quinta-feira, novembro 26, 2020

A MENTIRA DAS “FAKE NEWS”


“Refletir é incomodar os pensamentos.”

Evaristo Miranda, diretor da Embrapa, em 2020.

 

Fake é falso e news é notícia. Conclusão: “fake news” significa “notícia falsa”. Ou seja, não significa “notícia mentirosa”. E será que existe diferença entre mentira e falsidade? Pesquiso e aprendo que há, sim, uma sutil diferença entre mentira e falsidade. Vamos ver esta questão antes de continuarmos.

No que interessa a este exercício de reflexão, a mentira é dita por quem sabe a verdade, enquanto a falsidade é uma fala desprovida do conhecimento do fato, ou seja, a falsidade existe basicamente por ignorância, enquanto a mentira encobre um fato que não se quer que outros saibam, mente-se, portanto, na intenção de se auto proteger.

O problema básico da mentira é que, para não ser desmascarada, ela precisa: primeiro, estar bem estruturada; segundo, que não surjam fatos novos que não se encaixem com a versão contada; e, terceiro, que surtam os efeitos desejados antes que haja  tempo e circunstâncias para que os fatos venham à luz. Era assim na era analógica em que as sociedades viviam. Não é tanto mais assim. Como a digitrônica nos dá acesso a quase tudo de relevante para nossa vida cotidiana com dois ou três cliques, tudo se descobre muito, muito mais cedo do que tarde. As pernas da mentiram nunca foram tão curtas!

Uma das marcas dos anos 1950 foi a febre da ufologia. Apareciam discos voadores por todo canto. No Brasil, o aparecimento mais famoso foi em maio de 1952, na Barra da Tijuca, documentado por uma dupla (jornalista e fotógrafo) da revista O Cruzeiro. Como veio a se confirmar, uma reportagem mentirosa relatando uma “aparição” criada para vender mais revista. Não deu cadeia pra ninguém. Até os militares embarcaram na mentira. Ou seja, mentir para atingir um dado objetivo, vem, provavelmente, dos tempos em que o homem das cavernas usava a mentira como expediente para justificar sua ida na caverna da vizinha!

E a falsidade! Há que voltarmos à definição que dei acima: é um relato que independe do conhecimento do fato, ou, o que ocorre com certa frequência, quem falseia não quer conhecer o fato sob o risco de se ver tachado como um mentiroso. A ignorância é uma realidade na história da humanidade pelo simples fato de que, se era impossível aos Neandertais saberem da existência dos homo Sapiens, muito, muito menos agora que a amplitude dos fatos é milhões e milhões de vezes maior que então. Tal complexidade veio a calhar como circunstância favorável para aqueles que a utilizam como proteção vantajosa por psicopatas, fracos e/ou mal intencionados. 

Precisamos ver uma outra questão. O que é “opinião”? Na internet, a “mãe dos ignorantes”, encontramos que é a manifestação de um “julgamento pessoal; parecer”. É, no popular, o tão proclamado “eu acho”. “Eu acho” que no STF só tem gente interessada em si mesma. Isso é uma suposição? Um julgamento pessoal? É uma falsidade? Você acha? É a sua opinião. Não é a minha! E agora? Se fosse preciso que você e eu provássemos nossas opiniões a partir de nossas percepções, então, consequentemente, perderíamos o direito de manifestar opinião sobre o que quer que nos apresentasse para um julgamento mundano. 

Toda opinião está impregnada de alguma “falsidade”. É uma condição inerente à percepção, sentimento que a sustenta. Percepção tem um cordão umbilical com suposição, pela simples realidade de não estar calcada no conhecimento dos fatos. Qual o principal ingrediente das fofocas cotidianas se não “opiniões” cheias de suposições,  falsidades, a partir dos interesses de quem as emite? A nova era, ao nos tornar a todos "eceptores", nos deu o poder de "carimbar" com o rótulo de "fake" toda notícia que eu não desejo ver compartilhada. Não é um algo que possa ser conceituado. É simplesmente um instrumento político a serviço, fundamentalmente, dos que são adeptos de uma visão distorcida, míope, neurótica, de como realmente se comporta a humanidade.

Exposto isto há que se perguntar por que diabos estamos envolvidos em uma discussão maluca sobre coisas tão óbvias?

Acontece que a expressão “fake news” veio ao encontro dos interesses táticos dos que desejam subjugar os povos a todo custo. Na base dos motivos e do perfil dos integrantes deste grupo, vamos encontrar: comunistas frustrados com a derrocada da União Soviética;  o movimento pendular das insatisfações populares; o globalismo invasor das autonomias das nações; o recrudescimento da intolerância religiosa; o advento da digitrônica; o consequente derretimento do sistema democrático como estruturado até aqui; chegando à reação visceral das oligarquias perdedoras de poder, em especial, das mídias tradicionais até então exclusivas e poderosas fontes manipuladoras da interpretação dos fatos sócio-político-econômicos.  

A par das reações da “grande mídia” para a qual não interessa o que é dito, mas sim por quem é dito, surgem as plataformas das mídias sociais censurando cidadãos e empresas, através do bloqueio de conteúdos, simplesmente porque estão fazendo o jogo de políticos e juízes de todas a instâncias, que se coordenam para defender um status quo ameaçado pela nova era. Para atingir seus intentos, adotam ações que afrontam a constituição, desrespeitam a hierarquia jurídica, invadem os limites da alçada de cada poder, criminalizam sem acusação a manifestação de opinião, chantageiam empresas com as ameaças que lhes estão à mão. Neste processo, tudo pode e deve ser rotulado como “fake news” se não for do interesse da “patota do selo azul” (expressão proposta por Rodrigo Constantino). A hipocrisia saiu do âmbito das relações interpessoais e de instrumento de políticos, para subir muitos degraus na escala de usos, e aboletou-se no trono da soberba, e, ditatorialmente, tenta determinar as percepções de todos nós. Eu espero que o silêncio que se abateu tanto sobre o “inquérito do fim do mundo”, quanto o projeto de lei das “fake news”, já aprovado pelo Senado e atualmente na Câmara, signifique que os envolvidos estão percebendo que são intenções autoritárias, ditatoriais e, portanto, nada pode ser mais antidemocrático do que reprimir os legítimos direitos dos cidadãos emitirem suas próprias opiniões e avaliações sobre nossas instituições e seus representantes, isto sem considerar a absoluta impossibilidade de se estabelecer o que possa ser uma simples opinião e o que possa ser uma opinião criminosa!!!

O que você acha disto: os “antifas” acusam (e oprimem) os não adeptos de... “fascistas”, numa evidente afirmação e ação... “fascista”!!! Radicais esquerdistas vão às ruas em manifestações "pacíficas" de violência, portando faixas proclamando estarem em “defesa da democracia"!!! E mais. Só existem “fake news” nas mídias sociais, enquanto as mídias tradicionais são unânimes em falsear as notícias ao bel prazer de seus orgulhos feridos e sem qualquer constrangimento ou escrúpulos, pois reacionários à perda do poder.

Não nos iludamos. A campanha de "Combate às notícias falsas" é uma "cortina de fumaça" utilizada por perdedores nos processos democráticos pois têm a convicção de que o "povo não sabe votar" e que a "verdade" está com eles. Em que parte da história política foi necessário "combater" com polícia e leis a emissão e transmissão de falsidades? Isto sempre foi uma tarefa do tempo e dos indivíduos em sociedade. Não do Estado. Nas exceções, foi ação de governos de exceção para impor suas "impróprias" mas adequadas "verdades"!!! Quais serão os critérios a serem utilizados pela agência de checagem criada pelo governo do Ceará cujo objetivo anunciado é o "estabelecimento da verdade (sic) em temas ligados à administração estadual"? Ou eu sou um idiota ou isto é um instrumento de regimes neofascistas! Existe uma outra campanha debilóide circulando que pede algo singelo: "Se for fake news, não transmita"Só pro macaco entender: 1) Como eu descubro se é uma notícia que eu não devo compartilhar? 2) Ah! Já sei, eu devo consultar antes o "sleeping giants" (1), ou alguma agência de checagem "tendenciosa de fatos" (2). Hum, agora entendi! Só não entendi se a OMS emitiu notícia falsa quando induziu os países a adotar o "fique em casa", inclusive os alunos em idade escolar, e agora defende a volta às aulas!!! 

Se a mentira ufológica foi um “must” dos anos 1950, “fake news” será um dos “trending topics” dos anos 2020. Não entre nessa, pois cada acusação ou rotulagem de qualquer notícia como "fake" que alguém faça, está colocando uma gota num copo que, inevitavelmente, vai transbordar. Só ainda não se sabe quando.

O que se passa, portanto, no mundo, é o questionamento que uma geração faz sobre os valores da sociedade ocidental construídos pós revolução industrial, duas guerras mundiais com dezenas de milhões mortos, algumas pandemias, um risco de guerra nuclear, fantásticas descobertas que duplicaram a expectativa de vida em 70 anos, e um pacote de soluções tecnológicas que melhoraram incrivelmente os índices de qualidade de vida em todo o mundo.  Tal geração de ignorantes da história compõem um movimento sem líderes buscando direção e unidade onde só há fragmentação de causas de minorias cujos anseios não são comuns e por isso não ganham liga, não se "colam". Sobra apenas um inconsistente discurso da "discriminação" que usa a discriminação para encontrar "culpados" de suas fraquezas psicológicas. Isto nada mais é do que a prática do "dividir, enfraquecer, dominar" (3). Para estes, a digitrônica veio a calhar. Fazendo de cada cidadão um produtor e distribuidor de informação (falsa, mentirosa, verdadeira, interesseira etc.) virou de ponta cabeça o mundo das grandes corporações de mídia. Permitindo tal distribuição e o "feedback" instantâneo, as consequências das notícias deixaram de habitar o admirável mundo da manipulação da opinião pública. Neste ambiente, tal como o Corona-vírus, o contágio se dá por clique-contato e a infecção intelectual varia desde a não percepção de sintomas até a internação em UTI, prévia da falência dos neurônios. Mas se não tem líderes, a Grande Rede está repleta de "celebridades" apoiadoras, uma elite que viveu (e vive) às custas de fontes de renda herdadas de seus ascendentes ou do Estado protetor, onde o uso da máscara de "humanitário" progressista é de uso obrigatório, pois esconde a hipocrisia das intenções só admitidas entre quatro paredes da Champs-Elysées. Não há proposição, apenas contraposição. Não querem construir, apenas destruir para ver no que vai dar. Mas é só dar uma olhada na história para se certificar e prever que quem vai pagar pela insanidade psiconeurótica dessa turma, serão os milhões de cidadãos-ovelhas que serão usados como bucha de canhão. Cruzo os dedos para que antes dessa hora tenhamos ganho, tal como desejado em relação ao Corona, imunização de rebanho.

Exposto isto, abandono eu, e sugiro que você abandone também, a utilização da mentira “fake news”, e utilize somente nossa tupiniquim “falsidade”. Com esta atitude fica mais fácil identificar o que realmente está acontecendo, imaginar o que pode vir a acontecer e se posicionar quanto ao que se vai fazer.

Espero, mais uma vez, tê-lo ajudado a evoluir em sua percepção sobre o que nos espera, e, adicionalmente, enxergar com certa dose de saudade como era nosso maravilhoso mundo velho!

(1) Atenção: ninguém sabe até agora (nov/20) quem são os responsáveis por trás desta "entidade" que emite lacrações de modo absolutamente anônimo, o que é proibido pela Constituição, e, no entanto, não foram incomodados pelo STF: https://twitter.com/slpng_giants_pt. Dê uma olhada nesta matéria da Gazeta do Povo.

(2) Agência Lupa, ligada à Folha, se intitula "a primeira agência fact-checking do Brasil" https://piaui.folha.uol.com.br/lupa/

(3) Para uma ideia clara do que isto significa assista aos 3 episódios da série "As grandes minorias" produzidos pelo movimento Brasil Paralelo. Aqui o primeiro capítulo, "Os Antifascistas". Não faça isto depois de se alimentar pois o risco de vomitar é alto.

Livro  https/ecclesiae.com.br/inquerito-do-fim-do-mAuiundo


Olha só quem está em primeiríssimo lugar!!!

Mas esta é uma coisa que a "patota" quer evitar a todo custo! 

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