciados sem sentença, sem recurso, e sem um “Supremo” que nos salve. A pantrônica nos colocou em quarentena indeterminada e trabalhando em nossas instalações caseiras (e precárias para a maioria dos brasileiros), junto com nossos filhos apartados do acesso à formação e ao conhecimento, num convívio novo e difícil para pais e filhos. Ela nos tirou beijos, abraços, carícias, cumprimentos, inter-relações e proximidade. Se aumentou o convívio matrimonial, expôs rusgas, diferenças, desavenças, aumentou o número de divórcios, de suicídios e de agressões físicas. 

Por conta e ordem de governadores e prefeitos, boa parte da classe média formada pelos comerciantes de pequeno e médio porte ruiu, faliu, e, tendo dilapidado um patrimônio amealhado por anos, migrou para um ou mais degraus abaixo na escala socioeconômica. Destruiu quase que totalmente um setor inteiro, o de viagens (a trabalho e turismo). Consequentemente, os gigantes da indústria da aviação devem estar às voltas tentando descobrir para onde ir. Você já parou para imaginar quando vai ser preciso construir novos aviões tendo milhares parados em solo e demandando manutenção? Para não acusá-los de não serem equânimes, e já que não faziam mesmo parte da "força de trabalho" formal, jogaram a quase totalidade dos trabalhos informais nos programas assistenciais do governo federal. Nem catador de latinha ficou de fora.

A pantrônica expôs de um modo chocante a hipocrisia dos políticos, seus interesses escusos, a crueldade da corrupção que não arrefece nem quando se trata da saúde dos cidadãos, evidenciou a “guerra” entre nações e a intolerância religiosa perigosa e assustadoramente crescente.

A pantrônica nos oprimiu. Aos reagentes à detenção involuntária, por desobediência civil ou por necessidade de sobrevivência, nos impingiu o uso de uma máscara ineficaz quanto à proteção de nos infectarmos, mas que cumpre o papel de nos lembrar segundo a segundo que somos manipulados por um poder disseminado, distribuído por cidadãos cooptados pelo medo. Pelo medo, me sinto no direito de apontar o dedo, ou a voz, para aquele que não a está usando. Pelo medo de ser acusado como responsável por alguém ser contaminado, dirigentes de empresas contratam “fiscais da moral do comportamento social” para se postarem nas portas de suas instalações armados de spray com álcool e medidor de temperatura (ai de você se se negar a ser submetido!).

A pantrônica colocou nos “trading topics” das discussões políticas o que há décadas é discutido sem que se tenha um consenso: a renda mínima para a população dos excluídos da vida econômica moderna. Não só. As pessoas não tendo coisa melhor para fazer no enclausuramento forçado, voltaram debater sobre escola sem partido, ideologia de gênero fora e dentro das escolas, cotas raciais para tudo etc.

A pantrônica não vai terminar tão cedo por mais cedo que se tenha uma vacina amplamente testada, eficaz e segura. É só você fazer um exercício básico. Comece imaginando quando se iniciará um processo de retrocesso nas medidas autoritárias a que estamos submetidos. Depois, tende desenhar um plano para tal desarticulação (lembre-se das idas e vindas que já estamos assistindo em muitas cidades) e acrescente aquela variavelzinha sempre incômoda: o tempo. Não pare por aí. Vá juntando um fato científico aqui outro ali, para descobrir que imunizar 7,5 bilhões de indivíduos vai levar certo tempinho. E acrescente a cerejinha do “cupcake”: os debates acirrados sobre a aplicação voluntária ou compulsória da “vachina” ou que outro rótulo ela venha ganhar.

Finalizando. A “combo” promocional China-vírus-disseminação-políticos-pseudocientistas-medo-de-morrer, vai levar muitos anos para sair de oferta. Façam suas apostas.

Na próxima semana (acho que finalizo esta série) trato, finalmente, de como poderá vir a ser um mundo possível próximo: admirável ou abominável?

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